Lula e Alcolumbre retomam relação na véspera da eleição e de olho em 2027

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), selaram a retomada da relação política nessa quarta-feira (12/8), em reunião de trabalho no Palácio da Alvorada, residência oficial do petista, em Brasília.Depois de meses de tensão, os dois voltaram a negociar cara a cara às vésperas do início da campanha eleitoral, com interesses políticos em jogo.A reunião, que durou cerca de duas horas, teve como objetivo destravar pautas consideradas importantes pelo governo no Senado antes das eleições de outubro. O encontro também contou com a presença do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e da líder do governo no Senado, senadora Teresa Leitão (PT-PE).A conversa foi classificada por Guimarães, em conversa com jornalistas, como “descontraída, tranquila, sem estresse” e, agora, “está tudo destravado”. Segundo ele, a “institucionalidade está reconstruída”, o que, afirmou, é motivo de comemoração.No encontro, Lula e Alcolumbre deram continuidade à conversa iniciada na semana passada, quando os dois se encontraram em um jantar na casa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em Brasília, no dia 4 de agosto.Nesta semana, as Casas Legislativas passam por um período de esforço concentrado, com sessões presenciais para deliberações e votações. Depois, deputados e senadores terão apenas mais um período deste tipo antes das eleições gerais deste ano, entre 31 de agosto e 3 de setembro. Leia também BrasilLula e Alcolumbre se reúnem, e ministro fala em retomada de diálogo BrasilPEC da 6×1: Alcolumbre assumirá tarefa de ouvir senadores, diz líder Blog do NoblatConversas de Lula e Alcolumbre podem favorecer Messias BrasilGoverno espera reaproximação de Lula e Alcolumbre para destravar pauta 5 imagensFechar modal.1 de 5Lula e Alcolumbre se encontraram em um jantar na semana passada2 de 5Lula e Alcolumbre sentaram lado a lado, mas não conversaram durante posse de Nunes Marques como presidente do TSE Valter Campanato/Agência Brasil3 de 5Lula e Alcolumbre retomaram o diálogo depois de meses de desgaste entre Planalto e SenadoLUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova4 de 5Semana de esforço concentrado foi definida por Hugo Motta e Davi AlcolumbreBRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto5 de 5Presidente Lula (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP)Vinicius Schmidt/ MetrópolesA ideia do governo, de acordo com o chefe da articulação política, é consolidar com Alcolumbre um diálogo que já está estabelecido com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). “Nós queremos que, sob a liderança da senadora Teresa, também no Senado fique 100% como está na Câmara”, disse o ministro.Além de ter azeitado uma relação bem estabelecida entre Planalto e Câmara, Motta declarou publicamente na segunda-feira (10/8) que apoia a reeleição de Lula à Presidência. O parlamentar paraibano, que tentará tanto a reeleição para deputado quanto um novo mandato no comando da Casa, disse que aguardava o posicionamento do partido no nível nacional antes de declarar o apoio.Na semana passada, o diretório nacional do Republicanos realizou a convenção e decidiu pela neutralidade nas eleições presidenciais. O presidente, Marcos Pereira (SP), negociou com a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) até o último momento, mas recusou a coligação. Com isso, os diretórios estaduais ficaram liberados para compor coligações e fazer as demais articulações considerando o cenário local.Em relação a Alcolumbre, o Planalto espera que o parlamentar também apoie o presidente. O líder do Senado já tem alinhamento com a chapa governista estabelecida no Amapá, seu reduto eleitoral.“Independentemente aqui da pauta no Senado e das matérias de interesse do governo, nós temos uma chapa à reeleição do governador, a candidatura do senador Randolfe, e o Davi está absolutamente sintonizado com a reeleição do Lula e com o nosso palanque lá no Amapá”, relatou Guimarães.Alcolumbre não buscará a reeleição à Casa Alta, porque está em meio de mandato, mas tem como objetivo a reeleição para a Presidência da Casa, prevista para fevereiro de 2027. Para isso, o senador busca manter o diálogo com diferentes grupos do Senado e construir apoio para permanecer no comando da Casa, independentemente do resultado da eleição presidencial.Uma eventual vitória de Lula, porém, tende a favorecer a articulação de uma base governista em torno de sua candidatura à Presidência do Senado.Já uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL) tende a fortalecer o senador Rogério Marinho (PL-RN), que pretende se lançar à Presidência do Senado em 2027.Relação estremecidaA relação entre Lula e Alcolumbre se deteriorou depois da rejeição do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, a uma vaga ao Supremo Tribunal Federal (STF).Foi a primeira vez desde 1894 que o Senado derrubou uma indicação do presidente à Suprema Corte.Na época, Alcolumbre foi apontado como responsável por articular a rejeição de Messias. Ele tinha preferência pelo senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), que acabou preterido por Lula.O episódio provocou uma fissura na relação entre os dois chefes dos Poderes que durou cerca de três meses.A reaproximação só ocorreu na última semana, em um jantar promovido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, onde os dois retomaram o contato.Pautas prioritáriasApós o encontro, Alcolumbre afirmou que o diálogo entre os líderes foi restabelecido e que o movimento é “muito importante para a democracia”.“Foi uma reunião institucional muito importante para a democracia, porque o presidente do Congresso precisa ter o diálogo aberto com o presidente do Brasil e esse diálogo foi restabelecido”, disse.A retomada da relação, no entanto, não garante o avanço de pautas prioritárias para o governo, como a PEC que acaba com a jornada de trabalho 6×1. Horas após o ministro José Guimarães afirmar que “está tudo destravado” ao falar sobre projetos interesse do Executivo, Alcolumbre disse que não há calendário definido para a tramitação da proposta.Além do fim da 6×1, segue parada no Senado a chamada PEC da Segurança Pública, que busca redesenhar regras para o combate ao crime no país. O texto chegou à Casa em março deste ano e enfrenta resistência para avançar.Na terça, lideranças governistas definiram o foco em uma série de medidas provisórias (MPs) para serem votadas nesta semana de esforço concentrado no Congresso Nacional. Entre os textos prioritários estão seis MPs — incluindo a que revoga a “taxa das blusinhas”.O Congresso instalou cinco comissões mistas para análise das medidas. Os textos tratam de temas como a regulamentação do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), dívidas rurais e o trabalho de motoboys.No caso da MP que zera o imposto sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada taxa das blusinhas, não houve acordo para instalação da comissão, o que acabou sendo adiada. O governo corre contra o tempo para aprovar a medida e evitar que o texto perca a validade. Se não for analisada até 8 de setembro, a MP caduca e o imposto poderá voltar a ser cobrado.Caso isso aconteça, pode trazer efeitos eleitorais ao petista, uma vez que a retomada do tributo foi uma das medidas que mais trouxe desgaste à gestão.