Apesar da ciência reconhecer os potenciais benefícios de certos probióticos para a flora intestinal, cada microrganismo é único, por isso seu efeito muda de acordo com a cepa e a dose. Mesmo com seus limites, há um grande mercado de suplementos de probióticos com promessas milagrosas. Uma nova pesquisa inglesa, entretanto, sugere que melhor do que tomar um probiótico padrão as pessoas deveriam simplesmente ingerir uma variedade maior de vegetais diariamente.A pesquisa, liderada por cientistas do King’s College London, descobriu que o consumo diário de uma mistura com mais de 30 vegetais diferentes resultou em um aumento da população de bactérias intestinais “benéficas” em comparação com um grupo de controle que recebeu probióticos.O estudo envolveu 349 adultos do Reino Unido, que receberam um suplemento vegetal diário de 30 g, conhecido como Daily30. Esses foram comparados a dois grupos: um grupo controle que recebeu 28 g de croutons de pão e outro que recebeu uma cápsula probiótica de cepa única contendo Lactobacillus rhamnosus, uma cepa probiótica bem estudada, segundo os pesquisadores.Mais vegetais, por favorNo ensaio clínico, os participantes que consumiram o suplemento contendo uma variedade de vegetais, frutas, nozes, sementes, ervas, especiarias e cogumelos apresentaram um aumento na população de 57 espécies de bactérias “boas”. Já os participantes dos grupos que consumiram o probiótico e o grupo controle apresentaram alterações em apenas 4 e 14 espécies, respectivamente.Entre aqueles que consumiram o mix de plantas, 51% relataram aumento de energia e redução da fome, além de melhora em sintomas digestivos, como constipação, azia e flatulência. Há ainda outro dado interessante: 45% relataram aumento na sensação de felicidade.“O fato de o Daily30 ter alterado 57 espécies bacterianas distintas em apenas seis semanas reformula a maneira como devemos abordar a saúde intestinal. Em vez de introduzir cepas isoladas por meio de um comprimido, esses resultados comprovam que podemos alcançar um impacto muito maior na composição da microbiota intestinal nutrindo nossos micróbios existentes com uma variedade de vegetais”, afirma a autora principal, professora Sarah Berry, do Departamento de Ciências Nutricionais do King’s College London. “Esta pesquisa sugere que devemos nos concentrar na diversidade vegetal e no papel que as diferentes fibras desempenham na formação do microbioma, em vez de buscar uma solução milagrosa”, completa.Já Tim Spector, professor de epidemiologia no King’s College London, alerta que “a indústria global de suplementos movimenta bilhões, mas grande parte dela se baseia em marketing exagerado em vez de ciência sólida. Por muito tempo, os consumidores foram iludidos com pílulas sintéticas e ultraprocessados como uma solução rápida”. Leia também: 1.Ora-pro-nóbis, taioba e serralha: mais nutritivos do que vegetais tradicionais 2.O que são proteínas vegetais? Se, em se tratando de probióticos, o que faz bem para uma pessoa pode não fazer efeito em outra, o consumo de mais verduras parece uma ótima saída para melhorar a saúde com respaldo científico. Uma pesquisa brasileira já apontou que a alimentação diária, a despeito da diversidade alimentar disponível, ainda é pouco biodiversa.O estudo foi publicado no British Journal of Nutrition.The post Novo estudo desafia a fama dos probióticos para a saúde intestinal appeared first on CicloVivo.