Quando trata-se de fundos imobiliários (FIIs), tentar adivinhar os momentos de entrada e saída pode comprometer significativamente a rentabilidade no longo prazo, apontou um estudo da XP Investimentos.Segundo o levantamento, ficar de fora de apenas três dos melhores pregões do IFIX (principal índice da classe na B3) nos últimos 10 anos teria reduzido o retorno total acumulado em cerca de 20%.Já a ausência nos 30 melhores dias, que representam apenas 1,2% das sessões da década, teria derrubado o retorno acumulado em 68,8%, de +133,9% para +41,7%.“Em outras palavras, não estar posicionado em fundos imobiliários durante apenas 0,12% a 1,21% dos pregões analisados teria comprometido substancialmente o retorno acumulado pelo investidor ao longo de uma década”, afirmou a XP.Segundo a corretora, esse resultado reforça a leitura de que o mercado tende a incorporar rapidamente novas informações e mudanças nas expectativas, dificultando a captura desses movimentos por meio de estratégias de market timing.“No caso específico dos FIIs, essa dificuldade pode ser ainda mais acentuada pela menor liquidez de parcela relevante da classe, o que limita a capacidade de montar posições relevantes sem pressionar os preços em períodos de recuperação mais intensa”, ponderou a casa.Além disso, segundo a XP, grande parte das maiores altas diárias observadas ocorreu em cenários de volatilidade acima da média e após períodos de desvalorização ou estabilização do índice, justamente em condições que tendem a aumentar a aversão ao risco e a levar os investidores a reconsiderar sua alocação estrutural.FIIs de tijolo x FIIs de papelDe acordo com a XP, o custo do “erro de timing” é mais severo nos fundos imobiliários de tijolo do que nos de recebíveis (conhecidos popularmente como papel), devido à maior volatilidade dos ativos reais.Para os FIIs de tijolo, a ausência nas três maiores altas teria reduzido em 24,8% o retorno total acumulado em 10 anos. O impacto chegaria a aproximadamente 78% no cenário em que as 30 maiores altas fossem excluídas.Nos fundos de recebíveis, o mesmo padrão foi observado, embora de forma menos acentuada. As reduções alcançariam 17,3% e 68% diante da exclusão, respectivamente, das 3 e das 30 maiores altas diárias.“Em nossa avaliação, essa diferença é consistente com a maior volatilidade dos fundos de tijolo, que tende a produzir movimentos mais acentuados de valorização e queda em resposta às mudanças nas condições de mercado”, afirmou a XP.“Os resultados sugerem, portanto, que, quanto maior a volatilidade da subclasse, maior tende a ser o custo de não capturar seus melhores dias de negociação”, acrescentou.Disciplina de alocação acima de previsão de mercadoDe acordo com a corretora, os dados reforçam uma mensagem central: tentar acertar o market timing nos fundos imobiliários tende a ser uma “estratégia arriscada e potencialmente custosa” em termos de retorno, mesmo quando bem-intencionada.“Essas evidências não implicam manter uma exposição invariável aos FIIs nem ignorar mudanças nos fundamentos, no valuation, na liquidez ou nas condições macroeconômicas. A principal implicação é que fatores conjunturais não deveriam levar automaticamente ao abandono da exposição estrutural à classe, sobretudo quando os fundamentos que justificam sua presença no portfólio permanecem preservados”, afirmou a XP.Para a corretora, uma abordagem que costuma ser mais adequada é definir uma alocação estrutural compatível com os objetivos, as restrições de liquidez e a tolerância ao risco de cada investidor, realizando ajustes táticos em torno desse núcleo. “Em períodos adversos, mais importante do que tentar antecipar os momentos exatos de saída e reentrada, é avaliar se os fundamentos que justificam a presença dos FIIs no portfólio sofreram mudanças estruturais”, acrescentou.