Democratas acusam governo Trump de conspirar contra eleições no Brasil

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Democratas do Comitê de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos acusaram o governo do presidente Donald Trump de propagar “teorias da conspiração” sobre as eleições presidenciais brasileiras marcadas para outubro. A crítica foi publicada nesta terça-feira (28/7), em meio à repercussão da tentativa de envio de dois representantes norte-americanos ao Brasil.Em publicação nas redes sociais, os 11 senadores democratas que integram a comissão afirmaram que disseminar dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro prejudica a própria democracia norte-americana.“Propagar teorias da conspiração sobre as eleições não torna os Estados Unidos mais seguros. Isso mina a confiança em nossa democracia internamente e afasta nossos aliados no exterior”, diz a mensagem.A manifestação faz referência a uma reportagem publicada pelo jornal norte-americano The Washington Post, segundo a qual os funcionários do governo Riley Barnes e Samuel Samson viajariam a Brasília com a missão de levantar questionamentos sobre a imparcialidade e a integridade do sistema eleitoral brasileiro.Os dois, no entanto, não chegaram a embarcar. O Itamaraty negou os vistos cerca de uma semana antes da viagem. Em resposta, o governo Trump classificou como uma “mentira sem fundamento” as suspeitas de que ambos atuariam para interferir no processo eleitoral brasileiro.Apoio de Trump a FlávioOs questionamentos ao sistema eleitoral brasileiro ocorrem em um momento de aproximação entre Trump e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.O presidente norte-americano declarou apoio ao parlamentar e chegou a divulgar uma foto ao lado dele na Casa Branca no mesmo dia em que anunciou medidas contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).As críticas dos democratas também ocorrem após outro episódio envolvendo aliados de Flávio Bolsonaro.No último fim de semana, o presidente da Argentina, Javier Milei, participou da convenção nacional do PL em São Paulo, atacou Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e motivou uma crise diplomática entre Brasil e Argentina.A visita levou mais de 30 deputados da oposição argentina a apresentarem uma nota de repúdio, sob a alegação de que Milei interferiu nos assuntos internos brasileiros. Leia também BrasilDurigan vê solução para impasse sobre tarifas dos EUA só após eleições BrasilCaiado repudia possibilidade de EUA questionar eleições no Brasil BrasilItamaraty nega visto a oficiais dos EUA que pretendiam questionar eleições MundoEUA planejam missão ao Brasil para questionar eleições, diz jornal A nota dos senadores norte-americanos foi publicada no perfil oficial da ala democrata do Comitê de Relações Exteriores do Senado, administrado pela senadora Jeanne Shaheen, de New Hampshire. Além dela, assinam a manifestação os senadores Chris Coons, Chris Murphy, Tim Kaine, Jeff Merkley, Cory Booker, Brian Schatz, Chris Van Hollen, Tammy Duckworth e Jacky Rosen.Embora integrem o Comitê de Relações Exteriores, os parlamentares representam a minoria no colegiado, que é controlado pelos republicanos. Assim, a declaração reflete a posição da bancada democrata, e não do comitê como um todo.Ao compartilhar a reportagem do Washington Post, Shaheen destacou um trecho segundo o qual os Estados Unidos costumavam empregar seu poder para defender democracias em risco, mas agora estariam enviando indicados políticos para desacreditar o sistema eleitoral de outro país.