Triângulo da morte: espremer espinha no rosto pode causar infecção

Wait 5 sec.

Espremer uma espinha parece um gesto inofensivo e faz parte da rotina de muitas pessoas. Em alguns casos, porém, a prática pode favorecer infecções que vão além da inflamação da pele. Foi o que aconteceu com o jovem Willian Silva, conhecido como Ken do CG nas redes sociais.Depois de espremer uma espinha na região do bigode, ele desenvolveu uma infecção que provocou um grande inchaço no rosto e precisou ser internado.  De acordo com médicos ouvidos pelo Metrópoles, complicações desse tipo são incomuns, mas podem ocorrer quando bactérias atingem camadas mais profundas da pele.A dermatologista Andressa Vargas, que atende no Rio Grande do Sul, explica que espremer uma espinha rompe a barreira de proteção da pele e facilita a entrada de bactérias. “Isso pode espalhar a infecção para camadas mais profundas, causando abscessos, celulite e outras infecções da pele”, afirma.O dermatologista Rafael Parisi, do Hospital Brasília, aponta que o problema não está apenas nas bactérias presentes nas mãos ou sob as unhas. A pressão exercida ao espremer a espinha também pode empurrar secreção e microrganismos para regiões mais profundas da pele.“A partir daí, pode surgir uma infecção localizada, como um abscesso, ou uma celulite bacteriana, que se manifesta com vermelhidão, dor, calor e inchaço progressivos”, diz.Segundo ele, pessoas com diabetes, imunossupressão ou outras condições que reduzem as defesas do organismo têm maior risco de desenvolver complicações.Região do nariz e da boca merece mais atençãoO caso de Willian também chamou atenção para o chamado “triângulo da morte”, expressão usada para a região entre o nariz e o lábio superior. Segundo Andressa, o termo faz sentido por causa da anatomia da face, embora complicações graves sejam pouco frequentes.“Essa área possui veias que se comunicam com estruturas profundas da face e do cérebro. Embora complicações graves sejam muito raras atualmente, infecções nessa região merecem atenção especial”, explica a médica.Quando procurar um médicoNa maior parte das vezes, uma espinha inflamada melhora com cuidados simples. Ainda assim, alguns sintomas indicam que ela deixou de ser um problema localizado.Segundo Andressa, dor intensa, aumento rápido do inchaço, vermelhidão que se espalha, saída de pus, febre, dificuldade para abrir os olhos e alterações na visão exigem avaliação médica imediata. Leia também Vida & EstiloJovem para no hospital após espremer espinha no “triângulo da morte” SaúdeÉ verdade que usar whey protein causa espinhas? Entenda Vida & EstiloChocolate causa espinha? Dermatologista dá o seu veredito SaúdeSó uma cutucada! Por que sentimos tanta vontade de espremer espinhas? Rafael acrescenta que também merecem atenção pele muito quente e endurecida, calafrios, mal-estar e ausência de melhora após 24 a 48 horas.Nos casos mais graves, quando surgem dor ao movimentar os olhos, visão dupla ou embaçada, redução da visão, dor de cabeça intensa, vômitos, sonolência, confusão mental ou rigidez na nuca, o atendimento deve ser imediato, pois esses sintomas podem indicar comprometimento da órbita ou, em situações muito raras, trombose do seio cavernoso.Como cuidar da espinha da forma corretaOs especialistas são unânimes ao afirmar que o mais seguro é não espremer a lesão. A orientação é manter a região limpa, lavando o rosto com um sabonete adequado para a pele, evitar manipular a espinha e utilizar os produtos indicados pelo dermatologista.“Quando a lesão é muito dolorosa, profunda, apresenta pus, está associada à febre ou não melhora em poucos dias, pode ser necessário o uso de antibióticos ou outros tratamentos”, diz Andressa.Além disso, é importante evitar receitas caseiras e tentativas de perfurar a espinha. “Nunca se deve perfurar a espinha com agulha, lâmina ou outros objetos, tentar drená-la à força, aplicar pasta de dente ou substâncias caseiras irritantes, nem tomar antibióticos por conta própria”, aconselha Rafael.Ele explica que, quando realmente necessário, procedimentos como drenagem devem ser realizados pelo dermatologista em ambiente adequado.