Vale a pena comprar Natura (NATU3)? Citi corta preço-alvo e mantém cautela antes do balanço; veja motivos

Wait 5 sec.

O Citi cortou o preço-alvo para as ações da Natura (NATU3) de R$ 12 para R$ 10, o que implica um potencial de alta de 17,8% em relação ao último fechamento, com manutenção da recomendação neutra. De acordo com os analistas, no momento, não há muito o que fazer além de esperar.A companhia de cosméticos deve divulgar os números referentes ao segundo trimestre de 2026 em 10 de agosto, e os analistas do banco esperam poucas surpresas, considerando que a companhia já divulgou uma prévia para a receita líquida consolidada do trimestre entre R$ 5,1 bilhões e R$ 5,2 bilhões.A estimativa do banco aponta para uma receita consolidada de R$ 5,15 bilhões. Os analistas destacam que a cifra representa uma queda de 10% na comparação anual, impulsionada principalmente pelas interrupções relacionadas à atualização do sistema SAP.A Natura divulgou no início desse mês resultados preliminares referentes ao 2T26. No comunicado, a companhia citou o ambiente de consumo desaquecido no Brasil e ajustes operacionais internos como fatores que pressionaram a receita líquida no período de abril a junho, em uma magnitude maior do que a inicialmente prevista.Quanto à rentabilidade, no entanto, a Natura espera uma expansão trimestral na margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), em função de menores despesas sequenciais com rescisões e captura de eficiências do novo modelo operacional.De acordo com a empresa, essa melhoria compensa parcialmente o impacto negativo da desalavancagem operacional. As informações divulgadas são preliminares, não auditadas e sujeitas a revisão, ajustes e acréscimos.“A boa notícia é que a receita da operação Hispânica parece estar em terreno positivo, após a queda de 1% em moeda constante registrada no primeiro trimestre de 2026”, dizem os analistas do Citi.De olho no futuro, o Citi monitora como será a trajetória da receita após o fim das interrupções relacionadas ao SAP e quais podem ser as implicações estratégicas da entrada da Advent. Leia mais: Advent International adquire 6,6% das ações da Natura (NATU3) e reforça presença no conselho – Money Times“A avaliação da ação não parece excessivamente exigente, negociando a cerca de 8,5 vezes o lucro estimado para 2027 (P/L), enquanto o risco de queda parece limitado pelo elevado custo para aluguel das ações. No entanto, diante da persistente volatilidade dos resultados e da baixa visibilidade sobre a recuperação da receita, mantemos nossa recomendação Neutral/Alto Risco”, dizem os analistas. O que esperar do 2T26 A projeção do Citi de queda de 10% na receita líquida assume retração de 10% na receita da Natura Brasil, ante recuo de 3% no 1T26, e queda de 15% na Avon, em linha com o primeiro trimestre do ano.“Isso resulta em desalavancagem operacional, com a margem de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Natura Brasil recuando cerca de 500 pontos-base na comparação anual, para 14,7%, embora apresente melhora de aproximadamente 100 pontos-base em relação ao trimestre anterior”, dizem os analistas. Os analistas esperam que operação Hispânica registre uma melhora sequencial significativa, impulsionada pela redução das despesas com desligamentos e pelos ganhos de eficiência já capturados com o processo mais amplo de racionalização da força de trabalho.No consolidado, isso leva a uma margem Ebitda de 10,8%, queda de 320 pontos-base na comparação anual, mas alta de 350 pontos-base frente ao trimestre anterior. “A maior parte das revisões em nossas projeções está concentrada no Brasil, onde as interrupções relacionadas ao SAP e a demanda mais fraca do que o esperado se mostraram mais severas e potencialmente mais persistentes do que antecipávamos inicialmente. Reduzimos nossa projeção de receita líquida consolidada em cerca de 3% para 2026 e 2027”, diz o banco. O Citi também revisou para baixo suas estimativas de margem Ebitda consolidada em 140 pontos-base para 2026 e 150 pontos-base para 2027, resultando em uma redução de 13% e 12% nas projeções de Ebitda para esses anos, respectivamente.Os resultados operacionais mais fracos, combinados com despesas financeiras líquidas ligeiramente maiores, levaram a uma redução relevante nas projeções de lucro, incluindo um corte de 18% na estimativa de lucro líquido para 2027, agora de R$ 1,3 bilhão, ante R$ 1,6 bilhão anteriormente.