A Empiricus promoveu uma mudança pontual em sua carteira de dividendos para agosto. A casa de análise retirou as ações da Cyrela (CYRE3) e voltou a recomendar Direcional (DIRR3), mantendo oito ativos no portfólio, todos com participação de 12,5%. A troca ocorre após a queda de quase 20% da Direcional em julho e em meio à visão positiva da Empiricus para o segmento de habitação popular.A estratégia segue concentrada em empresas com capacidade comprovada de geração de caixa livre, distribuição sustentável de proventos e potencial de juros compostos. A Empiricus também prioriza companhias com modelos de negócio resilientes, vantagens competitivas, previsibilidade de resultados e valuation considerado atrativo.Cenário favorece ações de dividendosNa avaliação da Empiricus, o Ibovespa “finalmente mostrou reação em julho”, após quatro meses consecutivos de queda, e terminou o mês com alta de 3,5%. Para a casa, a valorização pareceu um pouco exagerada diante da melhora ainda limitada do cenário, mas também serviu como sinal de que os níveis de valuation da bolsa brasileira estão bastante descontados. O Ibovespa negociava a 9,6 vezes o lucro, excluindo Petrobras e Vale.O principal ponto positivo para o mercado brasileiro foi a inflação, que apresentou leituras abaixo das expectativas e composição considerada benigna. Com a projeção do IPCA de 2026 novamente se aproximando de 5%, a Empiricus vê espaço para novos cortes da Selic, além dos 25 pontos-base esperados para a reunião de agosto. Por outro lado, a valorização do petróleo e dos combustíveis pode voltar a pressionar a inflação e dificultar a trajetória dos juros.No exterior, o cenário foi menos favorável. A combinação entre atividade ainda forte nos Estados Unidos, impactos da guerra e expectativas de uma alta de 0,25 ponto percentual dos juros pelo Federal Reserve em setembro pesou sobre os ativos de risco. Ao mesmo tempo, preocupações com os valuations de empresas ligadas à inteligência artificial pressionaram o Nasdaq. Para a Empiricus, esse movimento pode favorecer uma rotação de ações de tecnologia para empresas da chamada “velha economia”, especialmente aquelas que reúnem valuation baixo, crescimento de lucros e dividendos.Para agosto, a casa também chama atenção para a inflação, a resiliência das empresas brasileiras nos resultados do segundo trimestre e, cada vez mais, para as eleições. Apesar dos possíveis ventos favoráveis, a recomendação é manter uma postura seletiva e priorizar companhias capazes de atravessar cenários adversos.Direcional volta à carteiraA principal novidade do mês é a volta da Direcional à carteira, após a ação ter recuado 19,8% em julho. A Empiricus avalia que a construtora mantém um momento operacional sólido, com crescimento e rentabilidade fortes, além de potencial de geração de valor por meio de dividendos e de um valuation ainda descontado.A tese também se apoia na atuação da companhia no segmento de habitação popular. Segundo a Empiricus, o programa Minha Casa, Minha Vida continua apresentando resultados fortes mesmo com a Selic elevada, beneficiado pelas condições de financiamento subsidiadas. A Direcional ainda possui exposição à classe média por meio da marca Riva, o que adiciona diversificação ao negócio.Outro ponto destacado é o modelo construtivo industrializado da companhia, que utiliza moldes preenchidos com concreto e, na avaliação da casa, ajuda a reduzir desperdícios e custos e a sustentar margens elevadas em relação aos pares. Para 2026, a ação é negociada a 5,9 vezes o lucro estimado e apresenta dividend yield projetado de 7%.O que permanece na carteiraCom a mudança, o portfólio de agosto fica composto por Axia Energia (AXIA3), B3 (B3SA3), Direcional (DIRR3), Itaú (ITUB4), Multiplan (MULT3), Petrobras (PETR4), Telefônica Brasil (VIVT3) e Vale (VALE3), cada uma com peso de 12,5%.Entre os destaques, Petrobras aparece com um dos maiores dividend yields projetados pela Empiricus, de 10,4%, enquanto Itaú e B3 apresentam yield estimado de 7,7% cada. A Vivo tem projeção de 7,1%, Vale de 7,2%, Axia de 7,5% e Multiplan de 4,8%.A composição mantém, portanto, uma combinação de setores como bancos, infraestrutura de mercado, energia elétrica, petróleo, mineração, telecomunicações, shoppings e construção civil. A estratégia da Empiricus é buscar empresas que consigam combinar geração de caixa, distribuição de proventos e capacidade de atravessar diferentes ciclos do mercado.