Fifa planeja gigante negócio de US$ 20 bilhões que pode mudar o futebol

Wait 5 sec.

A Fifa planeja criar uma nova subsidiária comercial avaliada em US$ 20 bilhões, informou nesta terça-feira a entidade que rege o futebol mundial, enquanto busca o apoio de suas 211 federações-membro para a proposta — uma iniciativa que já foi criticada pela Uefa.O ambicioso plano prevê que a Fifa crie a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária de propriedade integral que consolidará as operações comerciais e de eventos da organização.A Fifa afirmou que manteria o controle exclusivo, bem como a “autoridade exclusiva” sobre a governança do futebol, as competições, o calendário de jogos e todas as decisões regulatórias e esportivas.De acordo com a proposta, a Fifa convidaria investidores externos a adquirir participações minoritárias, sem controle, na FFE para levantar até US$ 4,2 bilhões.A Fifa é uma das organizações esportivas mais ricas do mundo, gerando bilhões de dólares em receita, principalmente por meio de direitos de transmissão, patrocínios e outros acordos comerciais ligados à Copa do Mundo.Mas a entidade afirma que o dinheiro arrecadado pode ser usado para ampliar o acesso ao esporte e fortalecer a participação global, com todos os lucros líquidos a serem reinvestidos no futebol.“O futebol é o esporte mais popular do mundo e um extraordinário motor de desenvolvimento humano e social”, disse o presidente da Fifa, Gianni Infantino, em comunicado.“Algumas partes do esporte transformaram essa popularidade em um valor comercial notável – e celebramos esse sucesso e queremos que ele continue, pois ele eleva todo o esporte.”“Nossa função é garantir que o restante do futebol cresça junto com ele: a Fifa existe para apoiar o desenvolvimento sustentável e inclusivo em todos os cantos do mundo.”Críticas contundentes da UefaA proposta imediatamente atraiu críticas ferrenhas da Uefa, órgão que rege o futebol europeu, que afirmou que a proposta “ultrapassa um limite que as instituições que regem o futebol nunca deveriam cruzar”.“A Uefa leva isso extremamente a sério”, afirmou a entidade em comunicado. “O mesmo deveria valer para todas as federações nacionais de futebol. O mesmo deveria valer para todas as partes interessadas: ligas, clubes, jogadores, torcedores, governos e todos que se preocupam com o futuro do esporte.”“A essência e a governança do futebol não são ativos para serem negociados — especialmente sem nenhuma transparência sobre quem lucra financeiramente. Nenhum de nós é dono do futebol. Não cabe à Fifa vendê-lo.”A Uefa e a Fifa não têm chegado a um consenso sobre a governança do futebol nos últimos anos. O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, recusou-se a comparecer à final da Copa do Mundo após uma série de divergências sobre procedimentos disciplinares, logística da arbitragem e operações das partidas.Um porta-voz da Fifa afirmou que a proposta será apresentada em breve às 211 federações-membro e ao Conselho da Fifa, que seriam os únicos a tomar a decisão final sobre o assunto.A Fifa informou que também criaria um programa opcional que permitiria às federações-membro receber financiamento adicional para desenvolvimento e ter acesso a até US$20 milhões em capital único.A entidade afirmou que seu objetivo é aumentar o financiamento por associação-membro de US$8 milhões para US$20 milhões no ciclo de 2027 a 2030 e crescer de forma constante, com meta de US$24 milhões até o ciclo de 2035 a 2038.Infantino, que concorre à reeleição como presidente da Fifa no próximo ano, afirmou que todas as federações-membro devem ter a oportunidade de buscar uma parcela justa do financiamento disponível para moldar seu próprio futuro.“Trata-se da democratização do futebol em todo o mundo”, disse ele.Investidores externosA Fifa está trabalhando com banqueiros do JPMorgan para atrair investidores externos que assumam uma participação de até 20% na subsidiária comercial, disse uma fonte.A fonte acrescentou que o ex-presidente-executivo da Liberty Media Greg Maffei tem atuado como consultor comercial na criação da empresa pela Fifa.A Thrive Eternal, uma nova estratégia de investimento lançada pela empresa de capital de risco Thrive Capital, deve ser a principal investidora na subsidiária, disse a fonte.A estratégia é um veículo de capital permanente focado em realizar um pequeno número de investimentos de longo prazo em franquias e instituições culturais.A Thrive Eternal adquiriu uma participação minoritária no San Francisco Giants, da Major League Baseball, a liga profissional de beisebol dos Estados Unidos, este ano.O veículo foi fundado por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos EUA, Donald Trump. O ex-presidente-executivo da Walt Disney, Bob Iger, atua como consultor.Jared Kushner não é um investidor em potencial, disse a fonte.“Investidores externos terão apenas uma participação minoritária na FFE e não desempenharão qualquer papel operacional”, afirmou a Fifa. “Da mesma forma, eles estão investindo em uma subsidiária da Fifa, e não na própria Fifa. Para a Fifa, nada muda.”O Financial Times foi o primeiro a divulgar a informação.