Tempo médio gasto em deslocamentos nas capitais é de mais de duas horas diárias

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Os deslocamentos urbanos continuam representando um desafio para os internautas moradores das principais capitais brasileiras. Segundo a pesquisa Viver nas Cidades, executada pela Ipsos-Ipec, o tempo médio gasto diariamente em deslocamentos aumentou de 1h56 em 2025 para 2h05 em 2026, uma alta de nove minutos.Outras constatações do levantamento: o transporte coletivo permanece como principal meio de locomoção e a sensação de insegurança para caminhar pelas cidades segue elevada.Leia mais: Ônibus, trens e metrôs de SP terão tarifa gratuita nos dias de eleiçãoForam feitas 3.500 entrevistas entre os dias 1 e 20 de julho desse ano em painel de internautas, distribuídas entre as cidades de Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e Goiânia.Para Patricia Pavanelli, diretora de Opinião Pública e Política da Ipsos-Ipec, o avanço do tempo de deslocamento e a persistência de problemas como lotação, demora e custo das passagens evidenciam a dificuldade do país em priorizar políticas para garantir uma mobilidade urbana mais eficiente, inclusiva e sustentável.(Fonte: Ipsos-Ipec)Mais tempo gasto para se deslocarAtualmente, os internautas das cidades pesquisadas gastam em média 2h05 por dia em deslocamentos urbanos. Quatro em cada dez (42%) passam mais de uma hora e meia por dia se locomovendo pela cidade.Fortaleza registra o maior tempo médio diário de deslocamento, com 2h18, além do maior avanço em relação a 2025 (+20 minutos). Também foram identificados aumentos em Recife (+17 minutos), Goiânia (+15 minutos) e Rio de Janeiro (+12 minutos).A única capital a apresentar redução foi Belém (PA), onde o tempo médio caiu 12 minutos na comparação com o estudo anterior. Porto Alegre permaneceu com o menor tempo médio de deslocamento, com 1h37 por dia.Ônibus: principal modal de deslocamentoO ônibus continua sendo o principal meio de transporte utilizado pelos moradores das capitais pesquisadas. Em 2026, 35% afirmam utilizar principalmente ônibus, BRT ou MOVE, percentual estável em relação a 2025.O carro apareceu na sequência, com 18%, seguido por carros por aplicativo (8%) e metrô (8%). O transporte coletivo permanece predominante sobre os meios individuais: 54% utilizam principalmente algum modal coletivo, contra 44% que priorizam meios individuais.Salvador é a capital com maior parcela de usuários de transporte coletivo (65%). No outro extremo, Goiânia continua a capital com maior dependência do transporte individual (67%), seguida por Manaus (59%).A pesquisa mostrou ainda que quem utiliza transporte coletivo gasta mais tempo se deslocando. O tempo médio dos usuários desses modais chega a 2h17 por dia, contra 1h47 entre os que usam prioritariamente transporte individual.Uso do transporte coletivo permanece elevadoMesmo entre aqueles que não utilizam o transporte público como principal meio de locomoção, muitos recorrem ao modal ocasionalmente. Ao todo, 78% dos participantes afirmam utilizar algum tipo de transporte público coletivo. O índice é mais elevado em Salvador (84%), São Paulo (82%), Belém (82%) e Rio de Janeiro (81%).Goiânia apresentou o menor percentual, com 51%. Entre os grupos sociais, o uso é mais frequente nas classes C e D/E e entre pessoas com renda familiar de até dois salários mínimos, reforçando a importância do transporte coletivo como instrumento de acesso à cidade e aos serviços urbanos.Prioridades para adesão de não usuáriosEntre os internautas que não utilizam transporte coletivo, os principais fatores que poderiam incentivar a adoção do modal são: Redução do tempo de espera nos pontos e terminais (41%); tornar o trajeto mais rápido que outros meios de transporte (40%); Ampliação das linhas e da cobertura do sistema (32%).Em comparação com 2025, cresce a importância da velocidade dos deslocamentos como atributo capaz de atrair novos usuários para o transporte público. Sete em cada dez internautas utilizam ônibusO levantamento aponta que 70% dos participantes utilizam ônibus municipais, BRT ou MOVE. O índice é mais alto em Belém (76%), Rio de Janeiro (75%), Porto Alegre (74%) e Salvador (74%). Em Goiânia, o percentual cai para 53%.Problemas mais urgentesEntre os usuários desses sistemas, os problemas considerados mais urgentes permanecem praticamente os mesmos observados em 2025: Lotação dos veículos (24%); Preço da tarifa (20%); Estado e condições gerais dos veículos (12%); Segurança (10%); Pontualidade e frequência (10% cada). Tarifa impacta lazer, convivência e oportunidadesSegundo a pesquisa, 63% afirmam deixar de visitar amigos ou familiares em outros bairros sempre ou às vezes devido ao custo das passagens. O mesmo ocorre com as atividades de lazer, como parques e cinemas (59%); as consultas médicas e exames (51%); a procura por emprego (44%) e a frequência à escola ou universidade (33%). O impacto é ainda mais intenso entre os mais jovens e as pessoas de menor renda.Tarifa zero: apoio depende de melhorias no serviçoA discussão sobre a adoção da tarifa zero continua sendo percebida de forma favorável, mas condicionada à melhoria da qualidade do sistema. Para 25% dos entrevistados a gratuidade pode ser positiva, desde que haja melhoria da qualidade e da frequência do serviço. Outros 22% acreditam que a medida ampliaria o acesso ao transporte e reduziria a exclusão social. Já 16% avaliam que a tarifa zero incentivaria a redução do uso do carro e contribuiria para diminuir congestionamentos e emissões de poluentes.Insegurança para caminharOutro desafio identificado pelo estudo é a segurança viária para pedestres, visto que oito em cada dez respondentes (80%) afirmam sentir-se pouco seguros ou nada seguros ao transitar pela cidade a pé, percentual semelhante ao registrado em 2025. Entre as mulheres, o índice de insegurança alcança 85%.O Rio de Janeiro apresenta o pior cenário, com 87% relatando sensação de insegurança. Goiânia registra o melhor resultado, embora a maioria (62%) declare se sentir insegura como pedestre.The post Tempo médio gasto em deslocamentos nas capitais é de mais de duas horas diárias appeared first on InfoMoney.