Durante a Semana do Clima de Nova Iorque, participei de duas mesas-redondas executivas organizadas pelo Orbis Instituto. Saí dos encontros com uma percepção clara: sabemos formular metas e identificar problemas, mas o avanço depende de colocar na mesma sala quem conhece a operação, quem toma decisões, quem desenvolve projetos e quem pode financiá-los.Quero destacar o trabalho de Maria Emília Peres, fundadora do Orbis Instituto, na construção desse espaço. Em cada encontro, cerca de 20 profissionais de diferentes setores e países trouxeram sua experiência para discutir implementação. A proposta não era apenas apontar gargalos. Era procurar bons exemplos, entender o que já funciona e descobrir quais conexões podem fazer uma solução avançar.No primeiro dia, 23 de setembro, a conversa se concentrou no futuro das cidades: como torná-las mais resilientes, inclusivas e capazes de atrair investimentos. O iFood apresentou um excelente relato de suas práticas, tanto na perspectiva da mobilidade e da mitigação climática nas cidades quanto na relação com os entregadores. Foi importante ouvir uma experiência que aproxima a discussão climática das rotinas urbanas e das pessoas que fazem parte delas. Não existe transformação de uma cidade sem olhar para quem circula, trabalha e vive nela todos os dias.Foto: Vinicius Amnx Amano | Unsplash Leia também: 1.Nova Norma da SBTi pode potencializar crédito de carbono da reciclagem 2.Créditos de carbono são todos iguais? No segundo dia, 24 de setembro, o foco passou para aço de baixo carbono, minerais críticos e cadeias industriais. A composição da mesa fez diferença: empresas, consultores, investidores e desenvolvedores de projetos puderam examinar os desafios a partir de pontos de vista complementares. Uma boa ideia precisa de tecnologia e demanda, mas também de parceiros, estruturação, capital e capacidade de execução. Quando essas peças são discutidas juntas, começam a aparecer caminhos que dificilmente surgiriam em conversas isoladas.A troca de experiências permitiu que ideias convergissem e que possibilidades de cocriação começassem a tomar forma. A Orbis se propõe a orquestrar as conexões entre os atores e buscar as peças que ainda faltam para completar o quebra-cabeça da implantação. Há trabalho pela frente, mas os encontros deram um primeiro passo nessa direção.Rodrigo Oliveira, CEO da Green Mining, em inauguração de uma Estação Preço de Fábrica. Foto: Divulgação Leia também: 1.Renda de catadores com venda de recicláveis pode dobrar 2.Semana do Clima: é hora de encarar a necessidade de mudanças Para quem, como eu, trabalha para ampliar soluções de logística reversa e reciclagem, essa abordagem tem um valor especial. A transição climática passa por cadeias produtivas inteiras. Aproximar seus elos e reconhecer o papel de cada um é o que pode transformar iniciativas promissoras em projetos com escala e resultados demonstráveis.Foi uma experiência revelador participar das duas sessões. A reunião de especialistas de alto nível e tomadores de decisão, conduzida pela Orbis, mostrou o potencial de uma conversa desenhada para continuar depois que todos deixam a sala. Acredito que muitos projetos possam nascer dessa união. O próximo desafio é fazer as conexões virarem execução.Colunistas CicloVivo: Neste espaço, especialistas de diversas áreas compartilham opiniões e pontos de vista, que não necessariamente refletem o posicionamento do CicloVivo. The post Da conversa à implementação: o que vivi nas mesas da Orbis em NY appeared first on CicloVivo.