A Apple tenta minar a relação entre os Estados Unidos e o Brasil após uma recente decisão do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), acusou o CEO da Epic Games, Tim Sweeney. Segundo a Folha de São Paulo, a declaração do executivo aconteceu na última quinta-feira (30) durante uma coletiva de imprensa virtual com jornalistas brasileiros. Em resposta, a Apple afirmou que as declarações são falsas e que continua trabalhando para apoiar desenvolvedores do país.Segundo o executivo, "a Apple está tentando destruir as boas relações entre nossos países [Brasil e EUA] para preservar sua capacidade de continuar violando a lei e cobrando taxas ilegais". "A Apple está violando a lei no Brasil e seus aliados no governo dos Estados Unidos, em especial no escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), e estão constantemente ameaçando todos esses importantes parceiros internacionais", disse Sweeney.O CEO da Epic Games, Tim Sweeney, acusa a Apple de minar a relação do Brasil com os Estados Unidos. (Fonte: ymgerman/GettyImages).Foi o USTR que sugeriu a aplicação das últimas tarifas a produtos brasileiros ao presidente Donald Trump. As novas taxas, que vigoram desde 22 de julho, foram justificadas como forma de punir práticas brasileiras relacionadas a comércio digital e serviços de pagamento.Apple estaria "retaliando" ordem do CadeEm dezembro de 2025, o Cade formou maioria para exigir que a Apple abrisse o iOS para lojas de aplicativos alternativas. A mudança só foi implementada pela empresa no iOS 26.5, lançado em meados de junho.Saiba mais: Confira as primeiras lojas de apps alternativas para iPhoneA Epic Games e a Apple não têm uma boa relação há anos. Ambas se enfrentaram em processos judiciais no mundo inteiro, cujas consequências efetivamente mudaram o mercado internacional de distribuição de software mobile.Para Sweeney, a suposta intervenção da Apple nas relações internacionais é "preocupante e representa uma ameaça à democracia" nos EUA, no Brasil e na Europa. "A Apple tem agido de forma extremamente descarada e sem qualquer constrangimento nesse sentido. Esperamos que, um dia, ela seja responsabilizada. É vergonhoso que uma empresa americana interfira nas boas relações internacionais dessa maneira", afirmou o CEO.Epic Games está disponível para o iPhone brasileiroNesta quinta (30), a Epic Games lançou a própria loja de aplicativos para iOS no Brasil. Contudo, Sweeney se queixou das condições impostas pela Apple nesta abertura, como taxas para transações feitas fora da App Store – 21% para compras intermediadas por sistemas de pagamentos de terceiros; 15% sobre compras feitas na internet originadas de um app; 5% sobre o faturamento de qualquer loja virtual instalada em dispositivos da marca."Os serviços de pagamento comuns cobram taxas de 2% ou 3%. Esse é o custo real do processamento de pagamentos. A Apple mais do que dobra esse valor e cobra uma taxa sem fazer absolutamente nada", declarou o CEO da Epic.O executivo também reclamou do atrito desnecessário para a instalação de lojas externas no iPhone: o usuário brasileiro precisa passar por nove etapas para instalar um app; enquanto o processo na Europa é concluído em seis."A Apple tem os melhores designers de interface do mundo. Quando ela quer criar uma ótima interface, ela faz isso com enorme sucesso. Por isso, quando você vê a Apple criar uma interface ruim, você sabe que é intencional e que atende aos interesses comerciais da empresa, e não a qualquer motivo legítimo", argumentou Sweeney.Sweeney acusa Apple de obrigar instalação de spywareNa estreia no iPhone brasileiro, a loja da Epic Games chega apenas com Rocket League Sideswipe e Fortnite, ambos desenvolvidos pela própria companhia. De acordo com Sweeney, não há jogos de outros desenvolvedores porque a Apple exige a instalação de um "spyware" para monitorar transações comerciais."A Apple exige que os desenvolvedores instalem uma espécie de 'spyware', que envia de volta à empresa todas as informações sobre as transações comerciais realizadas nas lojas de terceiros. Em primeiro lugar, integrar esse 'spyware' ao aplicativo dá bastante trabalho, então muitos desenvolvedores simplesmente não querem fazer isso. Em segundo lugar, muitos têm uma objeção moral a permitir que a Apple monitore as transações entre eles e seus clientes", argumentou Sweeney.O CEO da Epic diz que vai acionar o Cade para rever os obstáculos impostos pela Apple às lojas de apps alternativas.Apple diz que alegações são falsasÀ Folha, a Apple disse que as declarações de Tim Sweeney são falsas e afirmou que continuará trabalhando para apoiar desenvolvedores brasileiros. A empresa mencionou ter firmado um acordo com o Cade para oferecer comissões reduzidas e abertura a outras formas de pagamento e distribuição de aplicativos, e reforçou que colabora com órgãos reguladores nacionais para preservar salvaguardas importantes no ambiente digital.Quanto ao monitoramento de transações em apps externos, a Apple afirmou que classificá-lo como "spyware" é incorreto. A empresa exige relatórios precisos de vendas que geram pagamentos por uso de tecnologias e pagamentos de terceiros, o que também seria uma exigência para apps distribuídos pela loja oficial.Quer ficar por dentro das novidades do mundo da tecnologia? Acesse o TecMundo e acompanhe as últimas notícias sobre Apple, Epic Games e mercado de aplicativos.