O Santander Brasil (SANB11) abriu a temporada de balanços dos grandes bancos com números abaixo do esperado. Com isso, as ações da instituição lideraram as perdas do Ibovespa (IBOV) nesta quarta-feira (29). Para Utain Maciel, head de renda variável da TCM Capital, o principal alerta do resultado foi o aumento das provisões para devedores duvidosos (PDD) — um registro financeiro preventivo que estima o valor das contas a receber que uma empresa corre o risco de não conseguir cobrar.O avanço das provisões aumentou a preocupação com a qualidade da carteira de crédito do banco em um cenário de juros ainda elevados, destaca Maciel durante participação no Giro do Mercado, do Money Times.Assista abaixo o Giro do Mercado na íntegra:Segundo o gestor, o banco atribuiu parte da alta a um ajuste pontual na carteira de atacado. Ainda assim, os investidores passaram a ver mais risco na operação diante da possibilidade de dificuldades financeiras entre empresas expostas ao ambiente de crédito mais restritivo.A rentabilidade também pesou na reação ao balanço. O Santander registrou retorno sobre patrimônio líquido (ROE) de 12,5% no segundo trimestre, abaixo dos cerca de 16% registrados no mesmo período do ano passado.“Hoje, o ROE do Santander está abaixo da Selic e isso é muito preocupante”, afirmou Maciel. Na avaliação do gestor, os investidores costumam esperar um ROE próximo de 20% nos grandes bancos, enquanto instituições como o Itaú frequentemente operam acima desse nível.Apesar da reação negativa, Maciel avalia que a queda das ações pode ter sido exagerada. “Acho que tem um exagero na cotação de hoje”, disse. Para o especialista, a forte reação refletiu o susto dos investidores com os números do trimestre.Maciel ponderou que o resultado do Santander não deve ser visto como um retrato de todo o setor bancário. Na avaliação dele, o Itaú (ITUB4) deve seguir com resultados resilientes, enquanto o Bradesco (BBDC4) tende a avançar em seu processo de recuperação.Com o Santander abrindo a temporada de balanços dos bancões, os investidores agora aguardam os próximos resultados para saber se a pressão sobre o banco foi um caso isolado ou se os demais bancos também enfrentarão um cenário mais desafiador.*Sob supervisão de Juliana Américo