O senador Cleitinho (Republicanos-MG) chegou ao fim de julho como o favorito nas pesquisas para o governo de Minas Gerais. Ainda assim, provavelmente ficará sem a candidatura. Desde o começo do ano, o senador acumulou capital eleitoral, mas perdeu espaço dentro da articulação partidária por adiar uma decisão que aliados esperavam havia meses.A definição veio pelo Republicanos, não pelo próprio parlamentar. O presidente nacional da legenda, Marcos Pereira (SP), confirmou à GloboNews que Cleitinho não disputará o Palácio Tiradentes. Em seguida, o partido sinalizou apoio ao ex-secretário de Governo Marcelo Aro (PP), encerrando um impasse que travava a formação dos palanques em Minas Gerais.A decisão altera a estratégia tanto do Republicanos quanto do PL. Os dois partidos aguardavam uma resposta definitiva do senador para organizar suas chapas estaduais e definir o desenho da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo maior colégio eleitoral do país.Leia tambémDatafolha: 59% desaprova veto de Moraes à visita de Flávio a BolsonaroPesquisa mostra que brasileiros rejeitam proibição ao encontro entre pai e filho, mas apoiam prisão domiciliar e restrições ao uso de redes sociais pelo ex-presidenteAtlasIntel: Lula mantém liderança no 1º turno com 44,9%, contra 35,8% de FlávioRodada de julho reforça estabilidade na disputa eleitoral, com oscilações dentro da margem de erro nos cenários de 1º e 2º turnoO favorito que não entrou na disputaA provável saída de Cleitinho chama atenção porque ocorre justamente no momento em que sua posição eleitoral parecia mais confortável. Pesquisa Genial/Quaest divulgada na terça-feira (28) colocou o senador na liderança isolada da disputa pelo governo mineiro. Nos três cenários estimulados em que aparece, ele registra entre 34% e 35% das intenções de voto, abrindo vantagem de 22 a 23 pontos percentuais sobre os demais concorrentes.Atrás dele aparecem Alexandre Kalil (PDT), Patrus Ananias (PT) e o governador Mateus Simões (PSD), separados por até seis pontos percentuais entre si, dentro da margem de erro de três pontos.O levantamento reforçou a avaliação de aliados de que Cleitinho entraria na campanha como favorito, razão pela qual o Republicanos insistiu durante meses para que ele aceitasse disputar o governo.O PT já definiu o candidato; falta convencer Minas GeraisO tempo político acabou antesMesmo liderando as pesquisas, Cleitinho deixou passar o calendário imposto pelos partidos. No último sábado (25), ele não compareceu à convenção estadual do Republicanos, reunião em que sua candidatura deveria ser formalizada. A ausência foi tratada pela direção da legenda como um divisor de águas.Em nota, as executivas nacional e estadual afirmaram que “a ausência do senador na Convenção Estadual do Republicanos — apesar das justificativas pessoais — representou um fato político objetivo, que produziu consequências inevitáveis”.O comunicado também faz uma crítica direta ao comportamento do parlamentar.“O partido trabalhou duro para que essa candidatura pudesse acontecer. O que faltou foi a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo.”A mensagem revela que, para o Republicanos, o problema deixou de ser eleitoral e passou a ser político.A indefinição afetou outras campanhasA demora de Cleitinho produziu efeitos além da eleição estadual. O PL esperava sua definição para consolidar o palanque de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais. Como o senador nunca confirmou apoio explícito ao pré-candidato do partido à Presidência, a construção da aliança permaneceu incompleta durante toda a pré-campanha.O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que Cleitinho perdeu o momento adequado para decidir.“Cleitinho muda de ideia toda hora. Perdeu o timing até com o partido, com o Marcos Pereira. Ele é um bom senador. Mas para o Executivo vai ter dificuldade. O mineiro é educado, calmo. Cleitinho daquele jeito mais intenso não vai conseguir vencer no segundo turno”, disse.Enquanto aguardava uma definição, o PL passou a estudar alternativas, entre elas uma eventual candidatura do ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli.Com o encerramento da negociação, o Republicanos sinalizou apoio a Marcelo Aro. A decisão teria sido acertada em reunião realizada na terça-feira (28), com participação de Aro, Flávio Bolsonaro e Marcos Pereira, por videoconferência.A possível candidatura do ex-secretário surgiu após mudanças no grupo do governador Mateus Simões. Inicialmente cotado para disputar o Senado, Aro perdeu espaço com a entrada do senador Carlos Viana (PSD) na chapa governista e decidiu concorrer ao Executivo estadual.Além de destravar a eleição em Minas, a escolha elimina um dos principais focos de incerteza para o Republicanos, que enfrentava dificuldades para compatibilizar a indefinição de Cleitinho com a estratégia nacional do partido.Popularidade não bastaNos bastidores, dirigentes de diferentes legendas avaliam que a liderança nas pesquisas nunca foi suficiente para garantir a candidatura do senador. Embora reconhecessem seu potencial eleitoral, interlocutores envolvidos nas negociações afirmavam haver dúvidas sobre sua disposição para disputar o cargo e sobre sua capacidade de administrar um estado com a complexidade política e fiscal de Minas Gerais.A decisão do Republicanos indica que, diante da demora do senador, o partido optou por priorizar uma candidatura considerada mais previsível para a montagem das alianças estaduais e nacionais.No fim, Cleitinho deve deixar a pré-campanha como o nome mais competitivo nas pesquisas e, ao mesmo tempo, fora da disputa. A indefinição preservou seu capital eleitoral, mas custou o apoio partidário necessário para transformá-lo em candidato.The post Cleitinho lidera as pesquisas, mas perde a candidatura: o que aconteceu em Minas appeared first on InfoMoney.