O mundo está de olho nas eleições presidenciais brasileiras. Jornais reconhecidos como o The New York Times e o The Guardian assinaram matérias sobre o pleito que está marcado para domingo (4), com destaques para o papel do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na definição da disputa e para o endividamento dos brasileiros.Um artigo do Times com o título “A grande questão que paira sobre as eleições no Brasil: o próximo passo do presidente Trump” questiona se o republicano vai tentar interferir no resultado das eleições presidenciais do Brasil.“Após observar o envolvimento de Trump em outras eleições e vivenciar sua tentativa fracassada de ajudar o pai de Flávio Bolsonaro a evitar a prisão por tramar um golpe, o Brasil está erguendo uma barreira de proteção para tentar blindar sua eleição decisiva contra uma possível interferência dos EUA”, apontou o jornal americano. Leia Mais Atlas: Ciro tem 50,7% de votos válidos no 2º turno no CE; Elmano, 49,3% Quaest/MA: Braide tem 52% dos votos válidos no 1º turno; Brandão, 35% Atlas: Zucco tem 48,3% de votos válidos no 1º turno; Juliana Brizola, 41,1% “Esses esforços incluem o monitoramento de lobby estrangeiro e de desinformação, o combate a alegações falsas de fraude eleitoral e a busca pelo apoio de países da Europa, da Ásia e de outras regiões”.De acordo com o artigo, existe uma preocupação do governo brasileiro com uma possível pressão de Trump para eleger o senador Flávio Bolsonaro (PL). A matéria cita uma onda de postagens pagas em redes sociais compartilhadas por perfis influentes da direita americana como uma forma de reforçar os temores.O Times destaca que “uma vitória de Bolsonaro reforçaria os planos ambiciosos de Washington de expandir sua influência na América Latina por meio de aliados de direita”.O jornal americano também fala sobre a desconfiança de aliados de Bolsonaro no Brasil e no exterior em relação à credibilidade do sistema de votação brasileiro e os esforços do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, para reforçar a confiança no processo.Bloco pró-TrumpJá o jornal britânico The Guardian destaca a possibilidade de mais uma vitória de um candidato de direita na América Latina, que se juntaria ao bloco “pró-Trump” no continente.“Dada a proximidade geográfica e a relação econômica singular do México com os EUA, analistas veem o Brasil como talvez o último país da região ainda capaz de dizer ‘não’ aos caprichos de Trump”, apontou o The Guardian. “Algo que poderia mudar drasticamente dependendo do resultado da eleição”.Analistas que conversaram com a reportagem do jornal britânico apontam o Brasil como um “grande prêmio” para o presidente americano, por conta do peso econômico do país e os vastos recursos naturais.EndividamentoEm outro artigo, o The New York Times fala sobre a crise envolvendo o endividamento dos brasileiros e a medida do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, de proibir as bets em território nacional.“O crescimento do setor de jogos de azar online no Brasil – um dos cinco maiores mercados de apostas do mundo – apenas agravou o problema do endividamento”, diz o Times.“Os brasileiros perderam cerca de US$ 7 bilhões em sites de apostas licenciados no ano passado, em comparação com US$ 4 bilhões em 2024”.A matéria discute a eficácia da medida de Lula e a posição de Flávio Bolsonaro a respeito das bets.“Bolsonaro criticou a proibição, classificando-a como uma manobra eleitoreira destinada a melhorar a imagem de Lula junto aos eleitores”, apontou o Times. “Ele afirmou não apoiar cassinos online, mas se opõe à proibição das apostas esportivas”.“Elefante na sala”O jornal francês Libération aponta Donald Trump como o “elefante na sala” da eleição brasileira. A reportagem diz que Lula tenta se apresentar como uma barreira à influência dos EUA e que o avanço da direita na América do Sul acrescenta uma dimensão internacional ao pleito.O diário francês destaca uma campanha polarizada entre Lula e Flávio, enquanto os demais candidatos têm um papel secundário. Diz ainda que Lula chega à reta final da eleção presidencial com indicadores econômicos e ambientais favoráveis, mas não conseguiu traduzir esses resultados em vantagem clara nas pesquisas.Segundo o jornal, a campanha tem sido marcada mais por polêmicas e escândalos do que pela discussão de propostas.“De costas para o futuro”Com o título “O Brasil vira as costas para o futuro”, a revista britânica The Economist avalia que a eleição não trará a mudança de que o Brasil precisa. O artigo destaca que o país é privilegiado pela abundância de recursos naturais, jazidas minerais e com reservas de petróleo enormes e em expansão, mas segue estagnado.Conforme a publicação, a expansão da dívida pública e a falta de reformas profundas mantêm os juros elevados, limitam o crescimento econômico. Com isso, os eleitores brasileiros vão às urnas diante de escolhas desanimadoras e com poucas esperanças de mudanças.Nem Lula, nem Flávio, os dois candidatos que lideram as pesquisas, parecem confiáveis quando se trata de enfrentar os dois maiores problemas do Brasil: a corrupção arraigada e a expansão dos gastos públicos, segundo a The Economist.Soberania do Brasil e posição no BricsO Le Monde, da França, destaca a disputa acirrada entre Lula e Flávio no primeiro turno, lembrando que o primeiro representa, como sempre, a esquerda e o Partido dos Trabalhadores, e concorre a um quarto mandato aos 80 anos.Já Flávio Bolsonaro é o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro – condenado por tentativa de golpe de Estado e preso desde 2025 – e representa o que o jornal chamou de extrema-direita.“Entre as muitas questões em jogo nesta campanha altamente polarizada, destacam-se a soberania do Brasil e o seu papel no cenário internacional. O Brasil de Lula, que ocupa uma posição central no Brics, é um dos últimos bastiões contra o trumpismo no continente latino-americano”, afirma a reportagem.“Sob a sombra de Trump”O espanhol El País destaca em título que “O Brasil elege presidente sob a sombra de Trump e sua ofensiva para impulsionar governos conservadores”. Segundo a reportagem, a pressão de Washington sobre Brasília e o giro à direita da América Latina convertem a votação em uma chave para o tabuleiro regional.O texto também lembra que Lula enfrenta o filho de Jair Bolsonaro, condenado por liderar uma tentativa de golpe de Estado.“O resultado das urnas mostrará se o Brasil resiste como um grande contrapeso ao poder crescente dos Estados Unidos ou se segue os passos de outros países latino-americanos que viraram à direita, alinhando-se a Trump”, afirma a reportagem.Diz ainda que o empate apontado pelas pesquisas impede saber de antemão como terminará uma das votações mais polarizadas e acirradas da história do Brasil. Com uma exceção: seja Lula ou Bolsonaro, o próximo presidente atuará em um cenário mais conservador.Colinha eleitoral da CNN Brasil ajuda eleitores na organização; veja como usar | PRIME TIME