Por que grandes empresas cripto ainda não pediram autorização ao Banco Central

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Faltando menos de um mês para o fim do prazo dado pelo Banco Central às empresas de criptomoedas que já atuavam no Brasil, boa parte dos grandes nomes do setor ainda não aparece entre os pedidos públicos de autorização para funcionar como Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais (SPSAV).O prazo termina em 30 de outubro. Até lá, as companhias precisam protocolar a primeira fase do pedido, com informações sobre estrutura societária, controladores, administradores, capital e demonstrações financeiras, além de comprovar que estão preparadas para cumprir as exigências do novo regime regulatório.Na consulta mais recente feita pelo Portal do Bitcoin, em 2 de outubro, apenas sete empresas apareciam com processos identificados: Transfero, Mazzera, PFPay, Masterpay, W Brasil Comércio, Onda Finance e Wynx Exchange. A presença na base significa apenas que existe um processo em andamento, não que a autorização já tenha sido concedida.O número é baixo diante da expectativa inicial do mercado. Em evento recente da Matera, Bruno Samora, diretor de produtos da empresa, afirmou que o Banco Central chegou a trabalhar com a possibilidade de receber entre 100 e 150 pedidos, enquanto associações projetavam algo em torno de 50, mas que o número pode ser ainda menor.Leia também: Banco Central muda regras para criptomoedas e adia reporte de autocustódia ao CoafParte dessa diferença pode ser explicada pela reorganização do setor. Algumas empresas reduziram operações ou deixaram o país, enquanto outras podem prestar determinados serviços por meio de instituições financeiras já autorizadas.Empresas usam período de transição para concluir adequaçõesSegundo a ABcripto, não existe propriamente uma vantagem em esperar até o fim do prazo. O que existe é um período de transição que as empresas estão usando para concluir uma adequação ampla, envolvendo capital, governança, compliance, prevenção à lavagem de dinheiro, controles internos, tecnologia, estrutura societária e organização contábil.A entidade afirma que a data do protocolo, isoladamente, não é um bom indicador do grau de preparação. O trabalho inclui revisão de estruturas societárias, reforço de capital, contratação de equipes de compliance, adequações tecnológicas e de custódia, auditorias e, em alguns casos, revisão do próprio modelo de negócio.Há também uma razão operacional para empresas já preparadas deixarem o pedido mais perto do prazo final. Segundo Samora, a partir do protocolo a companhia passa a cumprir novas obrigações perante o Banco Central.Entre elas está o envio de informações de relacionamento com clientes ao Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Nacional (CCS). A partir de 1º de janeiro de 2027, entram também exigências de reporte de saldos contábeis, ativos sob custódia, prova de reservas e ativos destinados a staking.“Não é também que elas não estão se preparando, elas estão se preparando. Mas até para uma estratégia vale mais a pena deixar, nesse sentido, o pedido para o fim do prazo”, afirmou Samora.A ABcripto faz uma leitura semelhante: não basta estar pronto para entregar os documentos, é preciso estar preparado para sustentar uma relação permanente de prestação de informações e supervisão depois do protocolo.Deixar para a última hora também traz riscoA estratégia, porém, tem limite. Quanto mais perto de 30 de outubro estiver o envio, menor será a margem para corrigir problemas.Samora afirma que o Banco Central já alertou as empresas sobre esse risco. Se houver informação faltante, erro técnico ou outro problema que impeça o recebimento válido do pedido, a solicitação pode ser considerada não apresentada. Nesse cenário, uma companhia que protocole nos últimos dias pode não ter tempo para corrigir o processo.A ABcripto destaca que o risco é ainda maior quando as pendências não são apenas documentais. Empresas que chegam às últimas semanas ainda discutindo capital mínimo, governança, estrutura societária, controles, sistemas ou auditoria terão menos espaço para resolver essas questões de forma adequada.As empresas que já atuavam no mercado e apresentarem corretamente o pedido dentro do prazo poderão continuar funcionando enquanto o processo é analisado, observadas as regras do Banco Central. O protocolo, porém, não significa concessão automática da licença.Para Samora, as companhias que pretendem permanecer no mercado já estão trabalhando para a nova realidade. “Pelo menos do que temos acompanhado, não temos visto empresas paradas aguardando alguma eventual postergação”, afirmou.Por isso, o pequeno número de pedidos visível neste início de outubro pode mudar rapidamente nas próximas semanas. O dia 30 deve marcar menos o fim de uma corrida por documentos e mais o início de uma nova fase, em que as empresas de cripto passam a operar sob supervisão permanente do Banco Central.Se você quer investir em criptomoedas com segurança, o Mercado Bitcoin oferece um benefício especial aos nossos leitores: use o cupom PORTAL250 no cadastro e ganhe R$ 50 de bônus em Bitcoin ao comprar R$ 250 em ativos. Clique aqui para abrir sua conta.O post Por que grandes empresas cripto ainda não pediram autorização ao Banco Central apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.