O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), decidiu, pela quinta vez seguida, manter a taxa de juros dos Estados Unidos no intervalo de 3,50% e 3,75%. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (29/7), depois da quinta reunião do órgão em 2026.A estimativa de que os juros seriam mantidos no atual patamar era majoritária entre analistas de mercado, embora não fosse consensual. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, essa opção somava 64,2% de chances. Leia também NegóciosFed mantém juros nos EUA na 1ª decisão liderada por indicado de Trump NegóciosTrump diz que fica “desapontado” se novo chefe do Fed não baixar juros NegóciosFed está dividido sobre ritmo e intensidade de corte de juros NegóciosFed mantém inalterados os juros dos Estados Unidos pela 2ª vez Havia, contudo, 35,8% de possibilidades, um percentual nada desprezível, de um aumento de 0,25 ponto percentual da taxa. Essas projeções são feitas com base nas negociações dos contratos futuros de “fed funds”, as reservas que as instituições financeiras mantêm no Fed.A reunião desta quarta-feira foi a segunda comandada pelo novo presidente do Fed, Kevin Warsh (foto em destaque). Ele assumiu o cargo em maio, depois de ter sido indicado ao posto pelo presidente Donald Trump — um ferrenho defensor da redução dos juros.“Sem tolerância”Em depoimento ao Congresso, em julho, Warsh disse, porém, que o Fomc “não tem tolerância para inflação persistentemente elevada”. Na ocasião, ele reafirmou o compromisso do BC com a meta inflacionária de 2% ao ano.A economia americana vem dando sinais de perda de fôlego, embora ainda esteja avançando. Em junho, foram criadas 57 mil vagas de empregos nos Estados Unidos. O número representou uma desaceleração sobre maio, quando foram criados 172 mil postos de trabalho e ficou muito abaixo do esperado pelo mercado, que previa 110 mil vagas.InflaçãoO índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) caiu 0,4% em junho. Esse foi o maior recuo mensal desde abril de 2020. Em doze meses, a inflação desacelerou de 4,2% para 3,5%. O núcleo do indicador, que exclui itens mais voláteis (no caso, alimentos e energia), avançou 2,6% no mesmo período.Nem todos os dados sobre a inflação, contudo, apontam para a mesma direção. Em maio, o índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE, em inglês) absorveu choques energéticos provocados pela guerra entre Estados Unidos e Irã e saltou de 3,4% para 4,1%.DéficitNo campo fiscal, o déficit orçamentário segue elevado e a relação dívida/PIB permanece acima de 120%, com o Fundo Monetário Internacional (FMI) estimando a dívida geral do governo em 123,9% do produto e projetando crescimento de 2,4% para 2026 em base trimestre contra trimestre do ano anterior.Até o fim do ano, o Fomc realizará mais três reuniões (em setembro, outubro e dezembro). Em duas delas, o mercado acredita que o órgão do Fed poderá elevar os juros.Efeito dos jurosA taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando o BC mantém os juros elevados, a atividade econômica tende a desaquecer. Com isso, espera-se uma redução de preços e uma queda no mercado de trabalho.A última redução dos juros nos Estados Unidos ocorreu em dezembro de 2025. A taxa foi cortada em 0,25 ponto percentual, passando para o atual intervalo de 3,50% e 3,75%.