A indústria automotiva japonesa quer reduzir a distância para as fabricantes chinesas com uma estratégia inusitada: a padronização de componentes entre marcas rivais. A proposta é compartilhar peças não percebidas pelos consumidores para cortar custos e, assim, direcionar investimentos a tecnologias consideradas mais importantes. Assine as newsletters QUATRO RODAS e fique bem informado sobre o universo automotivo com o que você mais gosta e precisa saber. Inscreva-se aqui para receber a nossa newsletter Aceito receber ofertas produtos e serviços do Grupo Abril. Cadastro efetuado com sucesso! Você receberá nossa newsletter todas as quintas-feiras pela manhã. A iniciativa ganha força em um momento de forte pressão sobre as montadoras japonesas em mercados estratégicos. Na China, as vendas da Toyota recuaram 17% no primeiro semestre deste ano, enquanto a Honda registrou queda de 35%. O avanço dos carros elétricos chineses também ameaça a participação das marcas tradicionais no Sudeste Asiático e na Austrália.Toyota Yaris Cross 2026Divulgação/ToyotaA China já ultrapassou o Japão como o maior exportador mundial de automóveis. Apesar de manter uma posição forte na Europa e em outros mercados, a Toyota enfrenta um cenário mais difícil no país asiático, onde as fabricantes locais ampliaram sua presença com modelos elétricos de preços mais competitivos. Continua após a publicidadePara reagir, Koji Sato, CEO da Toyota e presidente da Associação Japonesa de Fabricantes de Automóveis, defende a criação de padrões comuns para componentes utilizados pelas principais marcas do país. A ideia é estabelecer um “padrão japonês” que também possa ser adotado por fornecedores de diferentes partes do mundo.–FERNANDO PIRES/Quatro RodasEntre os itens que poderiam seguir especificações comuns estão aço, plásticos e chicotes elétricos. Segundo Sato, os fornecedores produzem atualmente 70.000 variações diferentes de chicotes. Reduzir essa quantidade simplificaria a produção e diminuiria os custos industriais para as fabricantes. Continua após a publicidadeA economia obtida com a padronização seria destinada a áreas mais relevantes para quem compra um carro atualmente. Entre elas estão softwares, sistemas de carregamento ultrarrápido e uma oferta mais ampla de opções de propulsão.–Murilo Góes/ToyotaO compartilhamento de componentes já é uma prática comum na indústria. O Grupo Volkswagen, por exemplo, utiliza a plataforma MQB em diferentes modelos e marcas, enquanto projetos desenvolvidos em conjunto resultaram em carros como BMW Z4 e Toyota Supra. Continua após a publicidadeOutro caso é o Fiat 124 Spider, desenvolvido a partir de uma parceria com a Mazda e baseado no MX-5. A diferença é que a proposta defendida por Sato ampliaria esse conceito para componentes utilizados por diversas fabricantes japonesas, em vez de concentrá-lo em projetos específicos.Fiat 124 SpiderDivulgação/FiatDurante uma reunião anual com fornecedores da Toyota, Sato resumiu a urgência da situação ao afirmar que as fabricantes japonesas precisam mudar para continuar competitivas. “Se as coisas não mudarem, não sobreviveremos”, declarou.O executivo evitou citar diretamente as montadoras chinesas, preferindo tratar o desafio como uma questão de competitividade internacional. Para ele, a cooperação entre empresas que tradicionalmente disputam o mesmo mercado pode ser a saída para enfrentar as transformações que atingem toda a indústria automotiva. Publicidade