Um estudo realizado pela King’s College London, junto a Universidade de Suffolk, descobriu que todos os “camarões” testados em 15 locais de coleta, da região de Suffolk, no Reino Unido, foram detectados com cocaína em seus organismos.O invertebrado de água doce chamado Gammarus pulex, é um pequeno crustáceo muito comum em rios — frequentemente comparado a um minúsculo camarão —, e foi escolhido porque, ao viver no leito dos rios, serve como um “espelho” da saúde do ecossistema.Segundo a pesquisa, além da cocaína, a cetamina (um anestésico e droga recreativa) também foi detectada neles com alta frequência, sendo 76% das amostras. Leia Mais Pinguins ajudam a rastrear 'substâncias químicas eternas' na Patagônia Estudo descobre 45 novas toxinas da salmonella que podem virar antibióticos PF e Anvisa vão analisar canetas irregulares apreendidas Como o estudo foi feito?Os pesquisadores investigaram a presença de diversos poluentes “invisíveis” em rios da região de Suffolk. Eles focaram em três categorias principais de substâncias: medicamentos (como antidepressivos e analgésicos); pesticidas (usados na agricultura) e drogas ilícitas (como cocaína).Para o estudo, foram coletadas amostras de água e de invertebrados em 15 locais diferentes espalhados por cinco bacias de rios. Utilizando tecnologia avançada de laboratório, eles testaram a presença de 107 compostos diferentes nas amostras.Cachorro enfrenta correnteza de enchente e é resgatado no Chile; Veja imagens | CNN BRASILPrincipais descobertas:Presença de substâncias proibidas: pesquisadores encontraram pesticidas que já não são permitidos na União Europeia, como o fenuron, o que sugere que essas substâncias ainda persistem no ambiente ou continuam sendo usadas ilegalmente;Remédios perigosos: alguns medicamentos, especialmente antipsicóticos, apresentaram um potencial maior de causar efeitos negativos nos animais do que os próprios pesticidas;Mistura química: no total, foram detectados 56 compostos diferentes dentro dos invertebrados.A pesquisa concluiu que a poluição nos rios é complexa e vai muito além do que vemos. Mesmo em áreas rurais, os animais estão “absorvendo” uma mistura de drogas e medicamentos.Os pesquisadores propuseram um novo modelo para avaliar o risco ambiental, sugerindo que devemos olhar para a concentração de poluentes dentro dos seres vivos para entender se eles estão sofrendo uma “pressão de efeito” que pode mudar seu comportamento ou saúde. *Sob supervisão de Thiago Félix