A Starship, da SpaceX, permanece flutuando no Oceano Índico uma semana após realizar seu mais recente voo de testes, um resultado considerado inédito e que reforça os avanços da empresa rumo à reutilização completa do maior foguete já construído.O 13º teste de voo da Starship foi realizado na última sexta-feira (24), quando o veículo de 124 metros de altura decolou da base Starbase, no sul do Texas (EUA). Após o lançamento, o propulsor Super Heavy caiu no Golfo do México, enquanto o estágio superior percorreu mais de 16 mil quilômetros até realizar um pouso controlado no Oceano Índico.Segundo a SpaceX, foi o pouso na água mais suave já realizado pela Starship, permitindo que a nave permanecesse praticamente intacta e flutuando dias depois da missão.Imagens divulgadas pela empresa mostram o veículo no mar, enquanto outras gravações captadas pela própria Starship e pelos satélites Starlink de terceira geração lançados durante a missão revelam a reentrada na atmosfera sob ângulos considerados impressionantes.O CEO da SpaceX, Elon Musk, afirmou que o pouso foi tão preciso que a nave poderia ter sido capturada pelos braços da torre de lançamento.“O pouso da nave foi preciso, o que significa que ela poderia ter sido capturada pelos braços da torre. A menos que encontremos problemas na análise dos dados da missão, a SpaceX tentará capturar a nave na próxima missão”, escreveu Musk no X.Além de validar o pouso controlado, a missão também colocou em órbita 20 satélites Starlink Version 3, demonstrando que a Starship já é capaz de ampliar rapidamente a constelação de internet da empresa.Landing burn and splashdown of Starship on Flight 13 pic.twitter.com/I1BWnGKpPo— SpaceX (@SpaceX) July 28, 2026Reutilização continua sendo o maior desafioApesar do sucesso da missão, especialistas alertam que o principal obstáculo para transformar a Starship em um foguete totalmente reutilizável ainda está longe de ser resolvido: o escudo térmico;O veículo utiliza cerca de 18 mil placas cerâmicas para proteger sua estrutura durante a reentrada na atmosfera terrestre;Embora o sistema tenha funcionado suficientemente bem para permitir o retorno da nave, análises das imagens divulgadas após o pouso mostram sinais de desgaste, incluindo riscos esbranquiçados entre as placas, além de peças rachadas e bordas quebradas;Segundo Dan Rasky, ex-engenheiro da NASA e um dos criadores do material PICA utilizado no escudo térmico da cápsula Crew Dragon, a tecnologia atual representa um impasse para o objetivo de reutilização rápida:“O sistema atual de proteção térmica da Starship é um beco sem saída para todas as missões que exigem reutilização completa e rápida”, afirmou o especialista ao Ars Technica.Ele compara o desafio ao enfrentado pela NASA durante o programa do ônibus espacial. Na época, milhares de placas cerâmicas protegiam a estrutura da espaçonave, mas cada uma precisava ser inspecionada após o voo, tornando a reutilização lenta e cara.A estrutura de aço inoxidável da Starship suporta temperaturas maiores do que a de alumínio utilizada nos ônibus espaciais, permitindo que alguns danos sejam tolerados. Ainda assim, especialistas afirmam que o desgaste observado exigiria inspeções e reparos antes de um novo lançamento.Leia mais:Escudo térmico da Starship pode impedir voos rápidos, dizem ex-NASAIncrível! Veja o foguete que cairá na Lua em breveSpaceX e Força Espacial dos EUA fecham contrato bilionário de satélites militaresSpaceX reconhece problemaA própria SpaceX admite que desenvolver um escudo térmico realmente reutilizável é um dos maiores desafios do programa.Em diferentes entrevistas e publicações recentes, Elon Musk afirmou que resolver essa questão é o principal obstáculo restante para que a Starship possa pousar, ser reabastecida e voltar a voar poucos dias depois.Para isso, a empresa vem investindo em novas formulações para as placas cerâmicas, padronização dos formatos e diferentes estratégias de proteção térmica, todas avaliadas durante a campanha de testes da Starship.Especialistas independentes reconhecem que essas melhorias representam um avanço em relação à tecnologia utilizada pelos antigos ônibus espaciais, mas consideram que a solução ainda segue baseada no mesmo conceito.Starship no espaço com a Terra ao fundo – Imagem: SpaceXImpacto nos planos para Lua e MarteA reutilização rápida é considerada essencial para os planos da SpaceX de realizar centenas ou até milhares de lançamentos anuais a baixo custo, requisito visto como fundamental para estabelecer bases permanentes na Lua e, futuramente, em Marte.A Starship também desempenha papel central no programa Artemis, da NASA. A expectativa da SpaceX é ter o foguete plenamente operacional até 2027, a tempo de participar da missão Artemis 3, que pretende levar astronautas de volta à superfície lunar pela primeira vez em mais de cinco décadas.Em uma etapa posterior, a Artemis 4 deverá utilizar a versão Human Landing System (HLS) da Starship — ou o módulo Blue Moon, da Blue Origin — para transportar astronautas da órbita lunar até a superfície da Lua. A missão está prevista para o início de 2028, embora já tenha sofrido diversos adiamentos.Enquanto isso, especialistas defendem que a NASA volte a investir em pesquisas sobre materiais avançados para proteção térmica. Segundo eles, a agência espacial praticamente interrompeu os investimentos significativos nessa área nas últimas três décadas, deixando a indústria dependente de tecnologias desenvolvidas ainda durante os programas do ônibus espacial e do X-33.O post Starship continua flutuando uma semana após pouso histórico no oceano apareceu primeiro em Olhar Digital.