Teste: etanol deixa Jeep Compass Blackhawk mais rápido e mais barato para rodar

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Carros híbridos e elétricos podem até estar em alta, mas outro tipo parece nunca sair de moda: os carros flex. Passados 23 anos desde a estreia do primeiro modelo movido a gasolina e etanol no Brasil, o Volkswagen Gol, eles tornaram-se quase que padrão para o mercado brasileiro. Não por acaso, sempre figuram entre as promessas de novas marcas no país (como a GWM, que acaba de tornar flex o Haval H6) e aparecem até entre marcas de luxo, como a BMW, com o Série 3 nacional.Versão tem as partes plásticas inferiores na cor da carroceriaFernando PIres/Quatro RodasE isso não escapa às tradicionais. Após dois anos de mercado, o Jeep Compass Blackhawk, versão esportiva com motor 2.0 turbo e que custa R$ 278.990, vira flex. Levamos o SUV para a nossa pista para atestar se a novidade provoca mudanças de consumo e desempenho com gasolina, combustível utilizado como padrão nos nossos testes. Porém, abrimos uma brecha para uma avaliação ainda mais completa: testamos o modelo também com etanol para fazer as contas se o combustível mais barato compensa e se a novidade faz sentido.O motor 2.0 turbo Hurricane com quatro cilindros não teve alterações em suas credenciais. Ele segue com 272 cv de potência a 5.200 rpm e 40,8 kgfm de torque a 3.000 rpm, independente do combustível utilizado. De acordo com a marca, para receber etanol no tanque, o Compass Blackhawk adotou nova bomba de combustível, velas de ignição e injetores, além de modificações no sistema de admissão e no turbo. O mapeamento do motor e do câmbio, o mesmo automático de nove marchas, também foram alterados.Espaço interno do Compass é suficiente, mas já há concorrentes mais atraentes; porta-malas tem 476 l e abertura elétricaFernando PIres/Quatro Rodas–Fernando PIres/Quatro Rodas–Fernando PIres/Quatro Rodas Continua após a publicidadeAs mudanças deram ainda mais fôlego ao SUV de pegada esportiva. Suas saídas e retomadas são rápidas, e as acelerações empolgam a ponto de nos fazer esquecer que estamos em um Jeep Compass, que nasce como um SUV médio convencional e não provoca muitas emoções nas versões com motor 1.3 turbo flex de 176 cv e 27,5 kgfm. O bom desempenho é reforçado pela tração 4×4 (com reduzida e seletor de terrenos, entre areia, neve e automático) e pelos pneus mais largos (235/45 R19), que segura o ímpeto do modelo de sair de dianteira, e pela maior sensibilidade do acelerador. O câmbio tem trocas ágeis e certeiras para todo tipo de condução, das mais empolgantes às mais tranquilas. E, sim, é totalmente possível guiar um Compass Blackhawk sem exigir dele tanta esportividade, mas apenas como um SUV de bom desempenho para situações corriqueiras. A suspensão tem ajuste exclusivo em relação às versões com motor 1.3 para dar conta do fôlego extra. Ao contrário do que se espera, o Compass não se torna duro na versão mais potente. Há uma clara firmeza para mantê-lo estável, mas uma maciez extra nas absorções, além de um curso maior nos amortecedores, que evita efeitos de “chicote” e pancadas secas nas compressões. A direção, por sua vez, está mais leve e direta, sem transmitir a sensação de peso das configurações convencionais.Motor flex gasta mais, mas compensa no bolsoFernando PIres/Quatro RodasTudo isso, porém, já era sentido no Blackhawk a gasolina. Agora surgem as comparações para entender se a transformação do modelo em flex faz sentido. Nos nossos testes, o modelo a gasolina foi de 0 a 100 km/h em 6,8 s. O flex levou 6,7 s com gasolina e 6,6 s com etanol, ou seja, ele está mais rápido mesmo com gasolina. As médias de consumo do antigo modelo foram de 9,3 km/l na cidade e 13,3 km/l na estrada. Aqui, ele cobra caro. Com gasolina, o 2.0 turbo flex chegou aos 8 km/l na cidade e 12,1 km/l na estrada, já com significativas pioras, que vão além com etanol. Neste caso, as médias caíram para 6,3 km/l na cidade e 9,1 km/l na estrada. Continua após a publicidadeFizemos as contas considerando os preços de R$ 6,62/litro para a gasolina e R$ 4,13/litro para o etanol, seguindo as médias nacionais divulgadas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) entre os dias 14 e 20 de junho de 2026. Ao dividir o valor do litro do combustível pelo consumo do veículo, com gasolina, o Compass flex tem o custo de R$ 0,83/km na cidade e R$ 0,55/km na estrada. Com etanol, os custos caem para R$ 0,65/km na cidade e R$ 0,45/km na estrada. Ou seja, apesar de o consumo com etanol assustar, ele é o mais vantajoso graças ao menor custo por litro. Mas vale o alerta: é necessário fazer as contas já que, caso o etanol tenha um valor mais próximo do cobrado pela gasolina (acima de 70% do valor da gasolina), ele deixa de ser vantajoso.Acabamento agrada, mas visual já não se destacaFernando PIres/Quatro RodasALÉM DAS CONTAS  Por ser a versão mais cara do Compass, a Blackhawk tem diferenciais na aparência e o pacote mais completo da gama. Por fora, o SUV dispensa qualquer detalhe cromado e os substitui por acabamentos em preto brilhante. Grade, detalhes nos para-choques, frisos das janelas e logotipos são sempre em preto para destacar as pretensões esportivas do modelo.Para não dizer que não há cromados, o único detalhe com o acabamento que faz por merecer são das duas chamativas saídas de escape na base do para-choque traseiro, que, ao menos por ora, são exclusivas da versão. As rodas de 19 polegadas são pretas com verniz fosco, e o desenho aberto deixa à mostra as capas vermelhas das pinças de freio – a disco nas quatro rodas. Continua após a publicidadeO interior também aposta no preto, tom presente inclusive nas colunas e na forração do teto. O painel tem materiais emborrachados no topo, bem como os painéis de porta. Ao centro há uma faixa macia com revestimento sintético, o mesmo visto em apoios de braço e no volante. Os bancos diferenciam–se pela mescla de outros tecidos, como camurça, e por padrões diferentes de cortes e costuras. O nome Blackhawk aparece no encosto dos bancos dianteiros. Por falar neles, há ajustes elétricos, mas ficam devendo aquecimento e ventilação.Há comandos no console central e seletor de terrenos; console traseiro tem saídas de ar-condicionado, portas USB e tomadaFernando PIres/–Fernando PIres/Quatro Rodas–Fernando PIres/Quatro RodasA versão topo de linha não tem opcionais, ou seja, todos os itens são de série. E a lista é boa. Ele tem faróis de led com fachos baixo e alto automáticos, faróis de neblina de led com função curva, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, câmera de ré, freio de estacionamento eletrônico com função auto hold, ar bizona, teto solar panorâmico com abertura, porta-malas com abertura elétrica automática por gestos, sensor de chuva, sistema de estacionamento semiautônomo, sete airbags e monitoramento de pressão dos pneus. Continua após a publicidadeA lista segue com piloto automático adaptativo, frenagem automática de emergência com detecção de veículos, pedestres e ciclistas, assistente de permanência em faixa, detector de fadiga, alerta de tráfego cruzado traseiro, alertas de pontos cegos e leitura de placas de velocidade. No quesito multimídia, o modelo tem uma central com tela de 10,1” já considerada pequena para os padrões atuais. Mais do que isso, o layout e o funcionamento lento já parecem antiquados, embora ela tenha Android Auto e Apple CarPlay sem fio. O quadro de instrumentos mede 10,25” e está um passo à frente em modernidade para a multimídia, com diferentes opções de mostradores e personalização de informações. A lista se completa com carregador de celular por indução, entradas USB-A e USB-C, e um sistema de som certificado pela Beats com 506 watts de potência e oito alto-falantes, além de um subwoofer, com boa qualidade sonora e graves pronunciados. É um pacote farto, mas o Compass Blackhawk fica devendo um sistema discreto, que já está presente no Commander equivalente: um sistema de câmeras 360o.Teto solar e rodas de 19” são de série; duas ponteiras de escape funcionais e capas vermelhas nos freios diferenciam a versãoFernando PIres/Quatro Rodas–Fernando PIres/Quatro Rodas–Fernando PIres/Quatro Rodas Continua após a publicidadeNo espaço interno o SUV vai bem, mas não impressiona. Atrás, duas pessoas de estatura média viajam com conforto suficiente. Incluir um terceiro ocupante na posição central pode gerar problemas no espaço lateral e para as pernas, já que o túnel central do assoalho é alto e o console central invade a área destinada às pernas. No console, ao menos, há duas portas USB, tomada e saídas de ar-condicionado. O porta-malas de 476 litros vai bem.O Jeep Compass Blackhawk flex mantém suas melhores virtudes em acabamento, tecnologia e, principalmente, desempenho. Caso você não abra mão da gasolina, ficará mais caro para abastecê-lo. Mas ele cumpre a função de um carro flex: tem uso mais vantajoso com etanol nos preços atuais, e melhora (ainda mais) o desempenho. Porém, seu preço é alto comparado a modelos mais modernos e, como muitos, híbridos, que entregam desempenho semelhante e menor consumo de combustível. O preço também recai sobre o projeto já antigo do Compass, que começa a demonstrar a idade em visual, tecnologia embarcada e espaço interno.VeredictoAs médias de consumo podem assustar, mas revelam que ele cumpre sua função: é vantajoso ser abastecido com etanol (nos preços atuais) e fica (ainda) mais rápido. Uma vantagem a mais ao SUV de temperamento esportivo. ★★★★AvaliaçõesCONSTRUÇÃO E ACABAMENTOO Compass tem construção sólida e carroceria bem montada. Por dentro, o acabamento mescla revestimentos sintéticos e camurça, com materiais emborrachados.★★★★TECNOLOGIA A lista inclui todos os itens necessários em conforto e segurança, mas deve em pontos de tecnologia. A multimídia já está defasada e poderia ter o sistema de câmeras 360° do Commander.★★★☆VIDA A BORDOEle já demonstra idade quando o assunto é aproveitamento de espaço interno. Há conforto, mas poderia levar os ocupantes traseiros com mais folga.★★★☆RENDIMENTOO desempenho de carro esportivo dá ao Blackhawk muita personalidade diante das demais versões. Ele diverte e pode enganar muitos no trânsito.★★★★★COMPORTAMENTO DINÂMICOA suspensão tem ajuste exclusivo e conversa bem com o desempenho reforçado. É confortável e firme na medida, com absorções refinadas.★★★★SEGURANÇAA versão de topo tem pacote de ADAS completo, além de sete airbags. Os pneus mais largos e a tração 4×4 também podem ser considerados auxiliares na segurança do SUV.★★★★★SEU BOLSOAbastecer o modelo com gasolina ficou mais caro, mas os preços atuais do etanol tornam-se vantajosos para uso, apesar de médias de consumo assustarem. O carro, porém, é caro.★★★☆Ficha Técnica – Jeep Compass Blackhawk FlexMotor: diant., transv., 4 cil., 16V, 1.994 cm³, inj. direta, flex, 272 cv a 5.200 rpm, 40,8 kgfm a 3.000 rpmCâmbio: aut., 9 marchas, tração 4×4Direção: elétrica; diâm. de giro, 11,3 mSuspensão: McPherson (diant.), multilink (tras.)Freios: disco vent. (diant.), sólido (tras.)Pneus: 235/45 R19Dimensões: comprimento, 440,4 cm; largura, 181,9 cm; altura, 164 cm; entre-eixos, 263,6 cm; distância do solo, 19,8 cm; ângulo de ataque, 21,7°; ângulo de saída, 28,5°; porta-malas, 476 litros; peso, 1.720 kg; tanque, 55 litrosTeste Quatro Rodas – Jeep Compass Blackhawk FlexAceleração gasolinaEtanol0 a 100 km/h6,7 s 6,6 s0 a 1.000 m27,1 s / 195,1 km/h26,8 s / 199,6 km/hVelocidade máxima228 km/h*RetomadasD 40 a 80 km/h2,8 s 2,7 sD 60 a 100 km/h3,6 s 3,4 sD 80 a 120 km/h4,4 s 4,2 sFrenagens60/80/120 km/h a 015,4/27,5/63,4 m ConsumoUrbano8 km/l6,3 km/lRodoviário12,1 km/l9,1 km/lRuído internoNeutro/RPM máx.39,6 / 61,3 dBA 40,7 / 61,9 dBA 80/120 km/h65 / 64,4 dBA69,7 / 68,9 dBAAferiçãoVelocidade real a 100 km/h99 km/hRotação do motor a 100 km/h 1.750 rpm   Volante2,5 voltasPreço básicoR$ 278.990Garantia5 anosAssistência ao condutor–Redação/Quatro RodasFarol alto automáticoSensor de estacionamentoPiloto automático adaptativoPrevenção de saída de faixaFrenagem autônomaAlerta de saída de faixaAlerta de ponto cegoCâmera traseiraErgonomia–Redação/Quatro RodasA: 153 cm (diant.) / 149 cm (tras.) B: 94,5 cm (diant.) / 90 cm (tras.) C: 99,5 cm (diant.) / 90 cm (tras.) Publicidade