Hubble revela desaceleração na formação de estrelas em Andrômeda

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A galáxia de Andrômeda vem reduzindo seu ritmo de formação de estrelas há cerca de 500 milhões de anos, segundo um novo estudo baseado em dados do Telescópio Espacial Hubble, da NASA. Os pesquisadores também identificaram que essa desaceleração se tornou ainda mais intensa nos últimos 40 milhões de anos. Os resultados foram publicados na segunda-feira no periódico The Astrophysical Journal.Localizada a aproximadamente 2,5 milhões de anos-luz da Terra, Andrômeda é uma galáxia espiral de tamanho semelhante ao da Via Láctea. Por estar relativamente próxima — em termos astronômicos — e poder ser vista a olho nu em locais de céu escuro, ela permite que cientistas estudem suas populações estelares em detalhes e reconstruam a história de galáxias semelhantes à nossa.Como os pesquisadores reconstruíram o passado de AndrômedaAs conclusões foram obtidas a partir da combinação de dados de dois levantamentos do Hubble: o Panchromatic Hubble Andromeda Treasury e o Panchromatic Hubble Andromeda Southern Treasury. Juntos, eles mapearam cerca de dois terços do disco de Andrômeda em alta resolução, permitindo a análise de aproximadamente 200 milhões de estrelas.Os cientistas aproveitaram as diferenças entre estrelas jovens e antigas para reconstruir a história da galáxia. Estrelas mais massivas costumam ser mais azuis e vivem menos tempo, enquanto as menos massivas são mais avermelhadas e longevas. Assim, regiões com formação estelar recente apresentam uma proporção maior de estrelas azuis. Para fazer essa análise, as imagens de Andrômeda foram divididas em milhares de áreas de 300 anos-luz de lado, permitindo estimar o histórico de formação estelar em cada uma delas.Os pesquisadores dividiram as imagens de Andrômeda em milhares de áreas de 300 anos-luz de lado para reconstruir o histórico de formação estelar da galáxia. Nos exemplos destacados, regiões com formação estelar mais recente (1) apresentam maior proporção de estrelas azuis, enquanto áreas com atividade menos recente (2) são dominadas por estrelas avermelhadas – Crédito: NASA, ESA, Benjamin Williams (University of Washington), Zhuo Chen (University of Washington), L. Clifton Johnson (Northwestern); processamento de imagem: Joseph DePasquale (STScI)“Precisamos medir as estrelas individuais porque elas são o registro fóssil da formação da galáxia. O Hubble é o único telescópio capaz de oferecer resolução espacial alta o suficiente em uma área grande o suficiente para fazer isso em Andrômeda”, afirmou Ben Williams, astrônomo da Universidade de Washington e coautor do estudo, ao Phys.Estudos anteriores já haviam mostrado que Andrômeda passou por um intenso episódio de formação estelar há cerca de 2 bilhões de anos, provavelmente após uma interação ou fusão com outra galáxia. Desde então, essa atividade vem diminuindo gradualmente.Os números da desaceleraçãoOs pesquisadores calcularam que, há 500 milhões de anos, Andrômeda formava estrelas em um ritmo equivalente a cerca de uma massa solar por ano. Esse valor caiu para aproximadamente meia massa solar por ano há 40 milhões de anos. Atualmente, a taxa corresponde a cerca de um quinto da massa do Sol por ano.A equipe também verificou onde essa redução ocorreu. Grande parte da formação estelar recente está concentrada em um anel situado a cerca de 32 mil anos-luz do centro da galáxia. Segundo os autores, boa parte da queda observada é consequência da diminuição da atividade justamente nessa região.De acordo com o estudo, a redução na formação de estrelas parece estar mais relacionada a um enfraquecimento natural da atividade da galáxia do que à falta de gás e poeira disponíveis para dar origem a novas estrelas.“É como depois de correr uma maratona: às vezes é preciso recuperar o fôlego”, comparou Tobin Wainer, autor principal do estudo e pesquisador da Universidade de Washington.M32 entra na lista de suspeitasOs pesquisadores também investigaram uma possível relação entre a diminuição da atividade em Andrômeda e sua vizinhança com a galáxia satélite M32 (Messier 32). Embora as duas estejam separadas por cerca de 16 mil anos-luz no plano do céu, a posição tridimensional de M32 ainda é incerta, o que impede saber se — e quando — houve uma interação entre elas.“Uma das principais motivações deste programa foi investigar possíveis interações entre M32 e o disco de Andrômeda”, disse Zhuo Chen, coautor do estudo e pesquisador da Universidade de Washington.Os dados do Panchromatic Hubble Andromeda Southern Treasury mostraram que a região de Andrômeda próxima a M32 apresentou uma redução na formação estelar em comparação com outras áreas. Segundo o estudo, essa queda começou há aproximadamente 60 milhões de anos, informação que pode ajudar a restringir o período em que ocorreu uma possível interação entre as duas galáxias.“Não podemos dizer explicitamente que estamos vendo uma redução na formação de estrelas por causa de M32. Mas ela está ali e, definitivamente, é a suspeita mais provável”, afirmou Wainer ao Phys.Próximos passosA equipe pretende continuar analisando os dados do Hubble e combiná-los com observações feitas por telescópios terrestres para aprofundar o entendimento sobre a evolução de Andrômeda.“Há um forte valor científico nesses dados de arquivo. Andrômeda é importante porque é uma vizinha próxima o suficiente para ser vista em grande detalhe, ao mesmo tempo em que permite uma perspectiva global”, disse Raja GuhaThakurta, coautor do estudo e pesquisador da Universidade da Califórnia em Santa Cruz.Os pesquisadores também esperam ampliar essa visão com o futuro Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da NASA, cujo lançamento está previsto para ocorrer a partir de domingo, 30 de agosto. Com um campo de visão que cobre pelo menos 100 vezes a área observada pelo Hubble em infravermelho próximo, o telescópio deverá registrar todo o disco de Andrômeda e parte de seu halo, permitindo a análise de centenas de milhões de estrelas.O post Hubble revela desaceleração na formação de estrelas em Andrômeda apareceu primeiro em Olhar Digital.