Por que Snapchat, YouTube e LinkedIn declararam guerra ao ‘lixo de IA’?

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O Snapchat se juntou a um movimento cada vez mais forte liderado por gigantes como YouTube, LinkedIn e Substack para combater a proliferação de textos, imagens e vídeos falsos gerados integralmente por ferramentas de inteligência artificial.Esse tipo de publicação, frequentemente chamado na indústria de “AI slop” (ou “lixo de IA”), se espalhou rapidamente pela internet à medida que a corrida tecnológica facilitou o acesso a programas capazes de criar desde redações inteiras a vídeos ultra-realistas em questão de segundos.A Snap, empresa responsável pelo Snapchat, anunciou que deixará de recomendar vídeos criados inteiramente por IA em sua popular aba Spotlight. Em vez disso, a prioridade voltará a ser o “conteúdo autêntico e feito por humanos”.A empresa fez questão de esclarecer que não proibirá totalmente o uso da tecnologia — materiais que apenas utilizem IA como auxílio de edição ou aprimoramento continuarão aparecendo no feed. No entanto, a Snap reconheceu abertamente que materiais 100% automatizados tendem a ser de baixa qualidade, repetitivos e distantes do que a comunidade deseja consumir.De acordo com a BBC, pesquisas recentes sobre o comportamento dos usuários confirmam essa insatisfação. Além disso, um levantamento paralelo apontou um efeito colateral preocupante: quanto mais conteúdos falsos gerados por IA as pessoas veem nas redes sociais, menor é a confiança delas na veracidade de qualquer outra publicação que encontram online.Como o LinkedIn e o Substack se posicionam?O cenário reflete um incômodo generalizado. Chris Best, cofundador e CEO da plataforma de newsletters Substack, desabafou recentemente ao apresentar uma ferramenta para leitores identificarem textos criados por algoritmos: “Está cada vez mais difícil saber o que é real na internet”.Best citou dados que indicam que até 40% dos textos publicados em redes sociais atualmente já são falsos ou automatizados por IA. “Plataformas que recompensam o conteúdo falso vão criar uma corrida rumo ao fundo do poço”, alertou o executivo.No LinkedIn, focado no ambiente profissional, a reação também foi enérgica. A rede lançou um recurso que permite aos usuários denunciarem postagens ou comentários com suspeita de autoria robótica.Segundo Hari Srinivasan, diretor de produtos do LinkedIn, combater o “lixo de IA” virou prioridade máxima. Apenas nos últimos meses, a rede bloqueou bilhões de tentativas de comentários automatizados, interceptando centenas de milhares de spams diariamente. Como parte da nova política, o LinkedIn também removeu um atalho automático que sugeria aos usuários “melhorar o texto com IA” antes de publicar, retornando a uma ferramenta simples de revisão gramatical.Mudanças no YouTube O YouTube também atualizou suas diretrizes de monetização para desestimular o preenchimento da plataforma com o que chama de “conteúdo inautêntico”. Investigações realizadas no último ano revelaram a existência de centenas de canais operados exclusivamente por IA — muitos deles acumulando milhões de inscritos e faturando fortunas.YouTube corta a fonte de renda dos “canais sintéticos” – Imagem: Alex Photo Stock/ShutterstockPara conter o avanço dessas “fazendas de conteúdo”, a plataforma de vídeos pertencente ao Google estabeleceu três critérios de vídeos que perderão o direito de gerar receita publicitária: produções genéricas, repetitivas ou baseadas em modelos padronizados.Matt Halprin, chefe da divisão de Confiança e Segurança do YouTube, ressaltou em entrevista que, embora a inteligência artificial possa ser uma aliada criativa de valor, ela vem sendo usada de forma abusiva para a criação de vídeos em massa e sem qualidade. “A mesma tecnologia que permite criar coisas incríveis também possibilita a criação de materiais descartáveis voltados apenas para ‘minar’ visualizações. E é exatamente esse tipo de conteúdo que não queremos em nossa rede”, concluiu.O post Por que Snapchat, YouTube e LinkedIn declararam guerra ao ‘lixo de IA’? apareceu primeiro em Olhar Digital.