O Ibovespa (IBOV) ganhou mais de 3 mil pontos na ‘carona’ do apetite a risco no mercado global, em dia agitado por dados econômicos no Brasil e nos Estados Unidos. Os balanços corporativos ficaram no radar. Nesta quinta-feira (30), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com alta de 1,88%, aos 177.158,86 pontos, na máxima intradia. Com o avanço, o IBOV voltou ao território positivo no acumulado da semana com ganho de 1,78%. Já o dólar à vista encerrou as negociações a R$ 5,0611, com queda de 0,93%.Por aqui, o mercado consolidou a aposta de corte de 25 pontos-base na taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, após a decisão sobre juros nos Estados Unidos na véspera e novos dados do mercado de trabalho. Pela manhã, a curva a termo precificava praticamente 100% de probabilidade de redução na Selic próxima quarta-feira (5) e as chances de um novo corte em setembro também aumentaram para cerca de 50%, segundo Flávio Serrano, economista-chefe do banco Bmg.Entre os dados, a taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4% nos três meses até junho, segundo dados do IBGE divulgados nesta manhã, em linha com a previsão dos analistas consultados pela Reuters. Trata-se do menor patamar para o intervalo na série histórica iniciada em 2012.Para a economista Claudia Moreno, do C6 Bank, a mensagem que os dados da Pnad trazem segue a mesma dos últimos meses: o mercado de trabalho brasileiro continua aquecido, apesar de alguma moderação no crescimento da renda. “Mesmo que a desaceleração da atividade econômica possa reduzir o ritmo de criação de vagas ao longo de 2026, esperamos que a taxa de desemprego permaneça em níveis historicamente baixos”, afirmou ela. A projeção do C6 é que o indicador encerre o ano em torno de 5,5%.Altas e quedas do IbovespaCom o alívio na curva de juros futuros, as ações cíclicas ganharam fôlego ao longo do pregão. MBRF (MBRF3) liderou a ponta positiva do IBOV, com alta de 7,80% (R$ 17,96), com a expectativa de alívio no custo da produção após a liberação da entrada de gado do México nos EUA. As cotações são preliminares. Os pesos-pesados também foram os patrocinadores da alta do Ibovespa. O Índice Financeiro (IFNC) terminou o pregão com alta de 1,41%, apesar da fraqueza das ações do Bradesco (BBDC4), em reação ao aumento de capital, e do Santander (SANB11) após o JP Morgan rebaixar o papel para neutro em ajuste aos números do 2T26. BBDC4 fechou estável a R$ 18,35, e SANB11 caiu 1,09% (R$ 25,35).Vale (VALE3), que detém 11% de participação do índice, encerrou o dia com alta de 1,15% (R$ 75,91), com os investidores à espera do balanço do 2T26. A mineradora já adiantou ter entregado o melhor segundo trimestre desde 2018, impulsionada por uma produção robusta e preços favoráveis de suas commodities. Contudo, a principal preocupação que ronda os resultados é a evolução dos custos.Petrobras (PETR4;PETR3) também acompanhou o apetite doméstico e destoou do tom negativo dos preços do petróleo. PETR3 subiu 2,04% (R$ 48,48) e PETR4 registrou ganho de 1,64% (R$ 42,69).Bancos, Vale e Petrobras correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa. Já a ponta negativa do IBOV foi liderado pela Usiminas (USIM5), que caiu 9,50% (R$ 7,53), em reação ao balanço trimestral. Na avaliação de analistas, o balanço mostrou uma recuperação consistente da operação de siderurgia, impulsionada por reajustes de preços e um mix de vendas mais favorável. Ainda assim, o mercado segue olhando para o segundo semestre, quando a companhia deve enfrentar custos mais elevados, uma mineração mais fraca e o desafio de continuar elevando os preços do aço para preservar as margens.Exterior Os índices de Wall Street tiveram um dia de fortes ganhos, em recuperação das perdas da véspera, com melhora do apetite a risco e reação ao balanço da Microsoft (MSFT). A ação da companhia disparou 15,5% e fechou cotada a US$ 451,10.Confira o fechamento dos índices:Dow Jones: +1,19%, aos 512.208,06 pontos;S&P 500: +1,66%, aos 7.437,63 pontos;Nasdaq: +2,78%, aos 25.122,177 pontos.Na Europa, os índices fecharam o pregão em alta com novos dados. Em destaque, a economia da zona do euro cresceu 1,8% em termos anualizados, superando o crescimento nos EUA, que foi de 1,5% no período. Com o resultado mais robusto, o índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou as negociações com avanço de 0,77%, aos 649,95 pontos.A exceção foi o FTSE 100, de Londres, que caiu 0,10%, aos 10.897,27 pontos, após o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) manteve os juros em 3,75% ao ano, em uma decisão não-unânime: dos 9 membros, três voltaram pela alta de 0,25 ponto percentual nos juros.A dissidência foi maior do que a esperada pela maioria dos economistas consultados pela Reuters, que projetavam manutenção dos juros por 7 votos a 2.Na Ásia, os índices terminaram a sessão em alta: o índice Nikkei, do Japão, subiu 0,71%, aos 61.867,43 pontos, e o índice Hang Seng, de Hong Kong teve avanço de 0,20%, aos 25.858,88 pontos pontos.