Uma campanha ativa desde janeiro deste ano utiliza chamadas falsas via Microsoft Teams para convencer funcionários a conceder acesso remoto a cibercriminosos. Pesquisadores da Zscaler ThreatLabz identificaram que os invasores utilizam uma família de backdoors chamada GoGRPC para roubar dados e vender informações para grupos de ransomware.Através de um extenso relatório, a firma de cibersegurança explica que a ofensiva é iniciada com uma técnica chamada de spam bombing. Esse é o termo técnico usado para descrever uma inundação repentina e massiva de e-mails indesejados na caixa de entrada da vítima. Isso deixa o trabalho do funcionário basicamente paralisado.Com a frustração de não conseguir executar suas tarefas, uma chamada no Microsoft Teams começa a tocar. Ao atender o chamado, o usuário começa a conversar com alguém aparentemente confiável, com tom de voz calmo, e que se apresenta como parte da equipe de TI da empresa.Esse agente oferece uma solução rápida: abrir o recurso de Quick Assist do Windows destinado para suporte remoto. Assim que o usuário permite o acesso para essa pessoa, os criminosos ganham um caminho direto para o computador da vítima, sem precisar distribuir um malware ou recorrer a ataques de phishing.Forma de ataque utilizada pelos criminosos (Imagem: Zscaler ThreatLabz/reprodução)O principal perigo desse golpe é que ele utiliza a engenharia social para convencer a vítima a abrir o Quick Assist e todo o processo vem de ferramentas autênticas do Windows e da Microsoft. Ao ter o controle dos computadores, os criminosos vendem esses dados para quadrilhas de ransomware realizarem ataques.Ladrões profissionaisA Zscaler ThreatLabz classifica esses criminosos como Initial Access Brokers, ou Corretores de Acesso Inicial, em tradução livre. É como se esses agentes fossem especialistas em destrancar portas de lojas para que os verdadeiros ladrões entrem e roubem todos os itens rapidamente.Ao obter acesso do sistema via Quick Assist, os atores mal-intencionados abrem o PowerShell e inserem scripts ocultos que baixam o protagonista desta campanha: o malware GoGRPC. Esse é um vírus escrito na linguagem Go e que funciona como um backdoor, ou seja, uma brecha oculta no sistema.O interessante desse malware é que ele se comunica com os criminosos ao utilizar o protocolo gRPC. Essa é uma tecnologia criada pelo Google para conectar serviços modernos de internet. Por ser um recurso legítimo, os hackers utilizam o serviço para se camuflar na rede e burlam os sistemas de detecção.Pastas das backdoors variantes do GoGRPC (Imagem: Zscaler ThreatLabz/reprodução)Desde janeiro de 2026, os pesquisadores já identificaram quatro grandes evoluções do GoGRPC:Lep (Janeiro): A primeira versão, com foco em identificar a máquina e garantir persistência;Giver (Fevereiro): Adicionou capacidade de operar sem limites de tempo;Pet (Abril): Um salto em furtividade, introduzindo técnicas de ofuscação e criptografia TLS para esconder a comunicação;Kind (Junho): A versão mais recente e perigosa, que ofusca até mesmo a estrutura de comunicação do gRPC, focando em ambientes corporativos pesados.Além do GoGRPC, os hackers começaram a distribuir outras ferramentas para criar túneis invisíveis na rede corporativa da vítima. Os especialistas encontraram proxies reversos, chamados de RevSocket (escrito em Go), PyGRCP (Python) e o RSOX (Rust), encontrado recentemente. Esses proxies funcionam como uma “ponte” para atacar camadas mais profundas dos servidores da empresa.Como se proteger?Embora o golpe do GoGRPC seja bem elaborado, basta poucas etapas para evitá-lo. Uma boa dica é sempre desconfiar de contatos inesperados, uma vez que os times de TI raramente ligam de surpresa para resolver um problema que você nem chegou a relatar em um chamado oficial.Se a sua empresa utiliza outras ferramentas oficiais para suporte, como o TeamViewer ou o AnyDesk, desinstale ou bloqueie o Quick Assist. Se não for necessário, remova-o do computador, já que há outras ferramentas melhores para essa função.Por falar em golpes bem perigosos, uma campanha maliciosa explorava vulnerabilidades no serviço de email Zimbra para roubar dados de forma invisível. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.