“Acolher uma criança é oferecer a ela a oportunidade de recomeçar”, ressalta Fernanda Santana, coordenadora da Casa George Muller

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Foto: Arquivo Pessoal/Fernanda SantanaCoordenadora da Casa George Muller de Mirandópolis, Fernanda Santana da Silva Dias, 41 anos, nasceu em Fernandópolis e construiu sua trajetória profissional na educação antes de dedicar a vida ao acolhimento institucional de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Casada com Eliton da Silva Dias, mãe de três filhos — e à espera da quarta filha, ela atua há cinco anos na Associação Cristã Servir e hoje coordena as unidades de Mirandópolis, Castilho e Andradina. Nesta entrevista, Fernanda fala sobre sua infância, o sonho de ser professora, a mudança de rumo na carreira e os desafios de cuidar de crianças e adolescentes afastados temporariamente de suas famílias.Como foi sua infância?Tive uma infância muito boa. Meus pais sempre foram presentes, assim como meus avós. Minha mãe trabalhava na roça e meu pai em uma empresa de couro. Sou a caçula de quatro irmãos e nunca tive do que reclamar da minha infância. Desde pequena sonhava em ser professora. Brincava de dar aula para as minhas bonecas e isso sempre esteve muito claro para mim.Como aconteceu sua mudança para Mesópolis?Quando eu tinha 15 anos, meu pai perdeu o emprego e nos mudamos para Mesópolis, onde meus avós moravam. Lá surgiu a oportunidade de estudar no CEFAM, em Jales, o antigo Magistério. Foi uma oportunidade maravilhosa, porque eu estudava pela manhã e fazia estágio à tarde. No último ano do curso me casei, com apenas 17 anos, e também iniciei a faculdade de Letras. Saía de casa às seis da manhã e voltava perto da meia-noite.Quem foi seu maior incentivador?Sem dúvida foi meu marido, Eliton. Sempre digo que ele foi meu grande apoiador para que eu pudesse estudar e conquistar minha formação. Hoje temos quatro filhos: Anny Carolini, Ana Lívia, Pedro Henrique, que chegou por meio da adoção, e agora estamos esperando a Ana Cecília.Como foi sua experiência na área da educação?Comecei lecionando em Populina, onde dava aulas em várias disciplinas. Depois nos mudamos para Araçatuba. Trabalhei um período como professora na rede municipal, depois passei por um supermercado como operadora de caixa e, posteriormente, fui para um colégio particular. Lá comecei como berçarista, depois fui professora de maternal e acabei assumindo a coordenação pedagógica.Como surgiu o convite para atuar no acolhimento institucional?Foi através do Marcos Elias Pereira, presidente da Associação Cristã Servir. Somos amigos de muitos anos e temos uma relação muito próxima. Quando ele e a esposa, Joice, decidiram criar um serviço de acolhimento institucional, me convidaram para fazer parte desse projeto. Foi uma decisão difícil deixar a sala de aula, porque sempre gostei muito de ensinar, mas senti que Deus estava me chamando para essa missão.Fernanda, Eliton e os filhos ao lado dele Marcos Elias Pereira, presidente da Associação Cristã Servir. Foto: Arquivo Pessoal / Fernanda SantanaFoi preciso estudar uma nova área?Muito. Passei a estudar legislação, políticas públicas e todo o funcionamento do acolhimento institucional para entender como tudo funciona. É um trabalho que exige muito preparo e responsabilidade. Há cinco anos inauguramos a primeira Casa George Muller em Andradina e desde então venho atuando nessa área. Depois de quase três anos coordenando a unidade de Andradina, surgiu a oportunidade de assumirmos também o acolhimento em Mirandópolis. Como eu já tinha experiência, preparei outra pessoa para ficar em Andradina e vim para cá. Hoje a Associação Cristã Servir mantém unidades em Andradina, Castilho e Mirandópolis.Qual é o maior desafio?A responsabilidade é enorme. Estamos falando da vida de crianças e adolescentes que passaram por situações muito difíceis. Aqui em Mirandópolis trabalhamos principalmente para fortalecer os vínculos familiares e possibilitar, sempre que possível, o retorno dessas crianças para suas famílias. A pobreza não tira uma criança da família. O que leva ao acolhimento são situações de negligência, violência ou falta de condições dos responsáveis para exercer os cuidados necessários.Como funciona esse trabalho de reintegração familiar?É um trabalho em conjunto com o CREAS, CRAS, Conselho Tutelar, Judiciário e toda a rede de proteção. Buscamos acompanhar a família, orientar e oferecer suporte para que ela possa reunir novamente condições de receber a criança. Nosso objetivo nunca é substituir a família, mas ajudá-la a se reorganizar. Precisamos prepará-las para o retorno à família ou para outras etapas da vida. É um processo delicado. Pequenos gestos fazem muita diferença, como sentar todos juntos à mesa para as refeições. Para muita gente isso é comum, mas para algumas crianças é algo que nunca viveram.Fernanda e Eliton com os filhos. Foto: Arquivo Pessoal/Fernanda SantanaQuem você gostaria de agradecer?Primeiramente a Deus, que me capacita todos os dias para essa missão. Também agradeço ao Marcos Elias, que acreditou em mim desde o início, a toda a equipe da Associação Cristã Servir e à minha família, especialmente ao meu marido, que sempre esteve ao meu lado em todas as etapas dessa caminhada.O post “Acolher uma criança é oferecer a ela a oportunidade de recomeçar”, ressalta Fernanda Santana, coordenadora da Casa George Muller apareceu primeiro em AGORA NA REGIÃO.