Fracasso do Clarity Act pode deixar mercado cripto exposto a risco maior que o do Lehman, diz CEO da BitGo

Wait 5 sec.

O fracasso do Clarity Act no Senado dos Estados Unidos pode deixar o mercado de criptomoedas exposto a riscos sistêmicos graves, especialmente à medida que uma mesma empresa passa a concentrar funções de exchange, corretora e custodiante. A avaliação é de Mike Belshe, CEO da BitGo.Em entrevista ao The Block durante a Korea Blockchain Week, Belshe afirmou que o setor está caminhando para um modelo de “one-stop shop”, no qual uma única companhia reúne negociação, intermediação, custódia e, em alguns casos, infraestrutura de compensação. Para ele, o problema é que essa concentração cria um ponto único de falha capaz de afetar todo o mercado.O executivo comparou esse risco ao colapso do Lehman Brothers, em 2008, que gerou uma das maiores crises financeiras da história. Na leitura de Belshe, a falência do banco foi devastadora, mas o sistema financeiro sobreviveu porque as funções de negociação, custódia e infraestrutura de mercado estavam distribuídas entre diferentes instituições.No caso das criptomoedas, segundo ele, um problema de custódia em uma empresa que também funcione como exchange e corretora poderia ter impacto ainda maior, já que os ativos digitais são controlados por chaves privadas e podem ser perdidos de forma definitiva caso essas credenciais sejam comprometidas.“Exchanges nunca mantiveram custódia de nada”, afirmou Belshe, acrescentando que a combinação entre custódia e negociação de ativos digitais cria um risco diferente daquele encontrado no mercado financeiro tradicional.A BitGo tem interesse direto nesse debate. A empresa atua principalmente com custódia e infraestrutura institucional de ativos digitais e abriu capital na Bolsa de Nova York em janeiro deste ano, sob o ticker BTGO.Coinbase vira exemplo da concentraçãoBelshe citou a Coinbase como exemplo de uma empresa que vem ampliando sua atuação para diferentes camadas da infraestrutura financeira.No fim de setembro, a Coinbase Clearing recebeu da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) registro como Derivatives Clearing Organization, ou DCO, permitindo que a empresa faça compensação de futuros, opções sobre futuros e swaps totalmente colateralizados.A companhia já possuía uma futures commission merchant e uma exchange, ampliando assim sua presença em diferentes etapas da negociação e liquidação de ativos.Para Belshe, essa integração cria dois riscos principais. O primeiro é de custódia: se uma empresa que guarda os ativos dos clientes sofrer uma falha grave, os efeitos podem se espalhar rapidamente. O segundo é o risco de crédito de contraparte, que aumenta quando diferentes funções do mercado ficam concentradas dentro de uma mesma instituição.A visão do executivo, porém, não significa que a integração vertical seja necessariamente proibida ou que a estrutura da Coinbase seja considerada irregular. A crítica de Belshe é à falta de um marco legal mais amplo que defina como esses riscos devem ser separados, supervisionados e administrados.O Clarity Act buscava justamente criar uma estrutura federal para o mercado de ativos digitais e definir com mais clareza as competências da SEC e da CFTC. O projeto, porém, não conseguiu avançar em uma votação processual no Senado em 15 de setembro, quando recebeu 49 votos favoráveis e 50 contrários, abaixo dos 60 necessários.O texto enfrentou divergências sobre temas como regras éticas envolvendo autoridades públicas, combate a crimes financeiros, tratamento de desenvolvedores e rendimentos oferecidos por stablecoins. Democratas também levantaram preocupações relacionadas aos negócios cripto do presidente Donald Trump, enquanto alguns republicanos também votaram contra o avanço da proposta.BitGo diz que pode seguir sem lei, mas bancos podem esperarBelshe afirmou que a BitGo consegue continuar operando mesmo sem a aprovação do Clarity Act. A empresa atua com custódia de ativos digitais há cerca de 13 anos e já construiu estruturas regulatórias nos Estados Unidos e em outras jurisdições.Em uma teleconferência de resultados realizada neste ano, o executivo já havia dito que, do ponto de vista da própria BitGo, a ausência da lei poderia até favorecer a companhia no curto prazo, porque empresas que já conhecem o ambiente regulatório teriam vantagem sobre novos participantes. O impacto negativo, segundo ele, recairia principalmente sobre consumidores e investidores pela redução da concorrência.Belshe acredita que bancos e outras instituições financeiras tradicionais podem ser mais cautelosos sem uma legislação aprovada pelo Congresso, especialmente diante do receio de que uma futura administração volte a restringir a relação entre bancos e empresas de criptomoedas.Enquanto o Congresso não chega a um consenso, SEC e CFTC vêm tentando preencher parte desse espaço por meio de suas próprias regras. Em março, as duas agências publicaram uma interpretação conjunta sobre a aplicação das leis federais de valores mobiliários e commodities a diferentes tipos de criptoativos.Para o CEO da BitGo, porém, medidas administrativas não substituem completamente uma lei aprovada pelo Congresso. Na sua avaliação, sem uma estrutura clara que determine como negociação, corretagem, custódia e compensação devem funcionar em conjunto, o crescimento das grandes plataformas integradas pode criar riscos que só se tornam visíveis quando uma delas enfrenta problemas.Quer investir na maior criptomoeda do mundo? No MB, você começa em poucos cliques e de forma totalmente segura e transparente. Não adie uma carteira promissora e faça mais pelo seu dinheiro. Abra sua conta e invista em bitcoin agora!O post Fracasso do Clarity Act pode deixar mercado cripto exposto a risco maior que o do Lehman, diz CEO da BitGo apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.