Crise do petróleo acelera corrida global pelos veículos elétricos

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A alta dos preços do petróleo provocada pela crise energética no Oriente Médio levou países de diferentes regiões a ampliarem incentivos para veículos elétricos e híbridos plug-in no segundo trimestre de 2026. O movimento ajudou as vendas globais do segmento a atingirem níveis recordes em 50 mercados.De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), mais de 9 milhões de veículos elétricos e híbridos plug-in foram comercializados no primeiro semestre do ano, com mais de 5 milhões dessas unidades registradas apenas entre abril e junho.O avanço ocorreu enquanto o mercado automotivo enfrentava retração global. Apesar da queda nas vendas gerais de veículos e da desaceleração em mercados como Estados Unidos e China, países dependentes de importações de petróleo aceleraram a transição para modelos eletrificados.Alta do petróleo reforça aposta mundial na eletrificaçãoCarro elétrico sendo abastecido – Imagem: DigitalPen / ShutterstockA crise energética alterou as prioridades de diversos governos, principalmente daqueles que sofrem maior impacto com a compra de combustíveis no exterior. Conforme a IEA, o aumento dos custos de abastecimento fortaleceu o argumento de que veículos elétricos podem reduzir a exposição dos países às oscilações do petróleo.A agência classificou o episódio como a maior interrupção de oferta já registrada e apontou que o choque nos preços dos combustíveis contribuiu para uma nova expansão das políticas voltadas à eletrificação do transporte rodoviário.Entre março e junho de 2026, as vendas de veículos plug-in dobraram em países como Austrália, Índia, Brasil, Coreia do Sul e Vietnã na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado foi acompanhado por novas medidas governamentais para estimular a compra desses veículos.Carros elétricos futuristas da Afila (Créditos: Afeela)A Austrália ampliou incentivos para modelos plug-in e acelerou um programa de instalação de carregadores públicos. Na Tailândia, foi criado um programa de financiamento para consumidores interessados em veículos movidos a bateria. O Vietnã manteve benefícios tributários para esses modelos até 2030.Outros países também adotaram medidas semelhantes. A França aumentou quase ao dobro os recursos públicos destinados à eletrificação, enquanto a Espanha prorrogou descontos fiscais relacionados à aquisição de veículos elétricos e à instalação de carregadores.Segundo a IEA, dezenas de governos da Ásia, África e América Latina expandiram programas existentes ou criaram novos mecanismos de incentivo após o início da crise energética.O crescimento das vendas de veículos eletrificados chamou a atenção porque ocorreu em um momento de queda do setor automotivo. No primeiro semestre de 2026, as vendas globais de veículos diminuíram 5% em relação ao mesmo período do ano anterior.Mesmo com um início de ano mais fraco, os modelos elétricos e híbridos plug-in recuperaram força no segundo trimestre. O resultado deixou essa categoria responsável por 24% das vendas globais de veículos leves nos seis primeiros meses do ano.A expansão também ocorreu apesar da retração nos dois maiores mercados automotivos do mundo. Na China, as vendas totais de veículos caíram 20% no primeiro semestre, enquanto os chamados veículos de nova energia, grupo que inclui elétricos e híbridos plug-in, tiveram redução menor diante da diminuição dos subsídios.Nos Estados Unidos, o cenário foi diferente. Após o fim do crédito tributário federal para veículos elétricos e a redução de incentivos ligados às metas de eficiência energética, as montadoras passaram a ter menos estímulos para priorizar modelos elétricos.Ainda assim, o país registrou no segundo trimestre seu maior volume de vendas de veículos elétricos desde o encerramento do benefício fiscal.O post Crise do petróleo acelera corrida global pelos veículos elétricos apareceu primeiro em Olhar Digital.