O Itaú BBA retomou a cobertura para a Casas Bahia (BHIA3) com recomendação market perform (equivalente à neutra) e preço-alvo de R$ 1 para o fim de 2027, em uma base totalmente diluída. A equipe de analistas liderada por Rodrigo Gastim vê no atual cenário da varejista ganhos do lado micro, enquanto a macroeconomia permanece como o principal obstáculo. Os analistas recordam que a conversão de dívida em ações redefiniu a estrutura de capital da empresa de uma só vez. A companhia desalavancou suas operações por meio de sua recuperação extrajudicial de 2024, que reduziu a dívida bruta em aproximadamente R$ 3 bilhões entre o primeiro trimestre daquele ano e o quarto trimestre de 2025, por meio do reperfilamento de dívidas bancárias e debêntures conversíveis, detidas principalmente por Bradesco e Banco do Brasil e, posteriormente, pela Mapa Capital.Como resultado, a companhia agora possui cerca de R$ 2,4 bilhões em dívida bruta. O montante era de aproximadamente R$ 1 bilhão no 4T25, mas posteriormente cresceu cerca de R$ 1,4 bilhão, impulsionado por novas captações via debêntures. A companhia possui ainda 1,2 bilhão de ações totalmente diluídas.A recente recuperação da companhia foi “impressionante” na avaliação do BBA, com a margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) dos últimos 12 meses aumentando de aproximadamente 0,6% em 2023 para cerca de 5,3% no primeiro trimestre deste ano (ex-IFRS 16). Esse movimento é consequência da revisão estratégica, focada na racionalização do portfólio de produtos, otimização das lojas, maior ênfase no negócio de crédito próprio, que é mais rentável, e parcerias relevantes com marketplaces, incluindo os acordos anunciados recentemente com Mercado Livre, Amazon e Shopee.“Acreditamos que essa história de criação de valor de baixo para cima é sustentável. Nossa postura mais cautelosa decorre principalmente do cenário macroeconômico. O Grupo Casas Bahia continua fortemente exposto a categorias discricionárias de maior valor, altamente dependentes do crédito ao consumidor”, dizem os analistas. Para o BBA, um ambiente prolongado de juros elevados pode continuar reprimindo a demanda, ao mesmo tempo em que aumenta os custos de captação da operação de crédito, limitando a aceleração da receita.Uma tese sensível a juros O Itaú BBA aponta a Casas Bahia como uma das histórias mais claramente sensíveis aos juros na cobertura da casa. As taxas elevadas continuam restringindo os resultados ao pressionarem tanto o crescimento operacional quanto os resultados financeiros, limitando a capacidade da companhia de gerar lucros no curto prazo. “A Casas Bahia está entre as empresas com maior exposição ao ciclo de juros brasileiro dentro de nosso universo de cobertura. Consequentemente, a evolução da curva de juros será um fator crítico para futuras revisões para cima de nossas projeções de fluxo de caixa”, ponderam os analistas. A principal perspectiva para avaliar a companhia daqui para frente é a geração de caixa, diz o BBA. Após o reperfilamento da dívida executado, o foco agora se volta para a evolução do fluxo de caixa livre. Os analistas destacam que cada redução de 100 pontos-base na Selic aumentaria o fluxo de caixa livre da Casas Bahia em cerca de R$ 200 milhões, ressaltando a significativa sensibilidade da companhia ao ciclo de juros.Por dentro dos mercadosReceba gratuitamente as newsletters do Money TimesOBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.Um acerto estratégico Na leitura dos analistas do Itaú BBA, as parcerias com marketplaces fortalecem a economia do 1P (estoque próprio) da Casas Bahia no online. A primeira delas foi anunciada com o Mercado Livre em novembro de 2025, seguida por acordos com a Amazon em março deste ano e Shopee, em abril. “Em apenas alguns meses, estimamos que essas parcerias já representem mais de 5% do GMV (volume bruto de mercadorias) total e 10% do GMV online (ou cerca de R$ 2 bilhões por ano)”, diz a casa.Ainda que esses canais tenham uma taxa de comissão (take rate), a visão é que os benefícios de geração de tráfego mais do que compensam os custos de aquisição de clientes que a Casas Bahia teria de incorrer de outra forma por meio de canais próprios, resultando em margens Ebitda maiores quando comparadas ao cenário de tráfego inorgânico. Além da rentabilidade imediata, essas parcerias criam novas oportunidades estratégicas, incluindo potenciais ofertas de serviços de apoio aos ecossistemas de marketplaces, ao mesmo tempo em que destacam a relevância estratégica da infraestrutura e das capacidades da companhia para as principais plataformas digitais, dizem os analistas. “Como pioneira nesse movimento, a companhia fortaleceu seu posicionamento competitivo, reduzindo o espaço para que concorrentes reproduzam o modelo”. O crédito ao consumidor também é destacado pelo BBA como uma poderosa alavanca de crescimento. Para a casa, a execução bem-sucedida da recuperação extrajudicial e o consequente processo de desalavancagem melhoraram o perfil de captação. “Os custos de captação da operação de crédito próprio (CDCI) já caíram de 150% para 120% do CDI para novas emissões, embora os benefícios devam levar algum tempo para se materializar, dado o prazo médio de aproximadamente 14 meses da carteira”, afirmam os analistas. A atual carteira de crédito é de R$ 6,3 bilhões e o BBA pontua que o espaço é limitado para uma aceleração adicional no curto prazo, em meio a um ambiente macroeconômico difícil e ao aumento do risco de inadimplência, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.O CFO da Casas Bahia, Élcio Ito, conversou com o Money Times sobre o processo de reestruturação da empresa, como avaliam o atual cenário e detalhou as parcerias. Confira abaixo: