Mesmo em trânsito, cargas de madeira serão taxadas pelos EUA nesta quarta

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A data limite para os produtos brasileiros chegarem aos EUA ainda isentos das novas tarifas é nesta quarta-feira, 29 de julho. A data pesa, em especial, para o setor de madeira, que já prevê renegociação de contrato, além de perda de competitividade. O prazo de transição estabelecido pelo governo norte-americano foi classificado como “curto demais” pelo segmento brasileiro.A expectativa da indústria é de que parte significativa das cargas atualmente em trânsito seja atingida pela nova tributação, o que deve desencadear renegociações de contratos e pressionar ainda mais a competitividade do produto brasileiro.Segundo o superintendente da Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente), Paulo Pupo, o prazo dado pelos Estados Unidos foi considerado insuficiente para que as empresas conseguissem reorganizar sua logística internacional.De acordo com ele, ainda não dá para prever o volume de mercadorias que serão tributadas e, portanto, chegarão nos EUA depois da meia-noite do dia 29. “É muito difícil prever qual percentual das cargas em trânsito será taxado. Mas uma boa parte do material que está em água, ou chegando aos EUA, infelizmente será tributada, o que deve instigar renegociações de contratos entre importadores americanos e produtores brasileiros”, disse ao CNN Agro News.Integrante da cadeia do agronegócio de base florestal, a indústria brasileira de madeira processada depende de uma extensa produção de florestas cultivadas para abastecer um dos principais polos exportadores do país.Com os EUA entre seus maiores compradores, o segmento se tornou um dos mais afetados pelo aumento das tarifas americanas, que pressionam um setor responsável por agregar valor à produção florestal e gerar milhares de empregos nas regiões produtoras do Sul e Sudeste.Diante do cenário, Pupo explicou que a indústria esperava um período de adaptação de pelo menos 30 a 60 dias para reorganizar reservas em companhias marítimas e dar previsibilidade aos contratos internacionais.“O fluxo logístico do setor de madeira é muito constante, com um grande volume de contêineres embarcados mensalmente para os Estados Unidos. Foi um prazo muito curto para adaptação”, afirmou.Além da corrida logística, o setor chama atenção para o aumento da carga tarifária enfrentada pelos produtos brasileiros. Segundo a Abimci, a tarifa adicional de 12,5% aplicada pelo governo Donald Trump soma-se aos 25% exclusivos para o Brasil, elevando a tributação para aproximadamente 37,5% sobre grande parte da madeira processada exportada ao mercado americano.“Tarifas altas não estimulam nenhum dos lados. Fica mais caro para o comprador, mais caro para o consumidor americano e o Brasil vai ficando para trás na fila da competitividade internacional”, afirmou.A entidade destaca ainda que alguns concorrentes internacionais ficaram em situação mais favorável. Embora mais de 80 países tenham sido enquadrados na tarifa de 12,5%, algumas economias mantiveram alíquota de apenas 10%, o que amplia a diferença competitiva.“Em alguns casos, o Brasil paga 2,5 pontos percentuais a mais do que concorrentes que disputam o mesmo mercado. Isso dificulta ainda mais a competitividade da madeira brasileira nos Estados Unidos.”Segundo Pupo, o mercado americano também é estratégico para o setor madeireiro nacional, porque a produção brasileira complementa a oferta doméstica dos EUA.“É um momento delicado para o setor, que enfrenta uma concorrência tarifária desigual. Isonomia tarifária é um parâmetro muito importante para a competitividade internacional”, sublinhou o superintendente.Para a Abimci, a principal saída continua sendo a negociação diplomática entre os dois governos. A entidade defende tanto a reversão das tarifas quanto a ampliação da lista de produtos brasileiros isentos da medida.Enquanto uma solução diplomática não é alcançada, o setor pede medidas emergenciais de apoio por parte do governo brasileiro para aliviar o impacto financeiro sobre as empresas exportadoras.