Demanda por IA é forte, mas investimentos pressionam caixa de big techs

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Os balanços das grandes empresas de tecnologia divulgados na semana movimentaram o mercado e geraram avaliações mistas entre analistas.Em entrevista ao CNN Money, William Castro Alves avaliou os resultados e destacou que, apesar do forte crescimento de receita — especialmente no segmento de nuvem —, o elevado nível de investimentos das companhias tem pressionado o fluxo de caixa livre das big techs.Safra de balanços: números acima do esperadoSegundo William Castro Alves, a semana marcou um ponto importante na temporada de resultados corporativos nos Estados Unidos.“A gente alcançou 61% das empresas do S&P 500 que já divulgaram os seus números”, afirmou.O crescimento médio de receitas ficou na ordem de 15%, enquanto o crescimento de lucros apresentou distorções por eventos não recorrentes, como a marcação a mercado de investimentos do Google na Anthropic e na SpaceX.“Quase US$ 100 bilhões de resultado na última linha de lucro do Google foi oriundo de você avaliar a Anthropic e a SpaceX”, explicou.Excluindo esse efeito, o crescimento de lucros recuaria para algo próximo de 30%, ainda assim acima das expectativas do mercado. Leia Mais Wall Street fecha em alta com dados da Amazon; Nasdaq e S&P 500 caem no mês Apple deve perder quase US$ 500 bi em valor após previsão pessimista Amazon sobe mais de 12% após balanço confirmar expansão recorde da AWS  Nuvem impulsiona receitas, mas capex pesa no caixaEntre os destaques positivos, Amazon e Microsoft se sobressaíram pelo forte desempenho no segmento de nuvem, reflexo direto da demanda por infraestrutura de inteligência artificial.William Castro Alves citou crescimentos expressivos: “lá de 82% da Alphabet Cloud, quase 40% da Amazon AWS, mais de 40% do Azure e da Microsoft”.Por outro lado, o analista ressaltou que o capital expenditure das companhias tem consumido o fluxo de caixa de forma significativa.Somando os investimentos estimados de Amazon, Alphabet, Microsoft e Meta apenas para 2026, o total projetado chega a US$ 720 bilhões.“O fluxo de caixa continua firme, mas o free cash flow, ou seja, o que sobra depois do fluxo de caixa operacional — ora, não sobra nada, na verdade falta dinheiro”, disse.Investimentos sustentados por demanda realApesar das preocupações com o alto nível de gastos, William Castro Alves fez uma ressalva importante: as empresas não estão investindo sem respaldo de demanda concreta.“O Google e a Meta e a Amazon, esses caras só estão investindo porque eles têm demanda”, afirmou.Como exemplo, citou que o Google possui um backlog — uma lista de pedidos por serviços — que chega a US$ 500 bilhões, valor superior ao próprio capex previsto de US$ 200 bilhões.Além disso, mencionou que a liderança da Amazon sinalizou que, mesmo com todos os investimentos já planejados para 2026 concluídos, ainda assim não seria suficiente para atender à demanda existente.“Eles não estão investindo para montar esse negócio e esperar para ver o que vai dar. Não, ele já tem pedido firme e por isso eles estão investindo”, concluiu.Expectativas para a NvidiaQuestionado sobre as perspectivas para a Nvidia — tradicionalmente a última grande empresa de tecnologia a divulgar seus resultados —, William Castro Alves se mostrou otimista.Segundo ele, os sinais emitidos pelos balanços das demais companhias do setor indicam que os números da fabricante de semicondutores devem ser robustos.“Não há como pensar que o resultado da Nvidia vai ser fraco”, afirmou, acrescentando que o sinal fundamental de toda a cadeia produtiva ligada à inteligência artificial “foi muito forte”.Veja empregos que ganham e perdem com a inteligência artificial Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.