Magazine Luiza (MGLU3): Citi corta preço-alvo e vê pressão no online; o que fazer com as ações?

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O Citi cortou o preço-alvo do Magazine Luiza (MGLU3) de R$ 6,50 para R$ 6 por ação, mantendo a recomendação neutra/alto risco para a varejista. O banco atualizou o modelo antes dos resultados do segundo trimestre, de olho no bom desempenho das lojas físicas, enquanto o online enfrenta dificuldades.A equipe de analistas também incorporou ao modelo as premissas revisadas do Citi para a taxa básica de juros (Selic) em 2026 e 2027, de 14,5% e 13,8%, respectivamente, ante 14,3% e13,3% anteriormente. “Embora continuemos construtivos em relação às lojas físicas, projetando crescimento de aproximadamente 8% nas vendas mesmas lojas (SSS) no 2T26 (ante cerca de 6% no 1T26), estamos ficando mais cautelosos com as tendências do canal online, apesar do impulso proporcionado pela Copa do Mundo”, diz o Citi. O banco projeta que as vendas de 1P (estoque próprio) e 3P (marketplace) fiquem amplamente em linha com o primeiro trimestre do ano, com quedas de 8% e 12% na comparação anual, respectivamente, refletindo a maior pressão competitiva dos marketplaces.O ponto positivo, na leitura dos analistas, é a continuidade da disciplina nas despesas operacionais (opex), que deve compensar a maior parte da desalavancagem operacional, limitando a contração da margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustada a apenas 30 pontos-base na comparação anual, apesar de uma queda de 2% na receita. Incorporando essas mudanças, o Citi reduziu as estimativas de lucro em 9% e 16% para 2026 e 2027, respectivamente. O Magazine Luiza divulga os números referentes ao período de abril a junho no dia 6 de agosto, após o fechamento do mercado. A teleconferência sobre os resultados está marcada para o dia seguinte. O momento do Magazine LuizaA varesjita entrou em um novo ciclo do negócio, voltado para o desenvolvimento e aplicação de Inteligência Artificial. Frederico Trajano, CEO da companhia, atua desde a sua entrada com ciclos de cinco anos, sendo que o primeiro foi o da digitalização e o segundo da formação do ecossistema.Na Bolsa, as ações amargam queda acumulada no ano da ordem de 46%. Na leitura de Caroline Sanchez, analista da Levante Corp., não existe apenas um motivo que justifique o desempenho negativo na Bolsa, mas, sim, um conjunto de pressões simultâneas que derrubam as ações e criam um desafio para a tradicional varejista.Neste sentido, Sanchez destaca três fatores: o impacto da taxa básica de juros (Selic) nas despesas financeiras; o acirramento da concorrência no e-commerce; e o comportamento do consumidor.Frederico Trajano não é de falar em entrevistas sobre o preço das ações, mas abordou o tema em entrevista para o podcast Market Makers, parceiro do Money Times. Em suas falas, que seu foco enquanto executivo está, sim, na geração de valor aos acionistas e demais stakeholders (partes envolvidas). No entanto, com a compreensão de que nem tudo está sob o seu controle — como os juros, aspecto que machuca o desempenho dos papéis.“Para qualquer CEO responsável por uma empresa de capital aberto, se você disser que não olha para o preço de tela e falar que isso não é importante, não é verdade. São, sim, aspectos relevantes, especialmente quando se considera o longo prazo”, afirmou, em uma dessas raras falas diretas sobre o assunto.Afirmou, no entanto, que busca refletir sobre o que está ou não ao seu alcance. “Eu procuro focar naquilo que eu controlo. No curto prazo, eu controlo fundamento da companhia e, no longo prazo, isso vai se refletir no preço da companhia, dado o momento de mercado”, disse ao Market Makers.Leia mais: ‘Não perdi minha serenidade e convicção’, diz Fred Trajano sobre queda da ação do Magazine Luiza (MGLU3) no ano – Money Times