O lançamento da candidatura de Renan Santos à Presidência da República foi acompanhado da apresentação do chamado Livro Amarelo, documento que o presidente nacional do Partido Missão define como a base ideológica da legenda e o alicerce de um projeto de transformação do país. Mais do que um programa eleitoral, o texto foi descrito pelo próprio candidato, em evento neste sábado (1º), como uma doutrina destinada a orientar tanto a campanha quanto um eventual governo.Quem é Renan Santos: fundador do MBL tenta transformar movimento em projeto presidencialDurante o evento, Renan afirmou que o Livro Amarelo representa “a base do que será disputado nas urnas”, mas também “o projeto para governar, construir e civilizar” o Brasil. Segundo ele, o objetivo é redefinir a posição do país no cenário internacional e romper com o modelo que, em sua avaliação, se limitou a promover reformas pontuais nas últimas décadas.A apresentação do documento ocorreu como o eixo central do ato político, em um discurso que alternou críticas ao PT e ao bolsonarismo com a defesa de uma nova visão de Estado, economia e sociedade.Leia também“Pior ministro da Fazenda”: Nunes dispara contra Haddad em convenção do RepublicanosPrefeito de SP também conclamou mulheres a votarem em Flávio Bolsonaro: “Vocês têm mais sensibilidade e sabem que não podemos ter um governador incompetente”Projeto de longo prazoAo explicar o conceito do Livro Amarelo, Renan afirmou que o Brasil precisa abandonar soluções de curto prazo e construir um projeto nacional voltado para as próximas gerações.A ideia aparece ao longo do discurso na defesa de reformas econômicas profundas, incentivo à industrialização, ampliação da infraestrutura, fortalecimento da produtividade e reorganização das políticas públicas. O candidato também afirmou que pretende construir uma “civilização tropical” capaz de transformar o Brasil em uma das maiores potências do mundo nas próximas décadas. Em diversos momentos, ele comparou esse processo ao desenvolvimento de países asiáticos, especialmente Coreia do Sul e China, defendendo que a geração atual aceite sacrifícios para entregar um país mais desenvolvido às gerações futuras. Economia e fim do assistencialismoNa área econômica, o Livro Amarelo defende reformas estruturais e um Estado voltado à expansão da atividade produtiva.Entre as propostas apresentadas por Renan estão a redução do gasto público, busca por superávit nominal, investimentos em infraestrutura, agregação de valor à produção nacional, estímulo à industrialização e exploração de recursos minerais condicionada à transferência de tecnologia para o Brasil.O documento também orienta parte das propostas para programas sociais. Renan afirmou que sua meta é fazer com que nenhum estado brasileiro termine um mandato com mais beneficiários do Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinada. Segundo ele, pessoas aptas ao trabalho receberiam ofertas de emprego e poderiam perder o benefício caso recusassem essas oportunidades.Segurança como prioridadeOutro eixo do Livro Amarelo é a segurança pública. Renan prometeu operações para retomada de territórios dominados por facções criminosas, endurecimento do combate ao crime organizado e redução acelerada dos homicídios. Em diferentes momentos do discurso, afirmou que pretende eliminar organizações criminosas e prometeu uma ofensiva permanente contra PCC e Comando Vermelho.O candidato também fez declarações sobre como tratar da criminalidade, incluindo a frase “vamos matar quem roubar”, repetida várias vezes durante o lançamento da candidatura. A frase também estampava camisetas vendidas na “loja oficial do evento”. Educação, cultura e gestãoNa educação, Renan criticou o desempenho das escolas públicas e defendeu a adoção do método fônico para alfabetização, maior valorização dos professores e mecanismos para responsabilizar gestores por resultados.Na cultura, afirmou que o Brasil deveria investir em uma indústria nacional de “soft power”, inspirada no modelo sul-coreano, com políticas de incentivo para ampliar a exportação da produção cultural brasileira. Ao mesmo tempo, criticou a associação da imagem do país às favelas e à violência.Já na administração pública, defendeu ampliar mecanismos de responsabilização de prefeitos e governadores e criar incentivos financeiros para gestores que apresentem melhora em indicadores sociais e econômicos.Doutrina antes de programaAo longo do lançamento, o Livro Amarelo foi apresentado menos como uma lista detalhada de políticas públicas e mais como um conjunto de princípios destinados a orientar a atuação do Partido Missão.Conceitos como produtividade, desenvolvimento, responsabilidade fiscal, combate ao assistencialismo, segurança pública, valorização da família e construção de uma nova geração apareceram repetidamente durante o discurso, compondo a identidade política que Renan Santos busca imprimir à legenda.Embora o documento reúna diretrizes para diferentes áreas, o evento de lançamento concentrou-se na apresentação dos objetivos gerais da candidatura. O discurso trouxe poucas explicações sobre cronogramas, custos ou instrumentos legais para implementar as medidas defendidas pelo partido.The post “Livro Amarelo”: a doutrina que Renan Santos diz ser a base do projeto do Missão appeared first on InfoMoney.