Governo Trump veta conteúdos sobre diversidade em escolas militares

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Em um momento em que as crianças dos Estados Unidos enfrentam dificuldades em disciplinas fundamentais como leitura e matemática, os alunos de um sistema escolar específico têm obtido, de forma consistente, notas acima da média nacional em testes exigidos pelo governo federal.No entanto, o DoDEA (Department of Defense Education Activity) — o sistema escolar administrado pelo Pentágono que atende cerca de 66 mil filhos de militares americanos ao redor do mundo — está passando por uma reestruturação sob a gestão do Secretário de Defesa Pete Hegseth.Poucas semanas antes do retorno dos alunos às salas de aula neste outono, foi emitida uma diretriz lembrando os administradores escolares de que eles devem garantir que centenas de livros banidos pelo Departamento de Defesa permaneçam fora das salas de aula e das prateleiras das bibliotecas. Pentágono cria comando militar para ampliar capacidades em IA e drones "Sem gordos, sem trans": Hegseth chama Musk para liderar área do Pentágono EUA acionam Pentágono para impedir "ameaças estrangeiras" nas eleições Muitos dos títulos proibidos abordam questões de raça, sexismo e temas LGBTQ+, incluindo a popular série de histórias em quadrinho “Heartstopper” e o livro “Feminist AF: A Guide to Crushing Girlhood”.Alguns funcionários receberam, então, um memorando alertando que “todos os exemplares físicos devem ser retirados do acesso dos alunos e colocados em local seguro”, segundo uma fonte que compartilhou o documento com a CNN.O texto afirmava que seria exigido “100% de conformidade” e que o Pentágono “monitoraria o cumprimento” da medida.Essa foi uma das mais recentes iniciativas em um esforço para atender a uma lista de prioridades educacionais conservadoras na DoDEA, mesmo enquanto tramita na justiça federal uma ação judicial referente aos livros banidos.O Pentágono tem se empenhado em criar rapidamente um novo currículo baseado na “educação clássica” — um movimento que defende a valorização do cânone ocidental e é promovido por Hegseth, aliados de Trump e grupos educacionais conservadores — e em ampliar a “escolha escolar” (ou liberdade de escolha da escola) para famílias de militares, outra pauta educacional da direita conservadora.Críticos argumentam que o Pentágono, sob a liderança de Hegseth, está utilizando o sistema escolar como campo de testes para abordagens educacionais controversas como parte de sua guerra cultural em curso, e manifestaram preocupações quanto à censura e à imposição de limites ao que as crianças podem aprender.Há sinais de mais mudanças por vir, o que gera ainda mais incertezaA partir de janeiro, os professores deverão ler dois romances de uma “Lista de Leitura do Diretor” com suas turmas, conforme um memorando de autoridades da DoDEA enviado às escolas no início deste mês.O memorando, obtido pela CNN, informou aos profissionais que eles devem seguir os planos de aula sobre os livros fornecidos pela sede da DoDEA, em Washington.Em uma medida bastante incomum, os professores foram instruídos de que não podem modificar nem complementar esses planos, segundo uma fonte a par do assunto.“Os professores sabem que mudanças estão por vir, mas não sabem quais, como ou quando. No fim das contas, eles só querem oferecer o melhor aos seus alunos, mas é difícil saber como fazer isso diante de tantas incertezas”, disse a pessoa.Um representante do Pentágono afirmou que o sistema escolar “continua comprometido em oferecer a todos os seus alunos vinculados a militares a melhor educação e as melhores oportunidades possíveis”, descrevendo a nova ênfase na educação clássica e cívica como uma “expansão” do currículo que reforçaria o “pensamento crítico e as habilidades de comunicação”.Uma transformação maiorA DoDEA administra cerca de 160 escolas que atendem alunos desde a pré-escola até o ensino médio, em cerca de uma dúzia de países e em diversos estados e territórios.Apesar de seu histórico de alto desempenho acadêmico, figuras da direita afirmam que o sistema se tornou excessivamente “woke” e reclamam que seu currículo promove uma ideologia de esquerda.Elas também alegam que a administração exclui os pais da educação de seus filhos — uma queixa que dirigem a grande parte do sistema educacional dos EUA.Sob a gestão de Hegseth, aliados foram nomeados para abordar essas preocupações, substituindo, em alguns casos, funcionários federais de carreira que atuavam na agência há anos.Alguns críticos afirmam que as mudanças não visam melhorar o aprendizado, mas sim promover uma ideologia específica.“As mudanças que estão sendo feitas não se baseiam em dados. Trata-se, basicamente, de uma mudança filosófica que o secretário quer implementar porque ela se alinha à sua forma de pensar”, disse à CNN o deputado Gil Cisneros, democrata que atuou como subsecretário de Defesa para Pessoal e Prontidão durante o governo Biden.Hegseth enfrenta Congresso após mortes de militares dos EUA; veja análise | CNN PRIME TIME