Partidos políticos considerados de centro optaram por não lançar nenhuma candidatura à Presidência nas eleições de 2026. A estratégia, defendida publicamente por lideranças como Baleia Rossi, tem sido justificada como uma resposta à polarização política do país. Para a cientista política Lara Mesquita, professora da FGV-EESP, ao WW, no entanto, a lógica por trás dessa decisão é mais pragmática do que ideológica.Estratégia do centrão: negociação acima de ideologiaSegundo Mesquita, o comportamento dos partidos de centro não representa uma novidade no cenário político brasileiro. Leia Mais Análise: Centro contou com estruturas locais para manter fundo partidário Ala do Republicanos aponta que 80% do partido quer neutralidade na eleição Veja políticos que trocaram de partido para disputar a eleição de 2026 “Tem uma coisa que é comum de toda a democracia multipartidária. A gente tem essa geleia ideológica de partidos de centro que vão mais ou menos caminhando para aderir ao governo de plantão”, afirmou a especialista.Para ela, ao abrirem mão de se comprometer com qualquer candidatura presidencial, esses partidos buscam preservar sua capacidade de negociação com o futuro governo eleito.Mesquita explicou que a lógica descrita por Baleia Rossi é a de que, diante da polarização intensa, é mais vantajoso manter-se neutro eleitoralmente e concentrar esforços na construção de uma bancada parlamentar robusta.“A gente não se compromete, investe mais em fazer uma bancada forte e tem melhores condições de negociar com o governo eleito, trazer a agenda para o centro ou trazer a agenda para os meus interesses”, resumiu a cientista política.Ela acrescentou que, após o encerramento das eleições, entram em jogo também interesses que não são necessariamente ideológicos.Interesses regionais e perfis duplosA especialista também destacou que os interesses regionais exercem papel determinante na postura de lideranças do centrão. Como exemplo, Mesquita citou o caso de Ciro Nogueira, que, segundo ela, adota perfis distintos nas redes sociais a depender do público-alvo.“No Piauí, ele não fica falando mal do Lula e nem puxando o saco do Bolsonaro, e outro nacional, onde ele se coloca muito mais abertamente alinhado com essa direita bolsonarista”, relatou, com base em informações de um contato piauiense.Coalizão se forma após a eleição, não antesMesquita também ponderou sobre a relação entre participar de uma coligação eleitoral e garantir espaço no governo. Para ela, no Brasil, a coalizão governista sempre foi estruturada após o resultado das urnas, e não antes.“Claro que fazer parte da coligação eleitoral é uma sinalização que você vai estar no governo, mas eu não tenho nenhuma evidência de que o partido que entrou na coligação eleitoral vai estar numa posição muito melhor do que o partido que não entrou”, afirmou.A especialista ressaltou que o peso de cada legenda nas negociações pós-eleitorais depende fundamentalmente do tamanho da bancada de deputados que cada partido conseguir eleger. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.