Somente uma Câmera Operacional Portátil (COP) da Polícia Militar (PM) gravou a ação que resultou na morte de um homem rendido em Cidade Ademar, na zona sul de São Paulo, em 4 de maio. O equipamento, no entanto, foi acionado tardiamente, e flagrou apenas o último de ao menos oito disparos efetuados.Quatro tiros acertaram Paulo Henrique Alves do Nascimento, de 20 anos. Ele estava com outro homem em um GM/Montana quando colidiram contra uma viatura da PM após uma breve perseguição que acabou na rua Claudio Muzio, em Cidade Ademar, segundo o boletim de ocorrência.Conforme o registro policial, Paulo permaneceu no banco do passageiro do carro e portava uma arma de fogo quando foi alvejado. As imagens mostram, contudo, que o rapaz estava rendido, com as mãos posicionadas sobre o painel do carro. O outro suspeito saiu do veículo e foi preso em flagrante.Um morador testemunhou a abordagem e gravou a ação em um vídeo. Veja:Nas imagens, é possível ouvir ao menos oito disparos efetuados por um policial das Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota). Todos os agentes usavam a COP, como informa o boletim, mas somente uma das câmeras ajuda a compreender a dinâmica dos fatos, concluiu a Polícia Civil, que apura o caso. Essa câmera registrou apenas o último disparo efetuado.Após ser cobrada sobre as gravações dos equipamentos dos outros policiais, a PM informou ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) que as COPs operam somente com o acionamento do próprio policial militar. Ao serem acionadas, as câmeras recuperam os 90 segundos anteriores. O agente, então, teria ligado o equipamento cerca de um minuto e meio após os tiros que tiraram a vida de Paulo. Leia também São PauloPM dá cotovelada e chutes no rosto de homem rendido em Heliópolis São PauloPMs são afastados após morte de suspeito rendido na zona sul São PauloVídeo: PM mente sobre agressão que deixou homem rendido desacordado São PauloPMs que mataram homem rendido vão responder por homicídio qualificado Após pedido do Ministério Público do Estado (MPSP), na quarta-feira (29/7), a 4ª Vara do Júri do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) oficiou a Polícia Militar para que a corporação forneça todas as imagens da ocorrência e também a cópia integral das comunicações de rádio entre as viaturas utilizadas no evento e a Central de Operações.A reportagem solicitou uma manifestação sobre o tema à Secretaria da Segurança Pública (SSP). Em nota, a pasta informou que “a Polícia Militar já disponibilizou anteriormente o acesso às imagens dessa ocorrência” e que “cumprirá a nova determinação da Justiça”.Rota enviou imagens do ano passadoA Rota chegou a enviar imagens de câmeras corporais após solicitação da Polícia Civil, mas o conteúdo se referia a uma ocorrência de junho do ano passado.Informada do erro pelos investigadores, a corporação encaminhou um vídeo incompleto da ocorrência, como apontou o advogado à Justiça.Após as inconsistências no envio das imagens, o advogado pediu que sejam apuradas possíveis fraude processual ou supressão de documento por parte da Rota, crimes previstos no Código Penal.Desde o apontamento das incoerências, a PM não se manifestou mais nos autos, conforme apurou o Metrópoles.PMs foram afastados das ruas, diz SSPÀ época, a SSP informou a reportagem que os policiais militares foram afastados do serviço operacional. Não foi informado o número de agentes envolvidos na ocorrência e nem se todos eles receberam a mesma punição. As armas dos policiais foram apreendidas e passam por perícia, e as imagens captadas pelas câmeras corporais estão sendo analisadas, disse a pasta na semana do ocorrido.Ainda segundo a secretaria, foram apreendidos uma pistola calibre 9mm e porções de maconha, cocaína, crack e lança-perfume. O suspeito baleado morreu no Hospital Pedreira, também na zona sul paulistana. Testemunhas oculares afirmam, no entanto, que o rapaz foi retirado morto do local (veja vídeo acima).Conforme a nota, todas as circunstâncias dos fatos são investigadas pelo DHPP, da Polícia Civil. Além disso, a PM instaurou um inquérito próprio para apurar a dinâmica da ocorrência. Exames periciais foram requisitados ao Instituto de Criminalística (IC) e ao Instituto Médico Legal (IML) para auxiliar nas investigações.