A renda fixa continuou sendo o principal motor do mercado de capitais brasileiro no primeiro semestre de 2026. As emissões do segmento somaram R$ 288,8 bilhões, respondendo pela maior parte das captações realizadas no período e consolidando a classe como a principal fonte de financiamento das empresas, segundo levantamento divulgado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).Embora a liderança permaneça incontestável, os dados mostram uma mudança importante no perfil do mercado. A renda fixa tradicional perdeu espaço relativo para instrumentos híbridos, enquanto produtos voltados aos setores imobiliário e do agronegócio passaram por uma reorganização das captações.As debêntures continuaram como o principal instrumento de financiamento. No primeiro semestre, as emissões somaram R$ 169,8 bilhões. O volume ficou 12,1% abaixo do registrado um ano antes, mas o número de operações aumentou de 268 para 278, indicando um mercado mais pulverizado, com maior quantidade de emissões.Outro destaque foi o avanço das debêntures incentivadas. Esses papéis responderam por 38,3% do volume emitido, praticamente o dobro da participação observada entre 2020 e 2023, refletindo a crescente demanda por títulos ligados a projetos de infraestrutura e com benefício tributário para pessoas físicas. Mais da metade das emissões foi destinada ao setor de energia elétrica.Híbridos ganham terrenoA transformação também aparece entre os instrumentos ligados ao mercado imobiliário e ao agronegócio.Enquanto os CRIs tiveram queda de 15,8% nas emissões, para R$ 20,3 bilhões, e os CRAs recuaram 50,4%, para R$ 7,1 bilhões, os veículos híbridos avançaram em ritmo acelerado.As ofertas de FIIs alcançaram R$ 39,5 bilhões, mais que o dobro do observado no primeiro semestre de 2025 e o maior volume da série histórica para o período. Já os Fiagros movimentaram R$ 8,3 bilhões, quase quatro vezes acima do registrado um ano antes, também em nível recorde. Segundo a Anbima, o crescimento foi impulsionado principalmente por pessoas físicas e fundos de investimento.O movimento mostra que o mercado de renda fixa está ficando mais sofisticado. Em vez de concentrar as captações apenas nos instrumentos tradicionais de securitização, emissores e investidores passaram a recorrer cada vez mais aos produtos híbridos, que vêm ganhando relevância dentro do mercado de capitais.Mercado secundário com mais liquidezAlém das emissões, a negociação de títulos também acelerou. O volume movimentado no mercado secundário de debêntures chegou a R$ 494,6 bilhões no primeiro semestre, alta de 20,6% em relação ao mesmo período de 2025.As debêntures incentivadas lideraram esse avanço, com crescimento de 27,9% nas negociações, acima da alta de 15,4% observada para as debêntures corporativas. O desempenho indica um mercado mais líquido, facilitando a compra e venda desses títulos pelos investidores.