Deputado denuncia "canibalização" do Metrô após trem descarrilar no DF

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O descarrilamento de uma composição do Metrô-DF na manhã desta terça-feira (28/7), que interrompeu a circulação entre estações da Asa Sul, reacendeu o debate sobre a situação da infraestrutura metroviária do Distrito Federal.Para o deputado distrital Max Maciel (PSOL), presidente da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana (CTMU) da Câmara Legislativa, o episódio reforça os alertas feitos pela comissão desde 2023.“É um processo de sucateamento que não começou agora, mas vem se agravando ano após ano”, apontou o parlamentar.Há um mês, a CTMU realizou vistoria técnica no pátio de manutenção do Metrô-DF e apresentou um relatório apontando um cenário de deterioração da operação dos trens, marcado pela redução da frota operacional, dificuldades de manutenção, falta de peças de reposição e necessidade urgente de investimentos na modernização do sistema.Segundo o relatório da CTMU, a frota do Metrô-DF é composta por 32 trens. Durante a vistoria técnica, a comissão constatou que apenas 19 circulam nos horários de pico, que 10 composições estavam fora de operação, sendo que seis delas são utilizadas no processo de canibalização, com a retirada de peças para manter outros trens em funcionamento.“Seis trens estão completamente fora de operação porque hoje são utilizados exclusivamente como fonte de peças para as composições que estão rodando. O descarrilamento registrado hoje é extremamente grave e reforça os alertas que a Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana tem feito, inclusive sobre a possibilidade de incidentes como esse”, destacou.Durante a inspeção realizada no pátio de manutenção, a comissão constatou que as peças utilizadas nas composições já não são mais fabricadas, consequência da defasagem tecnológica da frota. Para manter parte das composições em funcionamento, o Metrô-DF recorre à retirada de componentes de outros veículos que foram desativados, prática conhecida como canibalização.De acordo com levantamento apresentado pela CTMU, o Governo do Distrito Federal deixou de investir cerca de R$ 1 bilhão na renovação da frota e na modernização do sistema metroviário ao longo dos últimos anos. Na avaliação do deputado, a falta de investimentos compromete não apenas a operação do metrô, mas toda a mobilidade urbana da capital. Leia também Distrito FederalMetrô-DF prevê reabertura de estações às 14h desta terça-feira (28/7) Distrito FederalMetrô-DF reabre estações na Asa Sul após descarrilamento de trem Distrito FederalFechamento de estações do Metrô-DF afeta passageiros no DF Distrito FederalDescarrilamento do Metrô-DF provoca caos nas estações e longas filas DescarrilhamentoO funcionamento parcial dos trens da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) na manhã desta terça-feira (28/7) provocou caos nas estações e grande filas de passageiros. Com a circulação reduzida, as estações da Área Central até a 114 Sul ficaram fechadas, e as viagens de Ceilândia e Samambaia só seguiram até a Estação Asa Sul.A Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) informou que a circulação em todas as estações foi retomada pouco antes das 14h.O Metrô-DF ainda disse que o trem danificado foi recolhido e levado para a avaliação das equipes de manutenção da companhia e para a posterior identificação da causa do problema.Entenda o casoO Metrô-DF informou, por meio do aplicativo da companhia, que a circulação foi limitada devido a problemas técnicos e que trabalha para normalizar a operação.Contudo, posteriormente, a companhia confirmou que a interrupção foi causada pelo descarrilamento de um trem.No momento, os trens circulam apenas até a Estação Asa Sul, que passou a funcionar como terminal.Quem precisa seguir até o Plano Piloto tem de descer na Estação Asa Sul e buscar outro meio de transporte.A Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF) foi acionada para reforçar a frota de ônibus na região.