Biocombustíveis já somam R$ 289 bilhões em investimentos no Brasil

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Os projetos relacionados a biocombustíveis e à transição energética já somam R$ 289 bilhões em investimentos cadastrados no Brasil, segundo dados apresentados durante o painel “Biocombustíveis e Transição Energética”, realizado durante a terceira edição do GAFFFF, em São Paulo.O volume reflete a expansão do setor e a busca por novas aplicações para combustíveis de menor intensidade de carbono, em um cenário de crescimento da demanda global por energia.O painel reuniu Plínio Nastari, presidente da Datagro e moderador do debate; Roberto Ardenghy, presidente do (IBP) Instituto Brasileiro de Petróleo; Arnaldo Jardim, deputado federal e presidente da Comissão de Transição Energética e Hidrogênio Verde; Mário Campos Filho, presidente executivo da SIAMIG/Bioenergia Brasil; e Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente do Grupo Potencial. Leia Mais Combustível de "lixo" pode suprir 25% da demanda global de gás natural Grupo Aroeira capta R$ 618 milhões do BNDES para planta de etanol em MG Análise: Argentina leva o milho para a rota dos biocombustíveis Para Arnaldo Jardim, o Brasil tem a oportunidade de combinar duas de suas principais vocações: produção de alimentos e produção de energia. Segundo ele, biocombustível é um eixo de industrialização do Brasil.O deputado explica que a expansão do etanol de milho é um dos exemplos dessa integração. Cerca de 23% do milho produzido no país já seria destinado à produção de etanol, de acordo com os dados apresentados durante o painel. Além do combustível, a indústria aproveita coprodutos, como o DDGS, utilizado na alimentação animal.“Não se trata só de um insumo, se trata de algo que pode ser decisivo como uma cadeia de valor para a economia brasileira”, diz Jardim.Novos mercados para o setorA expansão dos biocombustíveis já ultrapassa o mercado tradicional dos veículos leves. De acordo com Mário Campos Filho, o setor trabalha para ampliar o uso de combustíveis renováveis na aviação, no transporte marítimo, em máquinas agrícolas e na produção de biogás e biometano.De acordo com ele, depois de políticas públicas que possibilitaram a contagem de carbono, através do RenovaBio, o setor passou a pensar dessa forma o processo produtivo e está expandindo essa estrutura para outras áreas.No transporte marítimo, Campos citou como exemplo um carregamento realizado em julho em um navio de longo curso utilizando uma mistura envolvendo etanol.A iniciativa faz parte da busca do setor por novas aplicações e mercados para produtos brasileiros de menor intensidade de carbono.Segundo o executivo, a estratégia é mostrar às empresas que buscam reduzir suas emissões que o Brasil já dispõe de combustíveis capazes de participar desse processo de descarbonização.O biometano também começa a ganhar espaço dentro da própria cadeia sucroenergética. Campos citou empresas que já utilizam o combustível no transporte de açúcar, no deslocamento da cana entre o campo e as unidades industriais e em equipamentos agrícolas.“A gente tem muito ainda o que desenvolver”, afirmou.Avanço do etanol de milhoOutro movimento destacado no painel foi a expansão do etanol de milho no Brasil.Segundo Campos, a produção, que era praticamente inexistente no país há cerca de uma década, já representa 30% do etanol brasileiro, conforme os dados apresentados no evento.O avanço da atividade também deslocou investimentos para novas regiões, especialmente no Centro-Oeste e em estados do Sul.A expansão amplia a integração entre os mercados de energia e alimentos e cria novas oportunidades para o aproveitamento dos coprodutos da indústria.Brasil na transição energéticaRoberto Ardenghy, presidente do IBP, ampliou a discussão para o cenário global e defendeu que a mudança na matriz energética não deve ser entendida necessariamente como uma substituição imediata de uma fonte por outra.“Mais do que transição energética, é uma evolução energética, onde todas as energias estão entrando na matriz energética mundial”, afirmou.Para Ardenghy, o aumento da demanda mundial por energia exigirá a ampliação da oferta de diferentes fontes em função do aumento brutal que haverá no consumo de energia nas próximas décadas.Nesse cenário, o Brasil teria uma posição particular por reunir, simultaneamente, capacidade de produção de alimentos e energia e diferentes alternativas para reduzir a intensidade de carbono da economia.Carbono como indicador de mercadoPlínio Nastari destacou a construção, ao longo das últimas décadas, de mecanismos para medir a intensidade de carbono dos combustíveis brasileiros e transformar esse indicador em parte da estratégia de mercado.Entre os instrumentos citados estão o RenovaBio e os Créditos de Descarbonização (CBIOs), além de iniciativas mais recentes voltadas à redução das emissões no setor de transportes.A expansão para novos mercados, porém, coloca um desafio para a indústria: equilibrar o crescimento da oferta com a criação de demanda.Para Mário Campos, embora possa haver pressão de oferta no curto prazo em alguns segmentos, a abertura de mercados como aviação e transporte marítimo pode ampliar significativamente o consumo de biocombustíveis. “A gente tem uma oportunidade muito grande nas mãos”, resumiu.Etanol garante economia de quase R$ 80 por tanque, diz Unica | CNN AGRO MONEY