O que é protonterapia, aposta do Brasil para tratar câncer?

Wait 5 sec.

O Brasil terá seu primeiro centro de protonterapia, uma técnica avançada de radioterapia contra o câncer. A unidade será construída no Rio de Janeiro, mas os primeiros pacientes só devem receber o tratamento em 2030.O projeto recebeu R$ 132,6 milhões da Finep e terá foco inicial em crianças com tumores complexos. Até lá, brasileiros ainda precisam viajar ao exterior para acessar a tecnologia.O Brasil terá seu primeiro centro de protonterapia, tecnologia que busca tratar tumores com mais precisão – Imagem: Divulgação/IBANovo centro amplia opções contra o câncerO Centro de Protonterapia Mário Kroeff será instalado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, com administração da Fundação Educacional Severino Sombra (FUSVE) e parceria técnica do Instituto Nacional de Câncer (Inca).Apesar do anúncio, o tratamento ainda não está disponível. O equipamento será fabricado na Bélgica pela IBA e deve chegar ao Brasil no segundo semestre de 2029. Depois, será necessário realizar instalação, testes e liberações antes do primeiro atendimento.Atualmente, entre 20 e 30 brasileiros viajam todos os meses para realizar protonterapia no exterior, com custos que podem chegar a R$ 1,02 milhão por tratamento.A previsão é que pelo menos 60% da capacidade da unidade seja destinada ao SUS, mas o acesso dependerá da incorporação da tecnologia pelo Ministério da Saúde.A nova terapia contra o câncer deve priorizar crianças com tumores complexos e reduzir danos futuros. Imagem: Jon Tyson/UnsplashEntenda como funciona a protonterapiaA técnica utiliza prótons em vez dos fótons usados na radioterapia convencional. A principal vantagem é conseguir concentrar a radiação no tumor e reduzir a exposição dos tecidos saudáveis ao redor.O fóton atravessa o corpo e não tem freio: vai perdendo potência pelo caminho, mas segue em frente. O próton, não — ele chega ao tumor e para ali. Essa capacidade de frear é muito útil para o radioterapeuta.Marcos Santos, radioterapeuta que atua em Goiânia e ex-presidente da Associação Ibero-Latino-Americana de Terapia Radiante Oncológica (Alatro), ao G1.Esse efeito é chamado de pico de Bragg e permite maior precisão no tratamento. A técnica pode ser indicada para:Crianças com tumores próximos ao cérebro ou à medula;Pacientes com risco de efeitos tardios da radiação;Tumores próximos a órgãos sensíveis;Casos que precisam de nova irradiação.Crianças são prioridade na nova tecnologiaA protonterapia não substituirá a radioterapia tradicional. O maior benefício está em casos específicos, principalmente entre crianças, que podem sofrer efeitos tardios após tratamentos contra o câncer.“Custar vinte vezes mais não significa ser vinte vezes melhor. É em um grupo específico de pacientes que a técnica realmente faz diferença: as crianças”, afirma Santos.A redução da exposição à radiação pode ajudar a evitar problemas de crescimento, alterações hormonais, dificuldades cognitivas, infertilidade e novos tumores.O projeto estima que cerca de 15% dos pacientes pediátricos com câncer no Brasil possam ter indicação para o tratamento.Menos radiação nos tecidos saudáveis pode significar menos sequelas para pacientes no futuro. – Imagem: Shutterstock/LightspringCusto é principal desafioA protonterapia exige uma estrutura complexa, com acelerador de partículas, blindagem especial e profissionais treinados. A manutenção mensal do centro deve custar cerca de US$ 1,2 milhão (aproximadamente R$ 6,1 milhões).Leia mais:Celular causa câncer? Novo estudo com 63 pesquisas diz que nãoCientistas criam “quimioterapia programável” que destrói DNA do câncerJ&J oferece bilhões para resolver casos ligados a talco infantil“Com o valor de um centro de prótons, você constrói uns vinte serviços convencionais de radioterapia”, compara Santos.Segundo o especialista, uma unidade pode tratar aproximadamente 600 crianças por ano quando direcionada aos pacientes que realmente se beneficiam da tecnologia.O desafio agora será transformar o investimento em acesso real. Além da conclusão da obra, o país precisará definir critérios para atendimento pelo SUS e criar uma rede de encaminhamento.O post O que é protonterapia, aposta do Brasil para tratar câncer? apareceu primeiro em Olhar Digital.