A maior parte dos eleitores brasileiros avalia que a tarifa adicional de 25% cobrada pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos do Brasil é injustificada para 59,4% dos entrevistados, de acordo com levantamento AtlasIntel/Bloomberg divulgado nesta sexta-feira (31).Os dados mostram que a sanção comercial é considerada justificada por 33,1% da população, enquanto 7,5% não souberam responder. O tema possui ampla penetração no debate público nacional, já que 85,1% acompanharam com atenção a implementação da medida. Leia Mais Mendonça derruba sigilo de investigação contra Jaques Wagner: o que sabemos Tereza Cristina exige moderação para aceitar vice de Flávio Marqueteiro quer "disciplina" de Flávio Bolsonaro nas decisões de campanha Ao analisar a série histórica sobre a validade da política americana, a pesquisa aponta que a insatisfação com o tema recuou em relação ao ano anterior.Em avaliação registrada em julho de 2025, a tarifa era apontada como injustificada por 62,2% da amostra, indicando uma oscilação negativa no cenário atual.O grupo que enxerga a sobretaxa como justificada também apresentou queda, passando de 36,8% para 33,1% no mesmo período. Consequentemente, a parcela de brasileiros que não soube avaliar a questão cresceu de 1% na pesquisa passada para os atuais 7,5%.MetodologiaA pesquisa AtlasIntel/Bloomberg entrevistou 5.021 pessoas, entre os dias 22 e 27 de julho, por meio de recrutamento digital aleatório (Atlas RDR).A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, e o índice de confiança é de 95%.Entenda o novo tarifaço dos EUAA medida foi anunciada após recomendação do USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) e faz parte de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.A nova sobretaxa de 25% entrou em vigor no último dia 22 e foi adicionada às tarifas já existentes sobre os produtos afetados.Investigação dos EUAA nova alíquota foi adotada após uma investigação conduzida pelo USTR, iniciada depois que o presidente americano Donald Trump anunciou, em julho de 2025, uma tarifa de 50% contra produtos brasileiros.A apuração foi realizada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos e analisou políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e combate ao desmatamento ilegal.Segundo o órgão, a apuração identificou práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais dos Estados Unidos, levando Trump a autorizar uma ação responsiva.Pix, etanol e tarifas preferenciais como problemasO governo americano afirma que as políticas brasileiras criam condições desiguais de concorrência.Entre os principais pontos citados estão:O tratamento dado ao Pix, que, segundo o USTR, favoreceria o sistema de pagamentos em relação a empresas americanas;Barreiras ao etanol dos EUA;Regimes tarifários preferenciais concedidos pelo Brasil a países como México e Índia.Washington não pretende acabar com o Pix, mas quer que ele compita em termos igualitários com empresas americanas.DesmatamentoOutro argumento utilizado pelos EUA envolve a política ambiental brasileira.Segundo o USTR, o Brasil possui legislação para combater o desmatamento, mas falhou em aplicá-la adequadamente.Esse tema foi incluído entre os fatores que, na avaliação do órgão, contribuem para insegurança jurídica e distorções comerciais.Café e carne ficaram fora da nova tarifaApesar da nova rodada de sobretaxas, produtos como café e carne bovina não serão atingidos pela medida.Além disso, o documento do USTR prevê dezenas de exceções para produtos considerados essenciais à economia americana ou sem fornecedores alternativos suficientes, incluindo determinados produtos farmacêuticos, pescados, couros, ferro-gusa, mel orgânico, hidróxido de alumínio e componentes da indústria aeronáutica.Alerta para retaliaçõesOs EUA esperam obter acesso aos mesmos regimes preferenciais concedidos pelo Brasil a outros parceiros comerciais e defendem relações comerciais em bases de reciprocidade.Ao mesmo tempo, a autoridade comercial fez um alerta sobre possíveis respostas brasileiras.Tarifaço: Brasil trabalha para aumentar lista de exceções, diz ministro | CNN NOVO DIA(Com informações de Daniel Rittner, João Nakamura, Gabriel Bosa, Elis Barreto e Danilo Moliterno, da CNN Brasil) A CNN Brasil utiliza ferramentas de inteligência artificial para extrair dados e gerar textos a partir dos relatórios dos institutos de pesquisas eleitorais. Todas as informações são checadas por jornalistas, e o texto final também passa por revisão da redação da CNN antes de ser publicado. Clique aqui para saber mais