Uma tela, uma banana e uma IA: o teste que intrigou cientistas

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Um macaco-prego curioso ajudou cientistas a testar uma nova forma de estudar inteligência animal. Em uma floresta da Costa Rica, uma estação equipada com inteligência artificial, câmera e tela sensível ao toque começou a avaliar como esses primatas aprendem.Chamado CapuchinAI, o dispositivo pode revelar como habilidades cognitivas influenciam decisões e sobrevivência dos animais em seu ambiente natural, algo difícil de observar em laboratórios, explica o The New York Times.Macacos-prego aprendem com tela e IA em floresta da Costa Rica, ajudando cientistas a investigar inteligência e comportamento animal. – Imagem: Divulgação/Capuchinos de Taboga ProjectMacaco aprende que tocar na tela libera bananaO primeiro encontro aconteceu no verão passado, quando Papi, um macho dominante, encontrou uma caixa de madeira com uma tela de 15 polegadas instalada na Reserva Florestal de Taboga.No começo, o macaco apenas investigou o objeto. Depois de alguns toques, uma fatia de banana seca caiu em uma bandeja. A associação foi rápida: tocar a tela significava receber uma recompensa.A estação foi criada para reconhecer os animais em tempo real e registrar suas respostas em testes simples de aprendizado. Para isso, os pesquisadores treinaram um modelo de inteligência artificial com imagens dos próprios macacos estudados na região.Se realmente queremos entender como os primatas tomam decisões, se queremos entender como eles usam esses grandes cérebros que evoluíram, precisamos colocar isso no contexto do mundo em que eles estão navegando.Marcela Benítez, primatóloga da Universidade Emory ao The New York Times.Tecnologia acompanha diferenças entre os animaisA fase inicial trouxe um desafio inesperado: nos dois primeiros dias, nenhum macaco apareceu para interagir com o equipamento. O estudante de doutorado Federico Sánchez Vargas chegou a pensar que teria de recomeçar o projeto.A situação mudou no terceiro dia, quando Papi apareceu. Ao longo dos testes, 16 macacos exploraram ou utilizaram a estação. Nem todos entenderam a proposta, mas parte deles conseguiu aprender a tarefa.Os resultados indicaram que:10 dos 16 macacos aprenderam a tocar a tela para receber alimento;pelo menos 8 mantiveram esse conhecimento em sessões posteriores;alguns animais tentaram interagir de outras formas, sem entender o mecanismo;o sistema conseguiu registrar diferenças individuais de aprendizado.A inteligência artificial reconhece macacos-prego em tempo real e acompanha como cada um aprende novas tarefas. – Imagem: Divulgação/Capuchinos de Taboga ProjectPróximos testes vão avaliar habilidades mais complexasA próxima etapa do projeto terá um modelo de reconhecimento facial mais avançado, capaz de identificar cada macaco individualmente. Uma versão anterior da tecnologia alcançou mais de 97% de precisão nesse tipo de identificação.Os pesquisadores também pretendem criar novos desafios para medir capacidades como controle de impulsos e flexibilidade mental. Em alguns testes, os animais precisarão tocar quadrados verdes e evitar os vermelhos, além de se adaptar quando as regras mudarem.A equipe quer descobrir se experiências vividas pelos animais, como períodos de seca, podem influenciar seu desenvolvimento cognitivo.“Relacionar a cognição aos desafios do mundo real, aos resultados e, no fim, à sobrevivência — esse seria o objetivo final”, disse Benítez.Apesar do avanço, os cientistas não querem transformar a floresta em um ambiente cheio de telas. “Eu não quero que seja como entrar em um cassino quando você está entrando na floresta”, afirmou a pesquisadora. A ideia é usar a tecnologia como uma ferramenta para entender melhor os primatas, sem substituir a observação humana.O post Uma tela, uma banana e uma IA: o teste que intrigou cientistas apareceu primeiro em Olhar Digital.