O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta sexta-feira (31) a Polícia Federal (PF) a abrir inquérito para apuração de tráfico de influência junto ao governo federal. Um dos alvos da investigação é o empresário e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo e confirmadas pela Jovem Pan.Em pedido ao STF, a PF afirmou ter identificado indícios de irregularidades na atuação de Lulinha junto à empresa de tecnologia da Previdência, o Dataprev, e a outros órgãos do governo federal em favor do empresário Cleber Ribas de Oliveira. Ele é sócio da empresa 3STRUCTURE IT e, segundo a investigação, manteria relação com Antônio Carlos Camilo Antunes, chamado de “Careca do INSS”.A corporação relatou suspeitar que Ribas trabalhou junto a Antunes e à empresária Roberta Luchsinger na obtenção de contratos do governo federal. De acordo com a investigação, teria sido encontrada a menção “Cleber na Data” em conversas de Roberta com Antunes. A PF disse que identificou contratos fechados de Ribas com o governo federal e sua empresa teria recebido pagamento de Luchsinger.A corporação relatou ter constatado que Ribas e Lulinha teriam viajado com passagens emitidas com o mesmo localizador para Foz do Iguaçu, em 15 de dezembro de 2024. Para a PF, o episódio indicaria que o empresário arcou com as despesas do chefe do Executivo, por isso, pediu a investigação de suposto tráfico de influência junto ao governo federal.O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, disse que o empresário está “tranquilo e sereno” com a nova investigação, mas “perplexo”. “Ele não quer estar acima da lei, mas não pode permitir que o trate como se estivesse abaixo dela”, explicou.À Jovem Pan, o advogado afirmou que Lulinha continuará à disposição da Justiça para “esclarecer toda e qualquer dúvida”. Marco Aurélio de Carvalho declarou também “parecer” que a PF adotou uma estratégia de “melhor de três”: “Não achou nada aqui, vou procurar ali”.Investigações contra LulinhaEsse foi o segundo pedido de apuração feito pela PF e autorizado por Mendonça. Na quinta-feira (30), o ministro deu aval para a corporação investigar supostos crimes de corrupção e tráfico de influência em autorização para a comercialização de cannabis medicinal em programas ligados ao Ministério da Saúde. Um dos alvos é Lulinha.No total, a PF protocolou três pedidos de inquérito junto ao STF para apurar fatos envolvendo o filho do chefe do Executivo. O último requerimento ainda está em processo de distribuição no Supremo.