O senador Flávio Bolsonaro (PL) é um dos advogados que assina o documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (29/7), no qual é afirmado que Jair Bolsonaro (PL) não autorizou o uso de sua imagem e voz para a criação de um vídeo produzido por inteligência artificial, divulgado na convenção do PL que lançou o próprio Flávio como candidato à Presidência da República.No vídeo sintético, Jair Bolsonaro apoia a candidatura do filho: “Peço que vocês recebam, de braços abertos, a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue, meu filho Flávio. Vem com fé, o Brasil tem futuro e o futuro é Flávio Bolsonaro presidente”.Após a divulgação da produção por IA o ministro Alexandre de Moraes pediu esclarecimentos à defesa. Nesta quarta-feira (29/7), os defensores, incluindo Flávio, o responderam. Os advogados argumentam que Bolsonaro nem sequer teria condições de conceder tal autorização, devido às restrições impostas por Moraes.Os defensores lembram que o ex-presidente cumpre uma suspensão de 30 dias no direito de visitas, enquanto seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, está impedido de visitá-lo por um prazo de 90 dias. Leia também Manoela AlcântaraDefesa nega que Bolsonaro tenha autorizado uso de vídeo com IA Manoela AlcântaraMoraes dá 48h para defesa de Bolsonaro esclarecer se autorizou IA na convenção de Flávio BrasilDefesa de Flávio compara vídeo de IA de Bolsonaro a bonecos e cartazes Manoela AlcântaraFlávio cita máscaras de Lula para rebater ação do PT sobre IA de Bolsonaro Para a defesa, essa falta de contato físico e comunicação direta evidencia a impossibilidade de qualquer combinação prévia para a elaboração do material.A resposta ocorreu após Moraes determinar esclarecimentos se Bolsonaro autorizou ou não o uso da imagem gerada por IA. O ministro ressalta possível descumprimento das medidas impostas na prisão domiciliar.“Eventual concordância de Jair Bolsonaro com a divulgação de um vídeo produzido por IA, e amplamente divulgado nas redes sociais, contendo sua imagem e declarações ostensivamente político-eleitorais constituiria nova e grave transgressão à decisão judicial, poucos dias após ser sancionado, e passível de reversão da prisão domiciliar humanitária para o regime fechado”, disse o ministro da decisão.“Prática contínua”Apesar da negativa específica sobre o vídeo em questão, os advogados ressaltaram que o uso da imagem pública de Bolsonaro pelos seus filhos é uma “prática notória e contínua” desde o período em que ele exercia a Presidência da República.A defesa ressalta que fotos, gravações e discursos públicos do ex-presidente sempre foram usados em atividades político-partidárias da família sem qualquer oposição, fundamentando-se na “relação de confiança existente entre pai e filhos”.