Ibovespa a 248 mil pontos? Analistas apontam o que pode sustentar uma nova alta

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Ibovespa a 248 mil pontos? Analistas apontam o que pode sustentar uma nova altaA bolsa brasileira subiu em setembro, mas quanto ainda pode avançar? No relatório Raio-XP de outubro, os analistas mantêm o valor justo do Ibovespa em 200 mil pontos para o fim de 2026. Em um cenário mais favorável, a estimativa chega a 248 mil pontos, com potencial de valorização de 33% sobre a referência utilizada no estudo.Esse é o cenário otimista, e não a projeção central da casa. No cenário-base, o potencial de alta indicado é de aproximadamente 7%. Já na hipótese pessimista, a estimativa cai para 165 mil pontos, equivalente a um recuo de 11%.O documento, datado de 30 de setembro, é assinado por Fernando Ferreira, Raphael Figueredo, Caio Souza e Antonio Mello. Para a equipe, os próximos movimentos da bolsa dependerão principalmente dos juros, das contas públicas e da disposição dos investidores para assumir riscos.O que pode levar o Ibovespa a uma nova alta?No cenário otimista da XP, os lucros e o Ebitda das empresas ficam 10% acima das estimativas centrais, enquanto os juros reais recuam para 6% ao ano. O Ebitda é uma medida do resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização.Essa hipótese também considera que o mercado passe a pagar mais pelos resultados das companhias, elevando os chamados múltiplos de avaliação.No cenário pessimista, ocorre o contrário: lucros e Ebitda ficam 10% abaixo da projeção central, os juros reais sobem para 8,5% e os múltiplos retornam às mínimas consideradas pelo estudo.São simulações construídas com diferentes premissas, sem garantia de que o índice atingirá esses patamares.A bolsa está barata, mas os juros pesamSegundo a XP, as ações brasileiras continuam negociadas com desconto. O relatório aponta uma diferença de 15% em relação aos mercados emergentes e de 49% frente às bolsas globais.Mesmo assim, a equipe avalia que preços descontados, isoladamente, não bastam para sustentar uma valorização mais forte. A trajetória dos juros de longo prazo permanece como um dos principais obstáculos.Esses juros refletem as condições exigidas pelos investidores para emprestar dinheiro por períodos maiores. No diagnóstico da XP, sua evolução está ligada às perspectivas para as contas públicas e a dívida brasileira.Com as eleições se aproximando, os analistas esperam maior sensibilidade do mercado às sinalizações sobre a política fiscal a partir de 2027.Estrangeiros voltaram, mas o exterior exige atençãoDe acordo com o levantamento, os investidores estrangeiros compraram R$ 9,6 bilhões no mercado à vista brasileiro em setembro, depois de retirarem R$ 18 bilhões em agosto.A entrada ocorreu mesmo com a pressão internacional. No período, o rendimento dos títulos do Tesouro americano de dez anos chegou a 5,30%, nível não visto desde 2007, enquanto o petróleo voltou a superar US$ 100 por barril.Na avaliação da XP, a maior parte dos investidores ainda aguarda mais clareza sobre o cenário econômico e político antes de ampliar a exposição ao Brasil.Ao apresentar as expectativas para o Ibovespa, a equipe resume: “Embora continuemos vendo valor na Bolsa brasileira, reconhecemos que essas considerações Macro devem pesar mais sobre os fluxos e o sentimento do que o valuation.”