IA no recrutamento: 51% das empresas ainda confiam mais na avaliação humana dos currículos

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A IA está a ganhar espaço na gestão de talento, ajudando as empresas a automatizar tarefas, analisar informação e aumentar a produtividade. Contudo, quando chega o momento de decidir quem contratar, a confiança dos empregadores continua depositada nas pessoas.Segundo o ManpowerGroup Employment Outlook Survey relativo ao terceiro trimestre de 2026, 85% dos empregadores portugueses já identificam um impacto positivo ou retorno do investimento associado à utilização de IA na gestão de talento. Porém, apenas 6% considera que a tecnologia responde plenamente às expectativas nos processos de atração de profissionais.Os resultados apontam para um futuro híbrido, no qual a tecnologia deverá acelerar as tarefas operacionais, sem substituir a experiência, o discernimento e a capacidade humana de interpretar o potencial de cada candidato. IA tem maior impacto na formação do que no recrutamentoEntre as organizações portuguesas que já utilizam inteligência artificial na gestão de talento, os maiores benefícios são sentidos na Formação e Desenvolvimento, indicada por 32% dos empregadores, e na Gestão de Performance, referida por 18%.A tecnologia assume, assim, um papel crescente na personalização de conteúdos, na gestão das equipas e na otimização de processos administrativos.O impacto no recrutamento continua, porém, mais limitado. Apenas 7% das empresas portuguesas identificam ganhos significativos na atração de talento, um resultado próximo dos 6% registados entre as organizações europeias. Mais de metade das empresas já utiliza IA na atração e integração de talentoApesar de o impacto ainda ficar aquém das expectativas, 54% das empresas portuguesas já utilizam ferramentas de IA nos processos de atração, integração e formação de talento. O valor é considerado significativo, embora permaneça abaixo da média europeia.A adoção crescente não significa, contudo, que as soluções disponíveis respondam a todas as necessidades das organizações.Entre as principais limitações identificadas pelos empregadores portugueses encontram-se a falta de profundidade dos resultados gerados, apontada por 10%, e a insuficiente capacidade de adaptação e relevância da formação proporcionada, igualmente mencionada por 10%.Outros 9% destacam as dificuldades da tecnologia no desenvolvimento de competências técnicas operacionais e no apoio a processos que exigem julgamento e tomada de decisão. Descrições de funções e análise de currículos entre os principais ganhosOs empregadores reconhecem que a IA já acrescenta valor nas fases mais administrativas e repetitivas do recrutamento. A redação de descrições de funções é o benefício mais mencionado, por 37% das empresas, seguindo-se a comunicação com os candidatos, referida por 36%, e a triagem e análise sintática de currículos, identificada por 30%.Nestes processos, a tecnologia permite acelerar tarefas, uniformizar procedimentos e reduzir o tempo dedicado ao trabalho operacional.Todavia, quando chega o momento de interpretar percursos profissionais e tomar decisões, o cenário muda: 51% dos empregadores portugueses considera que a análise de currículos realizada por uma pessoa continua a ser o recurso mais valioso no recrutamento. Competências humanas tornam-se diferenciadorasOs resultados mostram que a expansão da IA não reduz a importância das competências humanas. Pelo contrário, à medida que a tecnologia assume tarefas repetitivas, capacidades como a comunicação, colaboração, adaptabilidade, ética profissional e pensamento crítico tornam-se mais relevantes.Estas competências permitem compreender o contexto individual de cada candidato, interpretar trajetórias profissionais e identificar potencial de desenvolvimento — dimensões que os empregadores consideram que a tecnologia ainda não consegue avaliar plenamente. O futuro do recrutamento será híbridoA inteligência artificial deverá continuar a crescer na gestão de talento, sobretudo na automatização de tarefas repetitivas, personalização de conteúdos e análise de grandes volumes de informação.No entanto, os dados sugerem que o futuro do recrutamento não será inteiramente automatizado. A tecnologia funcionará como instrumento de apoio, enquanto a decisão final deverá continuar dependente da experiência e do julgamento humanos.O desafio para as empresas passará, por isso, por encontrar um equilíbrio: utilizar a IA para tornar os processos mais rápidos e eficientes, preservando a intervenção humana nos momentos em que é necessário interpretar contextos, avaliar comportamentos e tomar decisões críticas.O conteúdo IA no recrutamento: 51% das empresas ainda confiam mais na avaliação humana dos currículos aparece primeiro em Revista Líder.