Fundo imobiliário ou renda fixa? Compare rendimentos após a Selic cair para 14%

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O Banco Central reduziu a Selic mais uma vez na semana passada, a 14% ao ano, impactando a rentabilidade de diversos investimentos que acompanham a taxa básica de juros. No entanto, a depender da classe de ativo escolhida e do prazo, o regime tributário pode mudar completamente o retorno final que chega ao bolso do investidor.Um dos exemplos é a comparação entre a renda fixa atrelada ao CDI e os fundos imobiliários que investem em títulos do setor, os fundos de papel. Como os dividendos dos FIIs são isentos de IR, o retorno médio pode ser maior que o da renda fixa, especialmente em prazos mais curtos.Segundo cálculos da Rio Bravo Investimentos, os FIIs de papel distribuem atualmente um dividend yield (retorno apenas dos dividendos) médio líquido de 12,1% ao ano, porcentual superior aos 11,90% líquidos de uma aplicação que acompanha a Selic, ou seja, já descontado o imposto de renda de 15%. Os FIIs, portanto, apresentam vantagem para quem prefere obter rendimento mês a mês, já que a renda fixa ganharia nos prazos maiores que um ano, já que a incidência de IR diminui com o tempo.Os fundos de papel lideraram os ganhos em julho e devem continuar se destacando nos próximos meses graças à Selic em níveis elevados e à maior previsibilidade de rendimento, diz a gestora. No entanto, a queda nas cotas, que fez o índice IFIX recuar 0,32% em julho, aumentou o desconto dos fundos imobiliários em geral em relação ao valor de seus ativos, especialmente nos fundos de tijolos, criando oportunidades para o investidor de mais longo prazo, afirma Isabella Almeida, gestora de Fundos Imobiliários da Rio Bravo.“Considerando que esses fundos negociam hoje com um deságio médio de 14,3% em relação ao valor patrimonial, entendemos que existe uma oportunidade relevante de ganho de capital no médio prazo, à medida que o cenário macroeconômico apresente um avanço”, diz a especialista.Caso a desaceleração da inflação se mostre consistente e o cenário macroeconômico contribua para uma queda da curva de juros, os FIIs podem apresentar uma valorização relevante de suas cotas, acredita Isabella, especialmente diante de um contexto em que os indicadores do mercado imobiliário têm se mostrado bastante positivos para diversos segmentos, com redução da vacância, boa procura e alta dos aluguéis em determinadas regiões. “Esse cenário tem ajudado na manutenção de um resultado operacional consistente dos fundos imobiliários”, diz a gestora.Isabella lembra que os fundos de papel tendem a apresentar maior previsibilidade em momentos de incerteza porque parte relevante das carteiras está exposta a Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), indexados ao CDI ou ao IPCA. “Quando o mercado posterga a expectativa de queda de juros ou passa a exigir mais prêmio nos ativos, o rendimento desses papéis ajuda a sustentar o retorno do investidor”, explica.Foi o que aconteceu em julho. Em meio à queda do IFIX, os fundos de papel ficaram estáveis, com alta de 0,01% e acumulando 5,4% no ano, ante alta de 1,14% do IFIX. Já os fundos imobiliários de CRI indexados ao CDI tiveram rendimento médio de 0,61% no mês, acumulando 7,21% no ano. Os indexados ao IPCA apresentaram perda de 0,25% no mês, reduzindo a alta no ano para 4,56%. Os fundos corrigidos pelo IPCA sofreram em julho com a alta dos juros longos.(Gráfico rentabilidade no ano) Já os fundos de tijolos recuaram 0,32% em julho e acumulam uma queda de 0,33% no ano, calcula a Rio Bravo. Entre os segmentos mais representativos, os FIIs de Lajes Corporativas são os que mais puxaram o indicador para baixo, com perda de 1,68% em julho e de 2,84% em 2026. O segmento de Logística e Industrial caiu 0,31% em julho, mas acumula alta de 0,14% no ano. O de Shopping centers recuou 0,19% no mês, reduzindo o ganho no ano para 1,10%. Varejo perdeu 0,51% em julho, mas sobe 1,13% no ano. Já os fundos de fundos recuaram 1,35% em julho e agora perdem 0,92% em 2026.Onde estão as maiores oportunidades em FIIsCom a queda das cotas da maioria dos fundos em julho, os fundos de tijolos voltaram a ser negociados com um desconto médio de 16% frente aos seus valores patrimoniais, representando uma oportunidade para o investidor no médio prazo, afirma Isabella. O maior desconto está nos fundos de Lajes Corporativas, negociados a valores equivalentes a 63,9% de seu patrimônio, enquanto Shoppings negociam a 86,6%, Varejo, a 92% e Logística e Industrial, em 90,5%. Os fundos de papel são negociados por cerca de 88,6% do valor patrimonial.Segundo Isabella, um ponto positivo é que a desvalorização recente das cotas da maioria dos FIIs de tijolo decorre, principalmente, da elevação dos juros longos e do prêmio de risco, e não da deterioração dos fundamentos no setor, que continuam favoráveis aos proprietários. “Tudo isso tem resultado em uma valorização do aluguel em determinadas regiões, o que favorece o resultado operacional dos fundos”, explica.  Para Isabella, os fundos de papel seguem como uma camada importante de estabilidade, enquanto os bons ativos de tijolo podem capturar a reprecificação quando o mercado voltar a premiar os fundamentos operacionais.The post Fundo imobiliário ou renda fixa? Compare rendimentos após a Selic cair para 14% appeared first on InfoMoney.