Os algoritmos estão a matar o prazer de descobrir

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É esse o alerta deixado pela Zühlke, consultora tecnológica global de origem suíça, que defende uma utilização mais consciente da IA durante o período de férias. A empresa considera que estas ferramentas devem funcionar como apoio à decisão e não como substituto da autonomia individual. Além disso, explica como os algoritmos estão a matar o prazer de descobrir.«A IA deve ampliar a nossa capacidade de decisão e não substituí-la. A utilização responsável começa na forma como os sistemas são concebidos: os algoritmos não são neutros e, por isso, é essencial desenvolvê-los de forma ética, transparente e orientada para criar valor real», afirma Mariana Figueiredo Salvaterra, CEO da Zühlke Portugal.Segundo a responsável, o verão constitui uma oportunidade para repensar a forma como as pessoas se relacionam com a tecnologia. «As férias oferecem-nos uma oportunidade para refletir sobre a relação que temos com a tecnologia: estamos a utilizá-la para descobrir, decidir melhor e viver experiências, ou apenas para seguir aquilo que os algoritmos nos sugerem? O verdadeiro potencial da IA está em ajudar-nos a tomar decisões mais informadas, diversificadas, sustentáveis e, acima de tudo, mais humanas.»Quando a personalização limita a descobertaGrande parte dos sistemas de IA recomenda conteúdos com base no histórico de pesquisas, nas preferências já demonstradas e em padrões de comportamento semelhantes aos de outros utilizadores. O resultado é uma experiência altamente personalizada, mas que pode reduzir o contacto com novas ideias, destinos ou experiências.Na prática, quem procura sempre o mesmo tipo de hotel, restaurante ou atividade tende a receber recomendações cada vez mais semelhantes. A eficiência aumenta, mas a diversidade pode diminuir.Para a consultora, este fenómeno reforça a importância de utilizar estas ferramentas de forma deliberada, sem abdicar da curiosidade ou da capacidade de decisão.Seis recomendações para usar melhor a IA nas fériasA Zühlke identifica um conjunto de boas práticas para aproveitar as vantagens da Inteligência Artificial sem cair numa dependência excessiva dos algoritmos.Usar a IA como ponto de partida, não como resposta definitiva. Informações relacionadas com preços, horários, políticas de cancelamento, segurança ou saúde devem ser sempre confirmadas através de fontes oficiais ou credíveis.Pedir sugestões fora do habitual. Em vez de aceitar apenas as opções mais populares, vale a pena solicitar alternativas menos conhecidas, destinos diferentes ou experiências locais que normalmente não surgem nas primeiras recomendações.Definir momentos específicos para recorrer à tecnologia. A pesquisa constante e o consumo contínuo de recomendações podem transformar-se num prolongamento da rotina digital. A tecnologia deve servir para poupar tempo, não para o ocupar.Delegar tarefas práticas. Traduções, organização de itinerários, reservas ou compilação de informação são áreas onde a IA pode simplificar processos e libertar tempo para aproveitar a viagem.Pensar nos dados que se partilham. Cada pesquisa influencia futuras recomendações. Ter consciência da informação fornecida às plataformas digitais ajuda a compreender como os algoritmos moldam as sugestões apresentadas.Reservar espaço para o inesperado. Conversar com habitantes locais, entrar num restaurante sem avaliações ou descobrir um lugar por acaso continua a ser uma das dimensões mais valiosas de qualquer viagem.A tecnologia não substitui a experiênciaÀ medida que a Inteligência Artificial se torna uma presença constante no quotidiano, também cresce a necessidade de garantir que o seu desenvolvimento assenta em princípios de transparência, ética e centralidade nas pessoas.Para a Zühlke, o desafio não passa por reduzir o recurso à tecnologia, mas por encontrar um equilíbrio que preserve a autonomia, o pensamento crítico e a capacidade de descobrir aquilo que nenhum algoritmo conseguiria antecipar. Afinal, algumas das melhores memórias de férias continuam a nascer precisamente dos desvios ao plano inicial.O conteúdo Os algoritmos estão a matar o prazer de descobrir aparece primeiro em Revista Líder.