Um novo estudo sugere que o bioéster de quinoa pode rejuvenescer a pele em até 16 anos, principalmente em mulheres acima dos 50 anos. O trabalho foi realizado pelo Centro de Pesquisa da Mulher do Grupo Boticário em parceria com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e publicado na revista científica Communications Biology.O bioéster de quinoa é um ingrediente obtido por meio da purificação e destilação do óleo extraído das sementes de quinoa. Esse ativo, desenvolvido e patenteado pelo Grupo Boticário, já é utilizado em cosméticos por estimular a produção de colágeno e possuir ação antioxidante. Leia Mais Banho premium: como transformar a rotina em um ritual de bem-estar Aplicativo ajuda a decifrar rótulos de cosméticos e alimentos no Brasil Água micelar: o que é e para que serve? Agora, o novo estudo mostrou que uma dosagem maior desse ingrediente pode atuar no rejuvenescimento molecular da pele ao promover alterações positivas em proteínas diretamente relacionadas à estrutura, proteção e regeneração da pele.Como o estudo foi feito?Para chegar aos resultados, foi realizado um estudo clínico duplo-cego, controlado por placebo, envolvendo 61 mulheres saudáveis entre 20 e 80 anos. Durante 30 dias, as participantes utilizaram o ativo na rotina de cuidados com a pele de forma semelhante à aplicação diária de um hidratante facial.Ao longo do período do estudo, amostras superficiais da pele foram coletadas por meio de uma técnica não invasiva, que foram, posteriormente, analisadas por espectrometria de massas — uma tecnologia capaz de identificar e quantificar milhares de proteínas presentes nos tecidos biológicos.Em seguida, foram utilizados modelos de IA (inteligência artificial) que construíram uma “régua molecular”, ou seja, um mapa detalhado sobre o envelhecimento da pele. Isso permitiu comparar o comportamento das moléculas antes e depois do tratamento com o bioéster de quinoa, mostrando de que forma o ativo atuava na estrutura da pele.“Nós embarcamos em uma tecnologia bem importante de IA que pega todo o repertório de proteína. Então, não estou avaliando apenas um alvo, mas, sim, todo o repertório de proteínas”, explica Desirée Schuck, diretora de Qualidade, Segurança do Trabalho e Meio Ambiente do Grupo Boticário, à CNN Brasil. “E nós vimos que, acima de 50 anos, esse efeito é potencializado”, completa.O efeito rejuvenescedor foi observado com maior expressividade na faixa etária de 50 anos, mas os benefícios também foram vistos em faixas etárias mais baixas. “Nas mulheres com menos de 50 anos, conseguimos 11 anos [de rejuvenescimento]”, afirma Schuck.Efeito pode ir além da percepção estética e clínica, mas mais estudos são necessáriosOs resultados do estudo mostram o efeito do bioéster da quinoa em nível molecular, indo além da percepção clínica, de acordo com Amanda Camillo-Andrade, que desenvolveu a pesquisa como parte de sua tese de doutorado.“Um cuidado importante do estudo foi comparar sempre os dois antebraços da mesma pessoa, um tratado e outro não, em vez de comparar pessoas diferentes entre si. Isso reduz bastante o risco de viés, já que cada participante funciona como seu próprio controle, tornando o resultado mais confiável”, complementa Lucas Sales, que ingressou no projeto como iniciação científica e hoje é mestrando da Fiocruz.Já para Carolina Haddad, dermatologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz — que não esteve envolvida no estudo —, os resultados do trabalho são interessantes e sugerem benefícios para a qualidade da pele. No entanto, é preciso cautela com a afirmação de um rejuvenescimento equivalente a 16 anos.“Trata-se de um produto tópico, cuja absorção e capacidade de alcançar as camadas mais profundas da pele são limitadas. A produção de colágeno e a remodelação das fibras acontecem principalmente na derme, e é difícil que um cosmético aplicado sobre a pele chegue a essa região em concentração suficiente para produzir uma transformação tão expressiva”, afirma a especialista.Segundo Haddad, a proposta é que o bioativo atue modulando proteínas da própria pele relacionadas ao processo de envelhecimento, além de apresentar ação antioxidante.“Também pode favorecer a hidratação e a recuperação da barreira cutânea, melhorando a textura e o aspecto geral da pele. No entanto, esses efeitos estão mais relacionados à melhora da qualidade da pele do que, necessariamente, a um rejuvenescimento profundo, que envolveria estímulo significativo de colágeno e remodelação de fibras”, completa.Por fim, Haddad afirma que o bioéster de quinoa pode contribuir para a hidratação, melhora da textura da pele e suavização de pequenas linhas. “Mas a alegação de rejuvenescimento de 16 anos é bastante ousada e precisa ser confirmada por estudos mais amplos e de longo prazo”, reitera.A dosagem de bioéster de quinoa usada pelo estudo ainda não está presente nos produtos que utilizam quinoa em sua formulação. A expectativa é que, a partir de 2027, o ativo já esteja disponível em produtos do Grupo Boticário.Como a IA tem ajudado nos cuidados com a pele