O IRB Brasil RE (IRBR3) pode estar deixando para trás a história de reestruturação para se tornar uma empresa de crescimento de lucros. Essa é a avaliação do BTG Pactual após um encontro com o CEO da companhia, Marcos Falcão, no Rio de Janeiro.Segundo o banco, as expectativas para 2026 permanecem “razoáveis”, mas o grande salto deve acontecer em 2027, impulsionado por menores custos de retrocessão, melhora do resultado financeiro e pelos efeitos da reforma tributária. Ao mesmo tempo, iniciativas como a expansão internacional e a entrada no mercado de seguros devem ampliar o potencial de crescimento da companhia.“O CEO acredita que as expectativas de consenso para os lucros recorrentes em 2026 são razoáveis, com um salto em 2027, impulsionado por custos de retrocessão mais baixos, um resultado financeiro mais forte e benefícios da reforma tributária”, escreveram os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel, Antonio Pascale e Bruno Henriques.O BTG afirma ainda que o IRB “tem espaço para atingir um lucro líquido acima de R$ 1 bilhão antes do fim da década, mais que dobrando em relação aos níveis de 2025”. Para o banco, isso faria da companhia “uma história de crescimento de lucros de longo prazo”.O banco reiterou recomendação de compra para as ações, com preço-alvo de R$ 67, o que representa um potencial de valorização de cerca de 24% sobre a cotação de R$ 54, registrada ontem. Transformação vai além do corte de custosNa avaliação do BTG, uma parte importante da transformação do IRB ocorreu na estrutura da companhia, com mudanças na equipe, melhoria da capacidade de contratação e novos incentivos para executivos.“A aprovação de um programa de remuneração baseado em alinhamento de valores, semelhante à estrutura utilizada pelo Itaú, deve ajudar a alinhar os funcionários aos acionistas, melhorar a retenção e reforçar uma cultura de longo prazo”, escreveram os analistas.Apesar da redução de despesas administrativas, o banco destaca que a estratégia da companhia vai além do corte de custos.“A mensagem mais ampla de Falcão foi que a transformação vai muito além de cortes de custos no curto prazo. A companhia está reconstruindo suas capacidades técnicas, relacionamentos com clientes e cultura comercial”, diz o relatório.BTG vê lucro maior em 2027Para o banco, dois fatores devem impulsionar os resultados no próximo ano.O primeiro é o fim da necessidade de constituição de reservas relacionadas ao aumento dos prêmios retidos em 2026. O segundo é a reforma tributária, que deverá eliminar a incidência de PIS/Cofins sobre as operações de resseguro.“Esses fatores significam que o IRB poderia efetivamente entrar em 2027 com um patamar de lucros mais alto”, afirmam os analistas. O BTG projeta lucro líquido próximo de R$ 700 milhões em 2027, ante cerca de R$ 550 milhões esperados para 2026.Outro ponto destacado pelo BTG é a estratégia de expansão internacional do IRB.Segundo o banco, a futura operação na Suíça deverá funcionar como a divisão internacional da companhia, aproximando o ressegurador dos principais mercados globais e aumentando sua competitividade.“A operação deve simplificar a gestão dos negócios atualmente escritos no exterior a partir do Brasil, fortalecer os relacionamentos com contrapartes globais e apoiar o crescimento internacional”, diz o relatório. Além disso, uma estrutura suíça poderá obter um rating superior ao brasileiro, reduzindo exigências de garantias e aumentando a competitividade da companhia.Já a operação em Malta deverá ampliar a atuação em seguro garantia e seguradoras cativas.“Malta deve fornecer a estrutura necessária para competir de forma mais eficaz nesse segmento”, escreveram os analistas.O BTG também destacou que a incorporação de duas seguradoras no Brasil poderá aumentar significativamente o mercado endereçável da companhia.“O objetivo não é construir uma grande rede de distribuição de varejo própria, mas utilizar a expertise técnica do IRB e canais de terceiros para capturar uma fatia maior da cadeia de valor do setor de seguros”, afirma o relatório. Segundo o banco, embora essa expansão ainda não esteja incorporada às estimativas, ela representa uma importante avenida de crescimento de longo prazo.Dividendos seguem limitados no curto prazoApesar da melhora operacional, o BTG avalia que ainda há pouco espaço para uma distribuição mais agressiva de dividendos.“Os próximos vencimentos de debêntures e o número de novas iniciativas em desenvolvimento podem demandar capital, enquanto o conselho continua adotando uma abordagem cautelosa para a alocação de capital”, afirmam os analistas. Por isso, o banco vê “espaço limitado para um payout materialmente acima das expectativas atuais no curto prazo”.No médio prazo, porém, a expectativa é mais positiva.“Falcão acredita que o IRB deve conseguir sustentar um payout de cerca de 50%, mesmo financiando os novos negócios, já que a operação principal deve gerar capital excedente significativo”, diz o relatório.Ao final do encontro, o BTG reiterou sua visão positiva para a companhia.“De forma geral, o evento reforçou nossa visão de que o IRB superou a fase de reestruturação. A questão-chave agora é quando os investidores passarão a enxergar a companhia como uma história de crescimento, e não apenas como uma resseguradora em recuperação”, escreveram os analistas. O banco conclui afirmando que “gostamos da tese de investimento do IRB” e reiterou sua recomendação de compra para as ações.