Empresas portuguesas continuam a perder clientes por falhas na acessibilidade digital

Wait 5 sec.

Segundo a empresa, a forma como os consumidores interagem com plataformas digitais tornou a simplicidade e a rapidez elementos decisivos. Sempre que um website, uma loja online ou uma aplicação apresenta obstáculos para concluir uma compra, preencher um formulário ou efetuar um pagamento, aumenta a probabilidade de o utilizador abandonar o processo. Para as empresas, isso traduz-se em perda de clientes e de receitas.A Tangível sustenta que investir em acessibilidade digital não beneficia apenas pessoas com deficiência, mas melhora a experiência de utilização para todos os utilizadores. Num país onde cerca de um quarto da população tem mais de 65 anos e mais de 10% dos portugueses vivem com algum tipo de incapacidade, tornar os serviços digitais mais inclusivos é também uma resposta à evolução demográfica.«A acessibilidade e o SEO partilham princípios como uma boa estrutura de informação, conteúdos claros e experiências digitais mais eficientes», explica Inês Silveiro, Digital Project Manager da Tangível e especialista em acessibilidade digital e experiência do utilizador. Na sua perspetiva, esta abordagem permite desenvolver produtos digitais de maior qualidade e com melhor desempenho.Um ano depois da lei, a maturidade continua baixaO enquadramento legal mudou há cerca de um ano, quando entrou plenamente em vigor o Decreto-Lei n.º 82/2022, que transpõe uma diretiva europeia e estabelece requisitos de acessibilidade para diversos produtos e serviços digitais disponibilizados pelo setor privado.A legislação aplica-se a websites, plataformas de comércio eletrónico, interfaces de utilização de produtos e serviços, dispositivos de leitura digital, livros eletrónicos e outros equipamentos digitais abrangidos pelo diploma.Ainda assim, a especialista considera que a adaptação das empresas tem sido insuficiente.«Apesar da evolução positiva dos últimos anos, a maturidade da acessibilidade digital no setor privado português continua, de forma geral, baixa. Muitas organizações já reconhecem a importância do tema, mas continuam a encará-lo sobretudo como uma questão de conformidade, em vez de um princípio integrado de qualidade digital», afirma.Na prática, persistem problemas frequentes como processos de pagamento excessivamente complexos, formulários que não indicam claramente os erros ao utilizador, baixos níveis de contraste entre texto e fundo ou dificuldades em navegar utilizando apenas o teclado — limitações que afetam pessoas com necessidades específicas, mas também utilizadores em diferentes contextos de utilização.Acessibilidade deve começar na gestãoPara a Tangível, o principal desafio não é tecnológico, mas organizacional. A empresa defende que a acessibilidade deve ser incorporada desde o início do desenvolvimento de produtos digitais e integrada nas decisões de gestão, em vez de ser tratada como uma verificação técnica realizada apenas no final dos projetos.«Mais do que uma obrigação legal, a acessibilidade deve ser encarada como uma vantagem estratégica, permitindo às organizações alcançar mais pessoas, reduzir riscos e criar produtos digitais com maior qualidade e valor sustentável», sublinha Inês Silveiro.Mais de duas décadas de experiênciaCom mais de 20 anos de atividade na área da experiência do utilizador, a Tangível afirma integrar princípios de acessibilidade nos projetos que desenvolve há muito antes da entrada em vigor da legislação.Entre os projetos em que participou encontram-se plataformas bancárias, serviços públicos digitais, a garrafa inteligente Pluma da Galp, o Idealista e a aplicação MB Way.Além da conceção de interfaces acessíveis, a empresa presta apoio às organizações na realização de diagnósticos, definição de processos internos, formação de equipas e testes com pessoas que apresentam diferentes necessidades e limitações de utilização.Perante o atual contexto, a Tangível considera que as empresas portuguesas ainda têm margem para transformar a acessibilidade digital num elemento diferenciador.«Num mercado em que a maturidade da acessibilidade no setor privado português ainda é reduzida, esta pode constituir uma vantagem competitiva real, significativa e duradoura», conclui Inês Silveiro.O conteúdo Empresas portuguesas continuam a perder clientes por falhas na acessibilidade digital aparece primeiro em Revista Líder.